2009 será o ano da esperança em Água e Clima

 

Rio de Janeiro, janeiro de 2.009 - Duas certezas dominaram a COP-14 da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Poznan: que Barack Obama assinará o Protocolo de Kyoto e que os países desenvolvidos devem aumentar seus esforços de ajuda aos países em desenvolvimento para atingir as metas propostas nesse acordo sobre o clima. Já em Foz do Iguaçu, o Fórum de Águas das Américas, na sua “Mensagem de Foz” deixou para o encontro mundial sobre recursos hídricos a ser realizado em Março de 2009, em Istambul, Turquia, a forma como será feita a inclusão social e a erradicação da pobreza por meio do acesso universal à água potável e ao saneamento básico e, do uso racional da água.

Como era previsto, a COP-14 deixou para a COP-15, que acontecerá em Copenhague no final do próximo ano, a solução definitiva a ser adotada pelo mundo inteiro em matéria de respostas concretas às adversidades provocadas pelas mudanças climáticas. Al Gore, que hoje é uma das vozes mais respeitadas em matéria de iniciativas políticas ambientais, elogiou em Poznan a decisão de o Brasil ter assumido metas de redução do desmatamento, ousadas para o padrão atual.

Mas, enquanto o Ministro Minc falava no mesmo encontro de Poznan sobre o compromisso brasileiro, em contrapartida, no Congresso brasileiro, a bancada ruralista fazia o maior lobby da sua história para conseguir ampliar a margem de lucro através de um desmatamento cada vez maior da Floresta Amazônica, do Cerrado e da Mata Atlântica. Fazendo eco a esse apelo, o Presidente Lula ofereceu como aperitivo o perdão aos infratores da Lei da Natureza.

O Embaixador Extraordinário para a Mudança do Clima do Ministério das Relações Exteriores, Sérgio Serra, um dos principais representantes do Brasil na COP-14, afirmou numa entrevista que “a Convenção sobre Mudanças Climáticas reconhece que a prioridade máxima dos países em desenvolvimento é a eliminação da fome e da pobreza. Desde que seja sustentável, não há incompatibilidade entre desenvolvimento e meio ambiente na área de mudança do clima.

É preciso equilibrar as coisas e não repetir os erros”. Seguindo essa linha de pensamento, o Conselho Mundial da Água, ao analisar as políticas mundiais sobre a gestão da água, observa a crescente preocupação global com a enorme pressão exercida pelas populações humanas sobre os recursos hídricos.

Outros fatores são o desmatamento, o uso indiscriminado de agrotóxicos, a erosão de solos e a poluição industrial e urbana, que ameaçam colocar em risco maior ainda o abastecimento de água num futuro próximo. Segundo projeções da ONU, se não forem tomadas medidas corretivas agora, em 2050 certamente mais da metade da população mundial sofrerá falta de água. Isso significa aumentar a pobreza e deteriorar ainda mais a saúde dos menos favorecidos. Por isso, Istambul e Copenhague representam as cidades da esperança de 2009.

A ECO•21 deseja a todos os nossos leitores, amigos e colaboradores, um sustentável 2009, um ano de paz e voltado para o bem comum. Awere!

Gaia viverá!

René Capriles e Lúcia Chayb

Editorial da Revista Eco 21 – www.eco21.com.br