Ministério Público pede paralisação de atividades do porto de empresa
multinacional
Brasília, 26 de fevereiro de
2.007 - O Ministério Público Federal do Estado do Pará (MPF-PA) enviou hoje
(26) ofício ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) pedindo a paralisação das atividades no porto da empresa
Cargill Agrícola S.A, no município paraense de Santarém.
A multinacional é ligada ao setor do agronegócio e, segundo o MPF, construiu um
terminal graneleiro na região sem estudos de impactos ambientais, o que, pelas
leis brasileiras, é irregular. De acordo com o procurador da República Felipe
Braga, também foi pedida fiscalização ambiental no porto. “O objetivo é apurar
as licenças ambientais com base nas quais o porto estaria operando, lavrar os
autos de infração que forem necessários e embargar a operação do porto”, disse
ele.
Braga informou que o processo judicial teve início no ano 2000, quando a empresa
anunciou a construção do porto. Os movimentos sociais da região denunciaram que
a Cargill não teria feito audiências públicas para debater o assunto e que não
tiveram acesso a nenhum estudo sobre a obra. “Nesta data, nós ajuizamos a ação
civil pública e fomos vitoriosos em uma primeira liminar, que é essa que está
sendo executada só agora. Por conta disso, a Cargill ajuizou sucessivos
recursos, mas foi derrotada em todas as instâncias”.
Ainda segundo o procurador, não há mais alternativas judiciais contra essa
liminar, que suspendeu a autorização emitida pela Secretaria Estadual de
Ciência,Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam) e, portanto, impede o funcionamento
do terminal graneleiro. “Foi um risco empresarial que ela correu deliberadamen,
ao instalar um porto à base de decisões judiciárias provisórias”, afirmou
Para o representante do movimento Frente de Defesa da Amazônia, Padre Edilberto
Sena, o embargo nas atividades seria ideal para aliviar a expansão da soja na
área. “Somos contra qualquer tipo de monocultura na região de florestas, que é
propícia para a produção familiar, e não para agricultura de extensão”. Ele
ressaltou que, com o funcionamento do terminal, os impactos ocorrem não só na
área do porto, mas em toda a região de Santarém.
De acordo com dados da organização não-governamental (ONG) Greenpeace, a área
desmatada em 2000, ano do início da construção do terminal, correspondia a 15
mil quilômetros quadrados. Em 2005, passou para 28 mil quilômetros quadrados. “A
construção tem influência clara no desmatamento da região”, destacou a
engenheira agrônoma Tatiana de Carvalho, da Campanha da Amazônia.
De acordo com Tatiana, a ONG não fez estudos sobre os impactos sociais, mas,
conforme levantamentos do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Comissão
Pastoral da Terra, a violência no campo e a disputa por terras aumentou depois
da entrada da soja na região.
Procurada, a multinacional Cargill Agrícola S.A informou que apenas poderá falar
oficialmente, após tomar conhecimento do assunto. O Ibama ainda estuda o ofício
enviado pelo Ministério Público Federal do Pará e não se pronunciou.
Fonte: Repórter
Monique Maia, da Agência Brasil