Ministério Público investiga excesso de alumínio na água consumida em
Florianópolis
Florianópolis,
05 de setembro de 2.008 -
Parte da água consumida na área central de Florianópolis está contaminada por
até cinco vezes a quantidade de alumínio permitida no produto pela Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A constatação foi feita após a
realização de exames encomendados pelo síndico de um condomínio, cuja tubulação
apresentou corrosão.
Em um dos exames realizados por um laboratório privado nesta semana, o índice de
alumínio na água constatado foi de 0,5%, quando o permitido pela legislação é de
0,2%. Antes, em julho de 2007, outro laudo de análise revelou a presença de 1%
de alumínio no produto fornecido - ou seja, cinco vezes o padrão estabelecido
pela Anvisa.
"Se prejudica o cano, imagine o ser humano", afirma o síndico Paulo Machado, que
pediu os exames depois de receber uma carta da construtora do condomínio, sobre
a corrosão da tubulação de cobre. Como a coleta foi feita na água antes de ela
chegar ao condomínio, a suspeita é que a contaminação atinja parte da área
central da cidade. O caso é apurado pelo Ministério Público. A própria companhia
que fornece o produto fará testes em toda a Grande Florianópolis.
O alumínio é uma substância presente naturalmente na água, variando seu teor de
acordo com o local onde ela é coletada. O produto pode ser contaminado tanto por
falhas no tratamento quanto na emissão entre a estação e os consumidores.
Segundo a Anvisa, no anexo da portaria número 518, de 25 de março de 2004, o
padrão de aceitação para consumo humano é 0,2% por que, excedida essa
porcentagem, a ingestão pode causar riscos à saúde. O alumínio é um composto
neurotóxico que, em longo prazo, pode causar encefalopatia grave em pacientes
que sofrem diálise renal, podendo levar a distúrbios neurológicos.
Os riscos
podem estar relacionados ao aumento dos casos de mal de Alzheimer, à formação de
compostos químicos cancerígenos e à metemoglobinemia - doença que faz com que o
ferro não transporte oxigênio ao sangue. A presença de metemoglobina no sangue
pode provocar tontura, fadiga, taquicardia, náusea, vômito, sonolência, coma e,
raramente, levar à morte.
Antes de efetuar a denúncia, o síndico procurou a Companhia de Águas e
Saneamento de Santa Catarina (Casan) para pedir esclarecimentos. A empresa
estatal encaminhou resposta alegando que a água fornecida estava dentro do
padrão estabelecido pela Anvisa, o que foi contestado com base nos exames
encomendados pelo condomínio, anexados à denúncia ao Ministério Público Federal,
em setembro de 2007.
Por questão de competência, o MPF repassou o caso ao Ministério Público de Santa
Catarina, que instaurou um inquérito civil e solicitou à Vigilância Sanitária de
Florianópolis a realização de exames na água fornecida. Em razão da falta de
fiscais em âmbito municipal, o trabalho foi transferido para a Vigilância
Sanitária Estadual, que ainda não se manifestou junto ao MPSC.
O problema é que o único laboratório público que poderia realizar as análises
para a Vigilância está em reformas. Assim, os exames foram feitos pela própria
Casan e levados ao órgão de fiscalização. "A Casan nos informou que foi feita a
troca do sal de alumínio utilizado no tratamento da água. No dia que isso
aconteceu, o teor ficou elevado de fato.
Mas a Casan vinha monitoramento mais freqüentemente e nos passando os laudos,
dizendo que estavam normalizados os teores de alumínio", alega a diretora da
Vigilância Estadual, Raquel Bittencourt.
O promotor Fábio Trajano, que instaurou o inquérito, afirma que a estatal fez o
monitoramento e apresentou laudos mostrando que a situação estava regularizada.
"Depois, recebemos novo exame feito a pedido do condomínio, dizendo que o
alumínio ainda está acima do limite", diz.
O diretor da região metropolitana da Casan, Juscinir Gualberto Soares, afirma
que novos testes estão sendo feitos em diversos pontos da Grande Florianópolis.
Os resultados devem ficar prontos na próxima semana. "Em 2007 e agora, foram
problemas pontuais. Não contestamos os laudos particulares, mas as análises que
a Casan faz não detectam esses índices de alumínio", defende.
Fonte:
Folha / UOL