Brasília, 16 de abril de 2.007 -
O programa elaborado para as comunidades indígenas, durante a campanha
presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, não está sendo cumprido,
reclamam lideranças indígenas que estão em Brasília para protestos relativos à
Semana do Índio. "As promessas não andaram e não estão sendo cumpridas”, afirma
o cacique da aldeia Cachoeirinha, de Miranda (MS), Ramão Terena.
“O programa dizia que o governo brasileiro iria virar a página de uma política
arcaica e iria dar passos importantes na construção dessa nova política”, conta
ele. Entre as ações, segundo o cacique, estaria a instalação do Conselho
Nacional de Política Indigenista e a criação de um novo órgão indigenista de
articulação entre os ministérios para colocar as diretrizes criadas pelo
conselho em prática.
As lideranças também dizem que houve uma "regressão" no processo de demarcação
de terras. “Não houve avanço, e o número de demarcações diminuiu em relação ao
governo passado”, diz Ramão. Os índios alertam que, se o processo de demarcação
de terras continuar neste ritmo, levará cinqüenta anos para a questão ser
resolvida. Segundo Ramão, no governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e
2002, a média foi de 15 demarcações por ano e, no governo Lula, houve cinco. “No
ano passado, não houve nenhuma”, diz o cacique.
O coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (Coiab), Jecinaldo Cabral, afirma que, dos R$ 60 milhões destinados a
questões indígenas no orçamento do ano passado, apenas 2% foram investidos.
“Falta atenção na gestão de recursos”, aponta.
Ramão Terena vê crescimento apenas dos programas de assistência social. “Houve
melhora de assistência social. É boa, mas chega em um determinado momento que
fica ruim, porque ficamos dependentes da assistência. Não resolve”.
O coordenador da Coiab concorda e avalia que, nos programas de desenvolvimento,
paralelos à assistência social, não houve regresso, nem avanços, mas a
continuidade do descaso. “O governo passado não foi melhor. Todos os governos
recriminaram e tentaram tirar os direitos das populações indígenas. Não foi
diferente no FHC e não está sendo diferente no governo Lula”.
O processo de ocupação de terras já demarcadas também é problemático, segundo os
líderes. Eles apontam que muitas das terras devolvidas aos índios foram
desmatadas para plantações de soja. “A mãe terra está nua”, diz o líder terena.
Fonte: Alessandra Bastos,
repórter da Agência Brasil.

ABRIL
indígena já começou. Confira a programação em todo o país
Brasília, abril de 2.007 -
A primeira atividade do Abril Indígena acontece desde ontem, quarta-feira, no
Amazonas. A I Assembléia dos Indígenas da Cidade de Manaus tem a participação de
21 povos que migraram para a capital amazonense. Também fazem parte da
programação o II Encontro Internacional Sepé Tiaraju, que vai reunir movimentos
sociais e representantes Guarani do Brasil, Paraguai e Argentina, em Porto
Alegre. No nordeste, um encontro sobre o Toré e a luta dos povos indígenas
acontece em Pernambuco e a Celebração pelos 10 anos da morte de Galdino Pataxó
Hã Hã Hãe, será realizada na aldeia Caramuru, sul da Bahia.
Haverá também atividades com estudantes em Cuiabá, um acampamento regional em
Imperatriz, Maranhão, uma Romaria, assembléia indígenas e Audiências em Minas,
Espírito Santo e Bahia, além de mobilizações em Ji Paraná, Ronônia e Campo
Grande, MS.
Diversas atividades terminam com a vinda de ônibus para o acampamento Terra
Livre, em Brasília, que tem a política indigenista como pauta principal e
pretende reunir mais de 800 pessoas de 16 a 19 de abril.
Os debates de ontem em Manaus trouxeram as reivindicações por educação e saúde
diferenciadas. A reunião, que termina nesta quinta-feira, 4, acontece na a
Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e é promovida pela União dos Povos
Indígenas de Manaus (Upims) e pela Coordenação das Organizações Indígenas da
Amazônia Brasileira (Coiab).
Veja aqui a programação:
Pará - 12 a 20 de abril – Entre os dias 5 e 9, acontece a mobilização para o
acampamento Terra Livre em Brasília em Altamira, Pará. De 12 e 19, acontece a
Semana dos Povos Indígenas em Santarém, com atividades nas escolas e
Universidades organizadas pelo Cimi e pelo Conselho Indígena do Tapajós e
Apurinã. Entre 16 e 20, será realizado o Acampamento Estadual da Via Campesina
no Pará: Contra o Imperialismo e pela Soberania Popular na Amazônia, em Belém.
Pernambuco - 10 a 13 de abril – Mobilização Terra Toré, na terra do povo Pankará,
vai reunir 100 pessoas, de 30 povos de PE, PB, AL, BA, RN, PI e SE, em debates
sobre terras e direitos indígenas do nordeste, sobre práticas rituais como o
Toré e a luta pela terra. O encontro será também preparação para o acampamento
Terra Livre, em Brasília.
Porto Alegre, RS – 11 a 13 de abril – II Encontro Internacional Sepé Tiaraju,
que vai reunir os Guarani que vivem no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São
Paulo, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e do Paraguai, e os movimentos do
campo, catadores, quilombolas e pastoral da juventude, entro outros, no Parque
da Harmonia, Porto Alegre.
Ji Paraná, RO – 11 a 13 de abril – Manifestações a atividades indígenas. Na
noite do dia 13, parte o ônibus para Brasília.
Imperatriz, MA – 12 a 14 de abril – Acampamento Indígena Regional na Praça
Brasil, em Imperatriz, organizado pela Coordenação das Articulações dos Povos
Indígenas no Maranhão (COAPIMA), Cimi e MST. Na pauta, discussão sobre os
objetivos do Abril Indígena e definição de estratégias do movimento em relação
aos Grandes Projetos de infra-estrutura previstos para o Sul do Maranhão. No dia
14, haverá uma marcha pelas principais ruas de Imperatriz, com a participação da
delegação indígena do Pará que vai ao Acampamento em Brasília.
Minas Gerais - 12 a 19 – Assembléia dos Povos Indígenas em Minas Gerais,
convocada pelo Conselho dos Povos Indígenas do estado, vai acontecer na Aldeia
Brejo do Mata Fome, povo Xakriabá, norte de Minas. No dia 15, acontece a Romaria
dos Mártires Xakriabá, pelo aniversário de 20 anos da morte de Rosalino Xakriabá.
A Romaria, realizada nas aldeias Xakriabá, municipio de São João das Missões,
reunirá os povos de Minas, representantes dos povos do sul da Bahia e norte do
Espírito Santo, além de várias entidades de apoio e movimentos sociais do
estado. Em 19 de abril, haverá audiências nas Assembléias Legislativas dos
estados da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, com participação de
representantes dos povos e organizações indigenas
Campo Grande, MS - 13 de abril – Cerca de 500 indígenas de todo o estado e os
movimentos sociais, especialmente do movimento dos Sem Terra e Quilombolas,
realizarão passeata pelas ruas centrais de Campo Grande e Ato Público. À tarde,
haverá debates e entrega de propostas às autoridades estaduais. À noite, as
lideranças participam de debate na Assembléia Popular e, depois, dois ônibus com
indígenas partirão para Brasília.
Cuiabá, MT - 16 a 20 – Atividades com estudantes das escolas da cidade sobre
temas como Economia Rikbaktsa antes e depois da chegada dos seringueiros e dos
jesuítas; sobre os estudantes e os trabalhadores indígenas na capital de Mato
Grosso, sobre Índios em contexto urbano, e a Questão Fundiária dos Chiquitano.
No dia 20, acontecerá a Celebração pelos 20 anos do Martírio do Ir. Vicente
Cañas, SJ, na Igreja São Judas Tadeu (Av. Coronel Escolástico), às 19 horas, e
Bênção para o início do Monumento do artista Jonas Correia em homenagem ao Ir.
Vicente Cañas, SJ, assassinado há 20 anos no Mato Grosso, com depoimentos dos
que o conheceram.
Brasília, DF – 16 a 19 – Acampamento Terra Livre vai reunir 800 indígenas de
todo o país discutindo propostas do movimento para a política indigenista.
Saúde, educação e projetos de desenvolvimento estão na pauta. No dia 19 de
Abril, será realizada Audiência Pública na Câmara dos Deputados
Bahia - 18 a 20 de abril – Programações locais políticas e culturais, no Monte
Pascoal dos Pataxó; na Aldeia Caieiras Velhas, dos Tupinikim, e nos Tupinambá da
Serra do Padeiro, em Ilhéus. No dia 21, celebração pelos 10 anos da morte de
Galdino Pataxó Hã-Hã-Hãe, na aldeia Caramuru, sul da Bahia.
Brasília, 4 de abril de 2007
Fonte:
Cimi – Conselho Indigenista Missionário
www.cimi.org.br

Manifestações do Abril Indígena
de 2.007 começaram dia 13 em Mato Grosso do Sul
Brasília, 17 de abril de 2.007 - Um protesto em Campo Grande (MS) a ser
realizado amanhã (13) marca o início das manifestações indígenas programadas
para ocorrer até a quinta-feira da semana que vem, 19 de abril, Dia do Índio.
Entre os dias 16 e 19, serão realizados atos em diferentes regiões do país. A
concentração será na Esplanada dos Ministérios, com a montagem do 4º Acampamento
Abril Indígena. Cerca de 1,5 mil lideranças indígenas, que representam mais de
100 povos, devem estar em Brasília.
Em Campo Grande, o protesto terá como objetivo chamar a atenção governamental.
“Essa é única forma que encontramos de pressionar o governo”, diz o
coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (Coiab), Jecinaldo Cabral, um dos organizadores do evento.
Na capital federal, as manifestações focarão os principais pontos da luta de
povos indígenas, instituídos pela Constituição de 1988. Saúde, educação,
desenvolvimento e, principalmente, demarcação de terras.
“Esta é a questão principal, porque temos 270 terras não consideradas pela Funai
[Fundação Nacional do Índio] no processo de regularização”, explica cabral.
Segundo ele, também há 34 processos parados no Ministério da Justiça. Três
estados são os mais afetados pela demora: Mato Grosso, em que há sete terras
esperando regularização; Mato Grosso do Sul, também com sete; e Paraná, com
cinco.
As comunidades também lembrarão os dez anos da morte do índio Galdino,
assassinado em 1997 por jovens brasilienses. Ele foi queimado pelos jovens
enquanto dormia em uma parada de ônibus no Plano Piloto.
Familiares de Galdino e demais indígenas da etnia Pataxó também irão a Brasília.
Na próxima terça-feira (17), eles farão uma marcha simbólica da Esplanada dos
Ministérios até a Praça do Índio, local em que Galdino foi morto e que recebeu
este nome para que o caso não fosse esquecido.
A organização do evento informa que está marcada para o dia 19 uma reunião com
presidente da Funai, Márcio Meira e a presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), ministra Ellen Gracie. No mesmo dia deve ocorrer também uma audiência no
Senado Federal.
As comunidades indígenas também pediram um encontro com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva que ainda não foi confirmado pelo Palácio do Planalto.
Fonte: Agência Brasil

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Congresso Nacional é o atual vilão dos povos indígenas.
