Acordo compulsório
sobre o clima poderá ser apenas uma declaração de intenções
Barack Obama e premiê da
Dinamarca, anfitrião da conferência climática da ONU, anunciaram decisão em
encontro na Ásia
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Os presidentes Barack
Obama (esq.), dos EUA, e Hu Jintao, da China (dir.),
em Cingapura |
Brasília,
16 de novembro de 2.009 - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e
outros líderes globais decidiram adiar a difícil tarefa de alcançar um acordo
para o clima.
Ou seja, a conferência da ONU sobre o assunto, no próximo mês em Copenhague,
deve agora resultar apenas em uma declaração "politicamente vinculante", algo
pouco específico e não obrigatório, deixando os pontos mais difíceis para mais
tarde.
Ontem, num café da manhã arranjado de última hora durante o encontro da Apec
(sigla em inglês para Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em Cingapura, os
líderes, incluindo Lars Rasmussen, premiê da Dinamarca e anfitrião da
conferência do clima, concordaram que, para salvar o encontro de Copenhague,
eles teriam que jogar um acordo legalmente compulsório para um encontro futuro
-possivelmente a conferência do clima da Cidade do México, em dezembro do
próximo ano.
"Existe uma avaliação entre os líderes de que não é realista esperar que um
acordo completo, legalmente obrigatório, seja negociado entre agora e
Copenhague, que começa em 22 dias", disse Michael Froman, assessor de economia
dos Estados Unidos.
"Não acho que as negociações tenham caminhado de forma que qualquer um dos
líderes acreditasse que nós fôssemos alcançar um acordo final em Copenhague."
Tragédia
anunciada
Com o relógio correndo rápido e com profundas discórdias sem resolução, pareceu,
por vários meses, cada vez mais difícil que as negociações de Copenhague fossem
produzir um tratado novo, abrangente e compulsório sobre o aquecimento global,
como os seus organizadores esperavam.
O objetivo do novo acordo é ampliar o Protocolo de Kyoto, cujo primeiro período
de compromisso expira em 2012, e ao mesmo tempo incluir ações mais substanciais
de corte de emissões por parte dos Estados Unidos e dos países emergentes, como
o Brasil.
A decisão de ontem sedimenta algo que os negociadores já tinham aceitado como
inevitável: os representantes das 192 nações não se entenderiam a tempo. O
abismo entre os países ricos e pobres, e mesmo entre os ricos, era simplesmente
grande demais.
Entre as principais barreiras para um acordo abrangente em Copenhague no próximo
mês está a incapacidade do Congresso americano de promulgar uma legislação que
apontasse metas obrigatórias de corte de gases-estufa no país.
Sem tal comprometimento por parte dos Estados Unidos, o maior poluidor
histórico, todos os outros países, ricos e pobres, ficam avessos a fazer suas
próprias promessas de redução de emissões de gases-estufa.
Membros do governo americano e líderes no Congresso vinham dizendo que leis
sobre o clima não sairiam antes do primeiro semestre de 2010.
A decisão da Apec foi bastante criticada por ambientalistas.
"O premiê dinamarquês Rasmussen tornou-se cúmplice do chamado "acordo"
americano, que colocaria as dificuldades políticas de Obama acima da
sobrevivência dos países mais vulneráveis do mundo", disse Kaisa Kosonen,
conselheira de política de clima do Greenpeace, na véspera de uma reunião
ministerial hoje em Copenhague que deveria preparar o terreno para a cúpula de
dezembro. Ela questionou se outros líderes europeus sabiam da decisão tomada na
Apec.
A ONG WWF disse que os líderes "perderam uma grande oportunidade de se aproximar
de um acordo justo, ambicioso e compulsório" em Copenhague e que "isso não
parece ser uma estratégia inteligente" contra a mudança climática.
Fonte: "New York Times"
Reunião no
Ministério Público Federal avalia acordo firmado pela Aracruz Celulose
A empresa vai pagar
indenização de 3 milhões de reais aos índios para retirar o eucalipto que
plantou na região
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Ministro da Justiça, Tarso
Genro, e o presidente da Fundação Nacional do Índio, Funai, Márcio Meira,
conversam com lideranças indígenas das tribos Guarany e Jaguareté durante
assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta entre lideranças indígenas, a
Funai, a Aracruz Celulose e o Ministério Público Federal em 03 de dezembro de
2.007
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Brasília, 10 de abril de 2.008 - A subprocuradora-geral da República Deborah
Duprat Pereira, coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do
Ministérios Público Federal (MPF), reuniu-se ontem, 9 de abril, com o presidente
da Funai, Márcio Meira, com líderes das tribos indígenas tupiniquins e guaranis,
e com representantes da empresa Aracruz Celulose para juntos avaliarem o
cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre eles no final
do ano passado.
De acordo com o TAC firmado, as áreas indígenas Caieiras Velha, Pau Brasil e
Comboios, localizadas no município de Aracruz, no Espírito Santo, serão
demarcadas e a Aracruz pagará indenização de 3 milhões de reais aos índios para
retirar o eucalipto que plantou na região.
Na reunião de ontem os líderes indígenas pediram para a Aracruz adiantar agora
parte do pagamento das indenizações para que possam financiar alguns projetos de
subsistência escolhidos pelas comunidades, como piscicultura, aviário e lavoura
de milho e feijão. Como os recursos só podem ser liberados depois que a empresa
contratada pela Funai terminar o estudo etnoambiental, de avaliação dos projetos
viáveis para a área, com conclusão prevista para dezembro, o presidente da Funai
se comprometeu a pedir uma avaliação técnica emergencial dos projetos
reivindicados pelos índios para junho. Isso permitirá a liberação de parte da
indenização pela Aracruz.
As lideranças indígenas também pediram algumas alterações na demarcação da área
de 18.027 hectares para que os fronteiras sigam os limites naturais. O
presidente da Funai e a coordenadora da 6ª Câmara sugeriram que os caciques
obtenham logo a aprovação das comunidades sobre as alterações na demarcação para
que se possa cumprir o cronograma de encerramento dos trabalhos, até final
abril.
Acordo entre
Aracruz Celulose e índios põe fim a antiga disputa por terras no Espírito Santo
A direção da Aracruz
Celulose e lideranças indígenas das etnias Tupiniquim e Guarani Mbyá assinaram
em 03 de dezembro de 2.007, em Brasília, um termo de ajustamento de conduta que
define obrigações para ambas as partes e determina soluções para uma antiga
disputa pela propriedade de terras no Espírito Santo. O principal efeito da
medida é a transferência de 11,9 mil hectares de terras para as comunidades
indígenas.
O acordo foi intermediado pelo Ministério Público Federal, a pedido do ministro
da Justiça, Tarso Genro, presente à cerimônia assim como o presidente da
Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira.
“Em nossas terras, vamos ter espaço para trabalhar a agricultura e a parte
ambiental, preservando as pequenas matas e zelando por aquilo que a comunidade
indicar”, disse o cacique Tupiniquim, da Aldeia Caieiras Velhas, José Sezenando,
porta-voz dos índios da região.
Ele agradeceu o empenho
das autoridades que apoiaram o reconhecimento da posse da área aos índios. Os
pontos do TAC foram previamente aprovados em assembléias indígenas.
As terras no Espírito Santo que serão homologadas e demarcadas foram adquiridas
de particulares há mais de 30 anos pela Aracruz Celulose sem saber que se
tratava de terras indígenas, dando início a uma disputa.
A interferência do Ministério Público Federal possibilitou o caminho da
conciliação. “As partes tinham posições bastante antagônicas, que foram vencidas
com soluções criativas. Os índios vão ter o processo de desocupação da área
acelerado e a empresa se livra de um conflito, ficando de posse da madeira ali
plantada”, explicou à Agência Brasil a subprocuradora da República Débora
Duprat, que conduziu diretamente as negociações.
Na região vivem aproximadamente 600 famílias indígenas.
Pelo termo assinado, a Aracruz tem até um ano para retirar a madeira da área e
se compromete a apoiar com até R$ 3 milhões o desenvolvimento de estudos
etnoambientais solicitados pela comunidade indígena. O objetivo é permitir a
elaboração de projetos e programas que promoverão a autosustentabilidade dos
índios, apontando as melhores alternativas para o uso das aterras.
Nesse período, uma empresa a ser contratada pela Funai também fará a demarcação
física da área. A fundação, segundo o presidente Márcio Meira, também vai
repassar recursos emergenciais às famílias indígenas.
O acordo foi visto por ele como importante “para garantir direitos
constitucionais históricos, sem implicar na perda do direito de quem agiu de boa
fé”.
O presidente da Aracruz Celulose, Carlos Aguiar, ressaltou a importância da
segurança jurídica de que terras não sejam mais ampliadas. “Entendemos que foi o
melhor caminho para dar tranqüilidade à região e também à empresa para continuar
produzindo”.
Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, o acordo firmado inaugura uma forma
original de solução de conflitos de terras. “Conseguimos resolver uma grave
controvérsia pelo diálogo, com apoio do Ministério Público. Espero que tenha
reflexo positivo em futuras negociações”, afirmou.
Fonte: MPF e Agência Brasil, com o repórter Marco Antonio Soalheiro e foto de
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr