A floresta e a água subterrânea
Os solos sob florestas possuem boas condições de infiltração de água.
Logo, as florestas podem ser consideradas como fontes importantes para o
suprimento de água para os aqüíferos. Em habitats diferentes onde o lençol
freático se encontra bem superficial, como áreas alagadiças e encostas de
rios, sangas, lagos etc., a floresta, pela sua evapotranspiração, auxilia no
rebaixamento do lençol freático.
Alguns trabalhos têm apontado que, quando da
remoção da floresta, o lençol freático tende a subir novamente. No caso de
regiões semi-árídas, onde a água é um recurso de primeira necessidade, a
presença de florestas ao longo dos cursos d'água podem representar um grande
problema. Em regiões íngremes, a drenagem limita o armazenamento da água
subterrânea.
A presença da cobertura florestal irá proporcionar uma maior infiltração de água no solo, o que por sua vez irá resultar num maior abastecimento do lençol freático. Os efeitos da floresta sobre o rebaixamento do lençol freático dependem basicamente da espécie florestal, da sua densidade de plantio, da forma do seu sistema radicular, dos tratos e métodos silviculturais dispensados e da colheita da mesma. Mas nem sempre a floresta traz problemas para o lençol freático; existem casos, quando o lençol é muito superficial, em que a floresta não consegue se estabelecer.
Nesta situação, normalmente, os silvicultores lançam mão de técnicas como a drenagem artificial, mediante a abertura de valas. Atualmente, muito se fala no efeito das florestas sobre o comportamento das nascentes. Nesse caso, não é somente a presença ou ausência da floresta que é a responsável pelas alterações das nascentes. São uma série de outros fatores que estão envolvidos na origem e na dinâmica de uma determinada nascente. Alguns estudos nos Estados Unidos mostraram que após a remoção de vegetação ocorreu um aumento imediato na vazão das nascentes; mas também observaram que estes aumentos foram passageiros, ou seja, as nascentes rapidamente voltavam ao regime anterior ao corte.
Aspectos de uma
nascente
O manejo da vegetação, visando
modificar a dinâmica das nascentes, pode ser resumido conforme os seguintes
princípios:
Realização de troca de espécies vegetais que possuem o sistema
radicular profundo por espécies com raízes superficiais. Isto implicaria na
liberação da água das camadas do âmbito do sistema radicular para a
alimentação das nascentes;
Remoção da vegetação onde as raízes atingem
normalmente o lençol freático, resultando em aumento imediato na vazão das
nascentes;
Utilização de práticas que levam à diminuição da infiltração
da água no solo, o que tende a aumentar a formação de enxurradas, podendo
diminuir a vazão das nascentes ou até mesmo comprometer a existência das
mesmas.
Avaliar os benefícios de proteção que as florestas oferecem aos
mananciais hídricos para a captação de água com vistas ao abastecimento
urbano ou ao uso geral no meio rural é de grande importância, pois estes
benefícios devem determinar o comportamento dos poderes públicos e dos
proprietários rurais no sentido de manter as matas e vegetação para
proteção e manutenção de fornecimento de água.
A floresta nativa, inclusive
a mata ciliar, se constitui no tipo de vegetação que mais filtra a água,
diminuindo consideravelmente a turbidez da mesma e propiciando condições
ótimas de luz para o processo fotossintetizante das algas produtoras de
oxigênio, homogeneizando também as temperaturas, evitando variações bruscas
que poderá acarretar a morte da flora e fauna aquáticas.
Por outro lado, a
turbidez de um curso de água está altamente relacionada com a natureza da
bacia hidrogáfica ou de captação. A água é turva quando apresenta, na sua
constituição, grande quantidade de pequenas partículas em suspensão de
argila, ou ainda microorganismos que conferem à água aspecto lamacento.
Na Região Sul do Brasil, a evolução
do sistema de produção agropecuária foi sempre imediatista, sem considerar os
efeitos e as conseqüências nos ecossistemas, ocasionando um grande
desequilíbrio na natureza e, como resultado, têm-se hoje os rios poluídos,
assoreados e com uma grande fragilidade em relação às enchentes.
O uso
inadequado dos solos nas propriedades rurais, o desmatamento irracional, o uso
indiscriminado de fertilizantes, corretivos e agrotóxicos, estabelecem
situações graves para os recursos hídricos disponíveis, pois,
periodicamente, ouvem-se informações de rios poluídos, mortandade de peixes,
falta de água nas cidades, o que causa sérios transtornos para os
consumidores. Assim, as florestas nativas de uma bacia hidrográfica atuam como
controlador hidrológico, regulando o fluxo de água, de sedimentos nutrientes
entre as áreas mais altas e mais baixas da bacia.