Água, o líquido cada vez mais precioso

Inicial

O ciclo da Água

Fotossíntese

Importância das florestas

A floresta e a água subterrânea

A floresta e a infiltração da água

Porque plantar uma Árvore

Erosão e escoamento superficial

Mata ciliar

Superexploração dos mananciais

Bibliografia e fontes

Glossário

Conclusão

A superexploração dos mananciais é a causa do esvaziamento dos reservatórios 

São Paulo, 2.004 - A superexploração dos mananciais e a ausência de preservação ambiental - e não a falta de chuvas - é a maior responsável pela situação de penúria dos reservatórios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiras, que levou ao racionamento de energia.

Partindo-se da média histórica de chuvas nessas regiões, era possível saber, já em março do ano passado, que seria preciso um verdadeiro dilúvio para, mantendo os mesmos níveis de consumo, recuperar o nível de armazenamento das represas. 

"O histórico das chuvas mostra que não seria possível chover o suficiente e no local certo para recuperar o nível das represas", diz o meteorologia Marcos Barbosa Sanches, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE). 

Além da superexploração - uso múltiplo para energia, para suprimento de água, para irrigação etc. -, causada principalmente por falta de gestão adequada dos recursos hídricos, a fragilização dos ecossistemas nas regiões de mananciais também colabora para a diminuição do volume de água nos reservatórios. O desmatamento, principalmente das matas ciliares, faz com que a água corra rapidamente para os vales e não fique retida na bacia. 

Dados sobre os níveis de armazenamento das represas que abastecem as hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, divulgados nesta semana pela Eletropaulo, mostram que, desde 1998, o nível global de armazenamento vem caindo numa proporção de mais de 10% ao ano, no período de cheias, passando de mais de 80%, em março de 1998, para 58,5%, em março de 2000. Em 2001, no mês de março - que é o pico anual de armazenamento -, esse índice era de apenas 34%. 

Chuvas

Comparando-se esses números com o índice de chuvas nessas duas regiões no mesmo período, verifica-se que houve períodos mais secos, mas não na mesma proporção com que foram se esvaziando os mananciais. Segundo Sanchez, o período de inverno, quando os índices de chuvas ficaram mais tempo abaixo das médias históricas, colabora muito pouco para o nível das represas. "A diferença de chuvas entre as estações é muito grande; o que importa para os mananciais é o quanto chove no verão", diz. 

Além disso, o meteorologista ressalta que "o período chuvoso nessas regiões, como é típico de áreas tropicais, é caracterizado por chuvas intensas e isoladas, o que pode influenciar na média na área como um todo. Um exemplo disso foram os quatro primeiros dias de janeiro de 2000, quando choveu, no Vale do Paraíba, muito mais do que chove num mês de janeiro, enquanto nos demais dias do mês não choveu com tanta intensidade", explica. 

Para Sanches, o baixo nível das represas mostra que está havendo uma demanda maior do que a oferta possível de água, mesmo que chova mais do que a média. "Se olharmos para o Nordeste, isso fica mais claro. Um único manancial, o São Francisco, é utilizado por barragens e irrigação, o que faz chegar menos água ao final", diz. 

Uma política de uso racional para os mananciais, somada a medidas de preservação ambiental, poderia aliviar os problemas. "Quando a chuva cai em áreas florestadas, temos maior constância de água no sistema hídrico. Além disso, o assoreamento provocado pe lo desmatamento entope nascentes e diminui a capacidade de armazenamento dos mananciais, que ficam mais rasos", explica o engenheiro José Roberto Fumach, prefeito de Itatiba e presidente do Consórcio dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. 

Esse tipo de alerta é antigo dos Consórcios de Bacias, que se preocupam principalmente com a falta de água para consumo. Falta, aliás, que faz o racionamento não ser nenhuma novidade para os moradores da Região Metropolitana de São Paulo.

Fonte: Estadão