Água dos rios é assunto de
soberania nacional, diz Ministério do Meio Ambiente
Brasília, 21 de março de 2.007 - O fato de o Brasil deter 13% da água doce do
planeta é motivo de preocupação para o governo, não no sentido da abundância,
mas quanto à soberania nacional em relação aos recursos hídricos, revelou hoje
(21) o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (MMA),
Marley Caetano de Mendonça. Essa preocupação, segundo o secretário, tem levado o
Estado brasileiro a se “proteger”, ao não considerar como águas internacionais
os rios compartilhados com os países vizinhos.
“Esse é um tema central de discussão no âmbito do governo. Temos tido o cuidado
de garantir a soberania sobre as águas subterrâneas e de nossos rios. É uma
questão de estratégia de estado não considerar recursos hídricos compartilhados
como águas internacionais”, informou o secretário, depois de encontro, em
Brasília, com representantes do governo e da sociedade civil, que discutiu o
Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).
Segundo Mendonça, o governo precisa tomar esse “cuidado” pois qualquer erro pode
interferir no desenvolvimento do Brasil. “Com esse cuidado, pautamos os tratados
específicos com os vizinhos, evitando que futuramente haja interferência
internacional na gestão de nossas águas”, frisou. Mendonça ressaltou, ainda, que
essa preocupação marca os tratados sobre recursos hídricos com os países da
região amazônica.
O secretário do MMA disse que no momento não há nenhum tipo de problema
referente ao compartilhamento de águas com os vizinhos, “nem para o futuro”. E
que não existem preocupações com as duas bacias hidrográficas internacionais
brasileiras: a Amazônica, cujas nascentes de alguns rios estão localizadas nos
países fronteiriços, e a do Rio Paraná, quando o processo se dá de maneira
inversa - o Brasil é “fornecedor” de água.
Fonte: José Carlos Mattedi,
Repórter da Agência Brasil
