Desenvolvimento sustentável, Justiça Ambiental, Diversidade Cultural,
Qualidade de Vida e Ecologia Humana

Artigo de José Luiz de França Penna, Presidente Nacional do PV Brasil
presidencia@pv.org.br


Desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento sustentável é aquele que é viável economicamente, justo socialmente e correto ambientalmente, levando em consideração não só as nossas necessidades atuais, mas também as das gerações futuras, tanto nas comunidades em que vivemos quanto no planeta como um todo.

O desejado avanço econômico do país, a geração de trabalho e renda para um contingente cada vez maior de brasileiros e a almejada eliminação da miséria só serão consistentes e duradouros se adotarmos um modelo de crescimento que associe as perspectivas social e ambiental. O investimento massivo na recuperação e conservação ambiental, a adoção de tecnologias limpas, o estabelecimento de mecanismos financeiros de estímulo à proteção ambiental e o combate à exclusão social são alguns dos passos a serem dados na direção desse novo modelo de desenvolvimento. O uso racional de recursos naturais também deve ser contemplado nas nossas políticas públicas.

Uma parte considerável de toda eletricidade gerada no país é perdida antes mesmo de chegar às nossas casas, lojas e fábricas devido a turbinas obsoletas e linhas de transmissão antiquadas. Máquinas industriais e eletrodomésticos ainda consomem mais energia do que seria preciso. Um único chuveiro elétrico consome o equivalente a 270 lâmpadas compactas de 20 watts, suficientes para iluminar a sala de estar de 270 casas de brasileiros. Perpetuamos uma cultura perdulária quando mantemos lâmpadas acesas em cômodos vazios, tomamos banhos demorados e deixamos a torneira aberta enquanto escovamos os dentes. Todos os dias, uma imensa quantidade de lixo é gerada através do descarte de embalagens supérfluas e do desperdício de alimentos.

O Brasil é campeão mundial na produção de entulho devido ao desperdício de materiais de construção nas nossas obras. A água é outro recurso natural “mal-tratado”. De toda a água existente no mundo, 97% está nos oceanos. Dos 3% de água doce restantes, quase ¾ estão em forma de geleiras. Assim, resta muito pouca água doce para atender às necessidades humanas, de matar a sede das populações até irrigar plantações e abastecer indústrias.

Justiça Climática

A Humanidade enfrenta um dos principais desafios de toda a sua história: a mudança do clima do planeta.

Os países industrializados têm provocado essas alterações no clima da Terra através da poluição do ar que vem da queima de combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão mineral. No Brasil, no entanto, a emissão dos gases poluentes que causam o chamado “efeito estufa” vem, principalmente, da derrubada de florestas e das queimadas que ocorrem na agricultura. Outra causa da modificação do clima do mundo é o metano que provém do apodrecimento das árvores que foram submersas durante a construção de hidrelétricas como a de Tucuruí. O metano é 21 vezes pior para as mudanças do clima do que o gás carbônico. Por incrível que pareça, os milhões de cabeças de gado do rebanho brasileiro, durante a digestão do capim, produzem enormes quantidades de metano também, piorando ainda mais o problema.

A principal conseqüência dessas mudanças na atmosfera é a denominada “injustiça climática”. Os maiores prejudicados são (e serão cada vez mais) aqueles que menos condições têm para se defender das inundações (porque moram em áreas alagáveis), das perdas de safra (porque não dispõem dos seguros agrícolas dos grandes agricultores), das doenças tropicais que avançarão para áreas temperadas (porque não contam com boa assistência médica) e assim por diante. As mudanças climáticas estão afetando diretamente a disponibilidade de água doce e a biodiversidade do planeta.

A perda de espécies vegetais e animais, causada poluição, pela sua exploração exagerada e pela invasão de habitats por outras espécies, tem também sido agravada pela variação das temperaturas, chuvas e ventos. A diversidade biológica brasileira representa um vasto tesouro ainda a ser descoberto, podendo tornar-se uma fonte expressiva de divisas para o país e uma alternativa de desenvolvimento para regiões remotas e comunidades isoladas.

Diversidade cultural

Assim como a biodiversidade é uma das maiores riquezas deste país, a multiplicidade cultural é outro fator que merece consideração.

A mistura dos saberes dos nativos indígenas com os dos povos que para cá imigraram livremente ou para cá foram trazidos à força produziu resultados valiosos nas artes, na culinária, na língua, na ciência e no modo de ser dos brasileiros. Essa miscigenação de diferentes culturas, se não eliminou completamente o preconceito, facilitou a convivência pacífica de gêneros, raças, credos, orientações sexuais, graus de escolaridade e niveis socio-econômicos. No entanto, há muito que avançarmos na construção da chamada “cultura da paz”. A intolerância é uma das raízes da violência. A discriminação de pessoas ou grupos pelas diferenças culturais, físicas, intelectuais, sociais ou econômicas que apresentam abre feridas profundas.

Qualidade de vida e ecologia humana

O Planeta Terra esta doente e o Ser Humano também!!!! O corpo humano é como o planeta terra, seus ossos são como as montanhas, a medula óssea como os minerais, o abdome como o oceano, os intestinos como rios, suas veias como riachos, sua carne como a terra, seus cabelos como as plantas, a respiração como os ventos, a fala como um trovão, seus gritos como iluminação, suas risadas como a luz do dia, seu choro como a chuva, seu desespero e sua tristeza como a escuridão da noite, seu sono como a morte, sua vigília como a vida, os dias de sua infância como os dias da primavera, os dias de sua juventude como os dias do verão, os dias de sua maturidade como os dias do outono, os dias de sua velhice como os dias do inverno.

O Ser Humano necessita resgatar uma antiga/nova visão de si, da natureza e de sua própria relação com ela para poder sobreviver, inclusive fisicamente. Sendo o homem potencialmente o agente consciente e transformador do ambiente em que vive, - neste mundo moderno, materialista (cultuador da ciência, da maquina e do progresso) e industrialista em degeneração - é necessária uma atitude simples e responsável para consigo mesmo, no sentido de se conhecer o Ser Humano como integrante de um Cosmos Universal.

Segundo o IBGE, 87% da nossa população concentra-se em áreas urbanas. Isto gera uma demanda crescente por serviços e infra-estrutura, a maior parte das nossas medias e grandes cidades não tem nenhuma qualidade de vida. Problemas como os verdadeiros esgotos a céu aberto em que se transformaram os nossos rios, a poluição visual e sonora, a falta de áreas verdes e a mistura de poluentes do nosso ar sempre foram criticados e facilmente associados ao “progresso, a maquina e ao lucro a qualquer custo”.

Hoje, a falta de moradias, a precariedade do transporte coletivo, o péssimo atendimento na rede de saúde e a degeneração do ensino público já são vistas como resultado do modelo de desenvolvimento baseado na idéia de progresso e da industrialização equivocada que tem sido adotado até hoje. Mais ainda, o estresse e a violência também podem ser considerados resultados dessa visão distorcida do que é desenvolvimento, qualidade de vida e necessidades básicas e fundamentais do ser humano.

A criminalidade, a degradação ambiental e a falta de opções de lazer têm feito com que, nas nossas horas de folga, nos tranquemos atrás das grades de nossas moradias e deixemos de nos preocupar com o que acontece nas nossas ruas, vizinhanças, cidades e país. Ecologia Humana é o homem curar a si mesmo, para curar o ambiente e a natureza. Curar significa equilíbrio, responsabilidade para consigo mesmo, harmonia e consciência da sua função na sociedade e no cosmos, em sintonia com os ensinamentos universais da humanidade. Equilíbrio significa também adotar um planejamento familiar responsável.

Para isto é necessária a busca da simplicidade da vida, ou seja, educação apropriada, alimentação equilibrada e saudável; informação adequada e seletiva; moradia confortável e viva; promoção de saúde consciente e prevenção da doença; contemplação da natureza; beleza e alegria de viver numa relação harmônica, inteligente, pacifica e compassiva de ser humano para com ser humano. Ética Às vezes, temos a sensação de que está tudo errado, tudo perdido, de que não adianta reclamarmos e de que não há solução à vista. Em outras ocasiões, somos levados a pensar que o mundo é mesmo dos “espertalhões”, que nossas vidas são dominadas por facções criminosas, que Governo e Congresso Nacional são constituídos apenas por “mensaleiros” e “sanguessugas” e que todo brasileiro tem por lema o tristemente famoso “levar vantagem em tudo”.

Escândalos na política, assassinatos ordenados de dentro de presídios, decisões judiciais aviltantes, filhos matando os pais para se apoderarem de heranças, guerras motivadas pela posse do petróleo... e a nossa esperança nos destinos da Humanidade vai se diluindo e escoando por ralo abaixo. Embora muitas vezes pareçamos derrotistas, pessimistas ou catastrofistas, é exatamente a crença na capacidade inteligente do ser humano de superar obstáculos que nos motiva a lutar para mudar o quadro caótico que - às vezes - parece se formar.

Como consumidores, devemos nos certificar da origem dos produtos que adquirimos, evitando “alimentarmos” o roubo de cargas de caminhões, o desmanche de automóveis, o contrabando, a pirataria e a lavagem de dinheiro do tráfico de armas e drogas. Cada vez que compramos madeira de origem não-identificada, fazemos com que mais e mais árvores sejam derrubadas na Amazônia. O fechamento de postos de trabalho com carteira assinada e a sonegação de impostos também têm a ver com o que compramos e de quem compramos.

Como cidadãos, devemos resistir ao suborno de guardas de trânsito e fiscais. Esperto não é quem “fura” a fila ou fica quieto quando recebe o troco a mais, nem é o sujeito que sempre acha um jeitinho de não cumprir a lei, nem aquele que comete “pequenos deslizes” só porque não tem ninguém vendo. Como eleitores, devemos exigir reformas profundas no nosso sistema político-eleitoral, no sistema penal e no Poder Judiciário.

Podemos garantir a priorização da implantação de parques e reservas, o fortalecimento do combate à poluição e ao desmatamento, a ampliação do uso de fontes renováveis e limpas de energia e o estabelecimento de medidas de proteção dos recursos naturais. É no Congresso Nacional que é travada boa parte das batalhas em defesa do meio ambiente. Lá são formuladas políticas públicas e avaliados os projetos a serem implantados pelo Governo Federal. A sustentabilidade do nosso desenvolvimento econômico, o combate às injustiças sociais, a proteção da nossa diversidade biológica e cultural e a melhoria da qualidade de vida passam por rediscutirmos nossos valores morais. Propomos um novo jeito de fazer política na nossa sociedade. Queremos, acima de tudo, uma nova ética.