Em
Buenos Aires, ambientalistas protestam contra construção de fábricas de celulose
Brasília, janeiro de 2.008 - Ambientalistas do estado
argentino de Entre Ríos distribuíram em 15, folhetos sobre “a poluição das
fábricas de celulose do Uruguai” a turistas que embarcavam com destino a
Montevidéu, partindo do terminal de Boquebús, em Puerto Madero, na capital da
Argentina, Buenos Aires.
“O protesto é tranqüilo já que, depois de pequenos incidentes, deixaram entrar
no terminal 40 manifestantes de diversos grupos depois do meio-dia [horário
local]”, disse o porta-voz da Assembléia Ambientalista da cidade de Gualeguaychú,
José Pouler.
De acordo com informações da Agencia Telam, também participaram da manifestação
integrantes das Assembléias do Povo da Capital Federal, Córdoba e Catamarca,
trabalhadores do cassino flutuante em conflito por causa de demissões, uma
militante do Movimento dos Sem Terra (MST) do Brasil, grupos estudantis e
partidos de esquerda.
Apesar de um acordo prévio sobre a forma de protesto, membros da prefeitura
naval impediram inicialmente a entrada dos manifestantes e “houve pequenos
incidentes, que não passaram de empurrões, mas logo autorizaram a passagem de 40
[manifestantes]”, disse Pouler.
O folheto distribuído destacava, em um mapa, a localização de três fábricas de
celulose no Uruguai: a finlandesa Botnia, que funciona na cidade uruguaia de
Fray Bentos, em frente a Gualeguaychú, e as projetadas Ence, espanhola, e Stora
Enzo, finlandesa.
“O plano mostra que, por causa de sua localização, o efeito combinado [sobre
o meio ambiente] das três fábricas abarcará um raio de 100 quilômetros em
volta, em áreas do Uruguai e da Argentina, com mais de 20 milhões de
habitantes”, assegurou Pouler. As três fábricas foram projetadas para serem
construídas à margem do rio Uruguai, que faz a divisa entre os dois países.
O porta-voz da Assembléia de Gualeguaychú sublinhou que “a luta continua porque
a controvérsia não terminou” e pediu uma “solução política” aos governos dos
presidentes Tabaré Vázquez, do Uruguai, e Cristina Kirchner, da Argentina.
O protesto em Puerto Madero foi apoiado pelos ambientalistas da cidade argentina
de Colón com bloqueios na ponte Artigas, que une a cidade com a vizinha uruguaia
Paysandú. Enquanto isso, em Gualeguaychú
continua o bloqueio da fronteira por tempo indeterminado.
A ponte de Salto Grande, que une as cidades de Concordia, na Argentina, e Salto,
no Uruguai, permaneceu aberta.
Fonte:
Ana Luiza Zenker, Repórter da Agência Brasil