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O buraco de ozônio em
2006
O buraco de ozônio em 2006 bateu novo recorde de tamanho este ano, alcançando a
dimensão de 29,5 milhões de km² de extensão, superando o maior tamanho até então
registrado, no ano de 2000, com 29,4 milhões de km².
A comunidade científica acreditava que a dimensão alcançada em 2000 era a máxima
que o buraco atingiria, que o quadro iria se estabilizar e uma lenta recuperação
teria inicio. Nos anos de 2003 e 2005, o buraco apresentou grande destruição de
ozônio e, com o tamanho, variou em torno deste máximo.
Para 2006 esperava-se uma atividade moderada, com um novo aumento em 2007, no
mesmo padrão dos anos de 2003 e 2005.
Este novo recorde mostra aos cientistas que a quantidade de gás presente na alta
atmosfera ainda é muito grande, e ainda vai durar várias dezenas de anos ( por
ex., o cloro fica ativo na atmosfera durante 100 anos). Este gás presente hoje
na Antártica foi lançado na atmosfera há mais de 10 anos, e mesmo que a
sociedade tenha controlado a emissão dos CFCs, o efeito de destruição
permanecerá por muito tempo.
Estimava-se que a camada de ozônio iria se normalizar em torno de 2005, mas,
hoje, com base na atividade apresentada, novos cálculos estão sendo feitos, e a
nova previsão de recuperação será em torno de 2070. São estimativas teóricas e
que devem ser reavaliadas até o quadro se estabilizar.
A preocupação com a destruição da camada de ozônio está no fato de que ela é o
único protetor natural da Terra contra a radiação ultravioleta, nociva aos seres
vivos.
O Brasil tem medido a camada de ozônio e a radiação ultravioleta desde 1990,
através do Programa Antártico Brasileiro ( Proantar), onde o Laboratório de
Ozônio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) tem realizado
medidas contínuas em Punta Arenas e na Estação Antártica Brasileira Comandante
Ferraz.
Em 1995 foi medido pela primeira vez, por sondas em balão e por instrumento de
solo, a destruição da camada de ozônio sobre a cidade de Punta Arenas, sul do
Chile. Estes dados foram muito importantes pois alertaram a população que o
buraco de ozônio estava maior do que a Antártica, já atingindo o sul do
continente americano e, também, porque neste ano o satélite da Nasa não estava
operando.
Em 2005, nossas medidas mostraram um novo alerta para o sul do continente
americano. O buraco de ozônio, embora com 27,5 milhões de km², permaneceu
durante vários dias sobre o sul do continente americano, produzindo efeitos
sobre a camada de ozônio no sul do Brasil.
Agora em 2006, a medição realizada pelo Inpe mostra uma
destruição de 60% da camada de ozônio sobre a região, nos meses de setembro e
inicio de outubro, tão intensa quanto em 2003 e 2005. Espera-se que a camada
volte ao normal apenas no inicio de novembro.
Quanto à radiação ultravioleta neste ano, os índices UV, em Ferraz, aumentaram
400% em setembro e outubro, mesmo considerando o tempo encoberto e com nuvens.
Algumas perguntas novas
estão surgindo:
Com o ozônio sendo destruído ainda por muitos anos, o que acontecerá com a
temperatura na alta atmosfera? A ausência de ozônio faz a temperatura nesta
região diminuir. Já o efeito estufa, que é um outro fenômeno produzido por
outros gases poluentes, faz com que a temperatura da superfície da Terra
aumente, o que vai acontecer entre estes dois efeitos, eles mudarão a circulação
da atmosfera? O que vai acontecer com a química dos outros gases? Como está
sendo o impacto da radiação ultravioleta na vegetação, no oceano, nos
microorganismos?
No ser humano, por exemplo, já está sendo registrado um aumento de câncer de
pele.Portanto, ainda teremos que conviver com esta destruição por muitos anos, e
os cuidados com a radiação ultravioleta e a observação de como a camada de
ozônio varia de ano para ano deverão continuar.
Fonte: MCT

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