Entidades criticam possível venda de automóveis movidos a diesel

 

 

 

 

Brasília, 12 de setembro de 2.009 - A liberação de carros movidos a diesel seria um retrocesso e colocaria em risco a saúde de milhares de pessoas por causa do aumento dos níveis de poluição, de acordo com ambientalistas e representantes da sociedade civil.

Proibidos desde o fim da década de 1970, os automóveis de passeio a diesel poderão voltar a ser comercializados no Brasil, de acordo com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

“Se essa idéia vingar, vai ser um crime. Morrem quase 2 mil pessoas por ano somente na cidade de São Paulo por causa da poluição. O diesel brasileiro é um dos piores [mais poluentes] do mundo. Vai ser um homicídio em massa”, afirmou Oded Grajew, um dos criadores do Movimento Nossa São Paulo, rede com mais de 600 entidades da sociedade civil.

Segundo Grajew, com os atuais motores e o diesel atualmente utilizado no Brasil – que chega a ter 1.800 partes por milhão (ppm) de enxofre – a medida seria uma catástrofe, porque o combustível é muito mais poluente que a gasolina e o etanol.

“Não somos contra o carro a diesel como conceito, mas contra o carro a diesel com a tecnologia de motores e combustíveis que existe hoje no Brasil”, avalia. Na Europa, onde a frota a diesel corresponde a cerca de metade do mercado, a concentração de enxofre no combustível é de 10 ppm e os motores têm tecnologias para reduzir emissões.

Os ambientalistas também são contrários à medida. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a idéia “não é especialmente brilhante” e que defende combustíveis menos poluentes, como o etanol.
O ministro defendeu a ampliação do uso de etanol e outros biocombustíveis. “Sou a favor de combustíveis que emitam menos [gases poluentes e de efeito estufa]”, disse.

A venda e a fabricação de automóveis de passeio movidos a diesel é proibida no Brasil desde o fim da década de 1970. Atualmente, apenas caminhões, ônibus, caminhonetes, jipe a outros veículos comerciais podem ser abastecidos com o combustível.

Na próxima terça-feira (15), segundo Minc, o governo vai lançar um novo programa de etiquetagem ambiental para veículos, com um sistema de notas que vai classificar os modelos em relação à emissão de poluentes e de dióxido de carbono – gás do efeito estufa.

De acordo com coordenador da campanha de clima do Greenpeace Brasil, João Talocchi, a possibilidade de voltar a comercializar veículos a diesel vai na contramão dos esforços mundiais para redução das emissões de poluentes e de gases de efeito estufa.

“É uma volta ao passado. Ao invés de apoiar essa tecnologia antiquada, esse dinheiro poderia ser investido em tecnologia para carros elétricos, motores híbridos”, sugere.
Talocchi acredita que a motivação para medida é econômica, principalmente diante da perspectiva de aumento da produção brasileira de petróleo com a exploração da camada pré-sal.

“O Brasil quer saber o que fazer com todo esse óleo, como usará o ouro negro que pretende extrair da camada pré-sal”, avalia.

Fonte: Luana Lourenço, Repórter da Agência Brasil