Povo Kaiowá manda carta de agradecimento a Lula pela
demarcação de Nhanderu Marangatu
Brasília, 02-04-05 - Lideranças guarani-kaiowá reunidas na Conferência Indígena
Regional que termina hoje em Dourados (MS) divulgaram agora há pouco uma carta
que mandarão para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em agradecimento pela
homologação da terra indígena Nhanderu Marangatu, em Antônio João (450 km a
sudoeste de Campo Grande). O decreto presidencial que garante a posse da terra
foi publicado na terça-feira e impediu a execução de uma ordem de despejo que
deveria ser cumprida a partir de hoje pela Polícia Federal.
"Nossos parentes que já têm suas terras homologadas sabem a felicidade que
estamos sentindo, tendo em vista que agora temos terras para plantar e dar
sustentabilidade aos nossos filhos", afirma o documento. O texto também lamenta
que ainda não tenha sido homologada para os índios terena a terra indígena
Buriti, no municipio de Sidrolândia e pede providências urgentes para garantir a
retirada dos fazendeiros que hoje ocupam Marangatu.
Nhanderu Marangatu tem 9,3 mil hectares. Atualmente, pouco mais de 500 índios
guarani-kaiowá ocupam cerca de 100 hectares da área. A expectativa dos
antropólogos da Fundação Nacional do Índio é que, com a garantia da posse, mais
índios sigam para a região, já que os guarani-kaiowá se organizam
territorialmente por meio dos laços de parentescos entre famílias extensas. A
população da área pode aumentar em pouco tempo quando os familiares dos índios
que estão lá começarem a se deixar algumas das reservas superpopulosas da
região. Em Dourados, por exemplo, que fica a 180 km de Nhanderu Marangatu, 11
mil índios vivem em 3,5 mil hectares. Hoje, existem, ao todo, 37 mil índios
guarani-kaiowá ocupando pouco mais de 40 mil hectares em todo o sul de Mato
Grosso do Sul.
Leia a seguir a íntegra da carta.
"Exmo. Sr. Presidente Lula,
Dia 29 de março de 2005, ficamos sabendo que nossa terra Nhanderu Marangatu foi
homologada pelo Presidente Lula.
Somos Guarani-Kaiowá e sabemos que esta vitória não e só nossa, que moramos
em Marangatu, mas de todos nossos parentes que já tem seus TEKOHA, homologados
ou não.
Estamos alegres e felizes por sabermos que nossos filhos, nossos netos e nossa
futura geração têm o seu lugar garantido.
Nossos parentes que já têm suas terras homologadas sabem a felicidade que
estamos sentindo, tendo em vista que agora temos terras para plantar e dar
sustentabilidade aos nossos filhos.
Desta forma queremos agradecer as todas as autoridades que direta ou
indiretamente, nos apoiávamos nessa caminhada que durou sete anos.
Também nos Guarani Kaiowa, lamentamos muito pela terra que não foi homologada no
municipio de Sidrôlandia /MS, que é o TEKOHA (Buriti) dos nossos irmãos Terena.
Mesmo com a terra homologada, continuamos pedindo apoio às autoridades, órgãos
federais responsáveis pela indenização dos fazendeiros e aos companheiros e
amigos que têm nos apoiado e acompanhado a nossa luta pela terra.
O que nós e a comunidade pedimos agora é a retirada dos fazendeiros o mais
rápido possível.
Obrigado!
Povo Kaiowá"
Fonte: Spensy
Pimentel
Repórter da Agência Brasil