Indústria da celulose é ameaça na Amazônia

Rio de Janeiro, 2.004 - Grupos estrangeiros estão comprando vastas extensões de terra em Roraima e no Amapá para plantar espécies que são a matéria-prima da indústria da celulose. O negócio milionário vem sendo bombardeado por ambientalistas que acusam os donos dos megaprojetos de pôr em risco o equilíbrio ecológico da Amazônia.

Em Roraima, o empresário suíço Walter Vogel já é o maior latifundiário do estado: comprou cerca de 30 mil hectares pertencentes a pequenos produtores e plantou a Acácia mangium, espécie importada do sudoeste da Ásia e da Austrália que prejudica os lençóis freáticos por absorver quantidade excessiva de água do solo.


Apesar dos protestos, suíço continua comprando terras

Apesar das críticas de especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da objeção do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e de ONGs locais, Vogel continua comprando propriedades e plantando acácias. Seu objetivo é abastecer a BrancoCel, fábrica de polpa de celulose de capital suíço e alemão que começará a ser instalada na periferia da capital, Boa Vista, até o fim do ano. O empreendimento foi aprovado pelo Conselho de Meio Ambiente de Roraima mesmo tendo sido constatado que as acácias provocam desequilíbrio nas 33 espécies nativas da savana, a vegetação típica do estado.

O projeto é uma incógnita. Não há estudos dizendo qual será a perda de água nas regiões de savana. Faltaram esclarecimentos e o governo do estado passou um rolo compressor no conselho. Estão alijando agricultores e índios do processo — denunciou o pesquisador Reinaldo Ambrósio, do Inpa.

No Amapá, a empresa americana Champion, do grupo Internacional Paper, foi denunciada pelo Ministério Público sob acusação de comprar terras públicas griladas e de expulsar posseiros e pequenos agricultores familiares de suas terras. A empresa, que chegou a possuir 450 mil hectares de terra no estado para plantar eucaliptos, não conseguiu comprovar a legalidade de boa
parte de suas propriedades e acabou tendo de devolver terras e pagar indenizações aos posseiros, numa guerra que envolve o governo estadual e está longe de terminar.

A instalação da BrancoCel tem as bênçãos do governador Flamarion Portela (PT). Ele manteve o acordo pelo qual o governo estadual subsidiará a energia elétrica consumida pela empresa. Como a BrancoCel vai gastar mais energia do que todos os moradores de Boa Vista juntos, o estado deverá gastar cerca de R$ 3 milhões por ano em subsídio, sem contar os demais incentivos fiscais.


Governo estadual diz que empresa criará empregos

O governo de Roraima, porém, argumenta, que a Ouro Verde, empresa de Vogel, e a BrancoCel vão criar 6 mil empregos diretos no estado e incrementar a economia local. Está previsto um investimento de R$ 300 milhões na fábrica e um faturamento de US$ 120 milhões/ano com a exportação de 260 mil toneladas de polpa de celulose por ano.

A BrancoCel é nossa última esperança de desenvolver o estado. Na dúvida, temos de dar o primeiro passo rumo ao desenvolvimento. Os indígenas é que estão nos sufocando — disse Robério Araújo, presidente da Fundação de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, que deu a licença de instalação para a empresa suíça.

Fonte: Secretaria de Comunicação do Partido Verde