Inventário de Resíduos
2007 mostra que maior parte do lixo no Estado de São Paulo está com destino
adequado
Novo Inventário
Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares está disponível no site da CETESB
São Paulo, 26 de junho de 2.008 - São Paulo tem nove
municípios que produzem juntos cerca de 17 mil toneladas/dia, ou 60,3% de todo o
resíduo domiciliar gerado no Estado. Em comum, são todas cidades com mais de 500
mil habitantes e seus aterros têm Índice de Qualidade de Resíduos (IQR) com nota
média 8,8, em uma escala que varia de 0 a 10, o que os classifica como aterros
Adequados. Na outra ponta, encontram-se 570 municípios com até 100 mil
habitantes e uma produção de resíduos da ordem 3.700 t/dia – 12.8% do total – e
IQR médio de 7,4, que corresponde a aterros Controlados.
No meio, temos 38 municípios com população variando entre 100.001 e 200 mil,
produzindo 2.560,6 t/dia, 9% do Estado e IQR médio de 7,7, o que também
corresponde a aterros Controlados. Os 28 municípios que complementam os 645 do
Estado e com população variando entre 200.001 e 500 mil, produzindo 5.106,6
t/dia, 17,9% dos resíduos estaduais, têm IQR médio de 8,6, inserindo-se na
categoria de Adequados. A soma dos IQRs dos três índices resulta em uma média
geral de 7,5, em 2007.
Os dados constam do Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares 2007,
que a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB, órgão da
Secretaria do Meio Ambiente do Estado, apresenta anualmente desde 1997,
mostrando os resultados do trabalho de monitoramento dos sistemas de operação de
resíduos em cada município paulista, bem como a eficácia de programas e
políticas públicas do setor.
O relatório demonstra que a maioria dos 37 municípios que geram 78,2% de todos
os resíduos domiciliares do Estado estão destinando corretamente seu lixo,
enquanto 608 cidades com menor produção, cerca de 20% do total, estão, em sua
maioria, Controlados, o que significa um meio termo entre Adequado - o ideal
para garantir qualidade de vida e saúde para suas populações - e Inadequado, com
IQR entre 0 e 6, indicador de risco para a qualidade ambiental do solo e das
águas.
Veja
o relatório na íntegra no endereço
http://www.ecolnews.com.br/rsdomiciliares_2007.zip
Projeto Estratégico Lixo Mínimo
Os números do novo inventário, quando comparados com os resultados do Inventário
de 2006, permite ver pequenas variações na situação atual. Em 2007, 137 cidades
registraram IQR Inadequado contra 143 do ano anterior. Os Controlados (nota 6,1
a 8) são 201, sete a mais do que em 2006, e os Adequados são 307 em 2007 e 308
um ano antes. A percepção de que o número de aterros que deixaram a condição de
Inadequado era pequeno levou o secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, a
determinar em novembro que novas estratégias fossem adotadas para mudar o quadro
apresentado no relatório 2007.
Assim, em novembro passado, foi assinada a Resolução SMA 50, que instituiu o
Projeto Ambiental Estratégico Lixo Mínimo, com o objetivo de eliminar os lixões
até 2010. Os dados colhidos para 2007 indicavam, naquela ocasião, que dos 143
municípios com aterros classificados como Inadequados, em 2006, 29 apresentavam
situação crítica quando da edição da Resolução SMA 50. Destes 29, hoje onze
estão classificados como adequados, três como controlados e 15 continuam como
inadequados, sujeitos a penalidades e a interdições, caso não promovam as
correções determinadas pela CETESB.
As prefeituras com aterros enquadrados como críticos foram informadas e tiveram
prazo para melhorar a situação de seus depósitos. Passado o prazo, se constatou
uma melhora em alguns, enquanto outros, recalcitrantes em não seguir as
orientações técnicas da CETESB, foram interditados, a exemplo de Mongaguá,
Itanhaém, Araras e Itapecerica da Serra, que hoje depositam seus resíduos em
aterros licenciados em outros municípios, o que lhes permitiu a mudança de
classificação para adequado.
Com os dados do Inventário 2007 tabulados, um novo levantamento foi realizado
nos aterros classificados como Inadequados, constatando-se uma melhora
significativa nas operações, após seis meses do início do Projeto Lixo Mínimo,
em novembro passado. Dos 137 municípios com nota inferior a 6, 18 buscaram
soluções como o envio dos resíduos para aterros públicos ou privados com
operação adequada, o que elevou suas notas. Outros 41, seguindo as orientações
técnicas da CETESB, melhoraram suas notas com medidas saneadoras e de operação
com princípios de engenharia, como a coleta do chorume, drenagem e a eliminação
de catadores.
Os 78 inadequados restantes, em 2007, têm prazo para adotar soluções que
resolvam ou reduzam os riscos ambientais. Vencidos os prazos e não melhorada a
classificação, novas interdições serão realizadas. Resumindo, com este novo
levantamento, em 2008, mais de 40% dos municípios classificados como
inadequados, no relatório do IQR de 2007, melhoraram sua operação e sua posição
neste índice.
Políticas públicas
Quando foi realizado pela primeira vez, em 1997, o Inventário Estadual dos
Resíduos Sólidos apresentou um quadro negativo da destinação do lixo. O IQR
médio naquele ano foi de 4,3. Desde então, há uma evolução gradual que permitiu
se chegar a 2007 com IQR médio de 7,5. Para se atingir esse estágio, foram
adotadas políticas públicas para auxiliar e assessorar os municípios com menor
poder de investimento.
Entre elas, duas fazem parte dos 21 Projetos Ambientais Estratégicos do Governo
do Estado. O Projeto Lixo Mínimo se constitui no programa para orientar a gestão
dos resíduos domiciliares e fomentar a reciclagem e minimização do volume do
lixo. O outro projeto, do Município Verde, tem a missão de estimular a
participação municipal na política ambiental, por meio da adesão ao Protocolo
Verde - Gestão Ambiental Compartilhada, com a certificação do município
ambientalmente correto, o que lhes proporciona prioridade no acesso aos recursos
públicos.
Há também o Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FEHIDRO e o Fundo Estadual de
Prevenção e Controle da Poluição – FECOP, que juntos disponibilizaram R$ 111,15
milhões para projetos e aquisição de equipamentos empregados na melhoria dos
aterros sanitários.
Como se calcula o índice
O Índice de Qualidade de Resíduos (IQR) é calculado a partir da aplicação de um
questionário padronizado, subdividido em três partes que analisam a situação
locacional, estrutural e operacional, e preenchido em inspeções técnica da
CETESB em cada um dos 645 municípios do Estado. As características do local
somam até 40 pontos, enquanto a infra-estrutura implantada e as condições de
operação têm contagem máxima de 45 pontos.
Os três sub-itens juntos representam 130 pontos, que dá a nota máxima ao IQR 10.
Se a pontuação ficar entre 0 e 6, o aterro é considerado Inadequado. De 6,1 até
8, é considerado Controlado, e acima de 8,1, aterro adequado, o que significa
que atende padrões de engenharia, como em qualquer outro empreendimento
produtivo.
Bacias com melhores e piores
índices
Os municípios de São Paulo foram separados pelas 22 Unidades de Gerenciamento de
Recursos Hídricos (UGRHIs). A Mantiqueira, URGHI 1, é também a única no Estado
com 100% de municípios Adequados. Privilegiada, tem apenas os municípios de
Campos do Jordão, Santo Antonio do Pinhal e São Bento do Sapucaí, todos
exportadores de resíduos domiciliares para aterros sanitários licenciados. Isso
permite que apresentem IQR variando de 9,7 a 10.
No extremo oposto, está a URGHI 11 – Ribeira de Iguape/Litoral Sul, onde 80,6%
dos municípios são classificados como Inadequados. Esta UGRHI terá uma atenção
especial do Projeto Lixo Mínimo. A Baixada Santista – UGRHI 7 – aparece no
Inventário 2007 com 7,4% de resíduos destinados a aterros classificados como
Inadequado e teve sua situação melhorada com as medidas implementadas pelo
Projeto Lixo Mínimo. Os dois dos nove municípios passaram a enviar seus resíduos
para aterros licenciados, o que aumentou o índice de Adequado, de 89,7% para
97,1%.
Fonte:
CETESB (SP)
