Cidadania Ecológica

Pastor Bertholdo Weber*

A participação e o exercício da cidadania, com empenho e responsabilidade, são fundamentais na construção de uma nova sociedade, mais justa e em harmonia com o ambiente. Para isto, é urgente descobrir novas formas de organizar as relações entre sociedade e natureza, e também um novo estilo de vida que respeite todas as criaturas que, segundo São Francisco de Assis, são nossas irmãs. Queremos contribuir para melhorar a qualidade de vida através da construção de um ambiente saudável, que possa ser desfrutado por nossa geração e também pelas futuras. Vivemos hoje sob a hegemonia de um modelo de desenvolvimento baseado em relações econômicas que privilegiam o mercado, que usa a natureza e os seres humanos como recursos e fonte de renda. Contra este modelo injusto e excludente afirmamos que todos os seres, animados ou inanimados, possuem um valor existencial intrínseco que transcende valores utilitários.

Por isso, a todos deve ser garantida a vida, a preservação e a continuidade. Já chega deste antropocentrismo exacerbado. O ser humano tem a missão de administrar responsavelmente o ambiente natural, não dominá-lo e destruí-lo com sua sede insaciável de possuir e de consumir. Apesar do quadro ecológico ser extremamente inquietante, existem, graças a Deus, cada vez mais pessoas e entidades que têm a consciência de que uma mudança é necessária, e possível. Para tanto, algumas atitudes são essenciais:  Utilização mais racional e responsável dos recursos da natureza, que não são inesgotáveis; respeito à vida em todas as suas formas; reconstrução daquilo que foi destruído; medidas preventivas.

Há quem julgue que já chegamos a um nível tal de degradação que o retorno é praticamente impossível. Comprometidos com a proteção da vida na terra, reconhecemos o papel central da educação ambiental, do processo educativo permanente e transformador para uma sustentabilidade eqüitativa, baseada no respeito a todas as formas de vida. Por trás do drama ecológico e dos sinais inequívocos de destruição do ambiente, existe uma questão mais profunda, que é a  ética, o modo de ser, de posicionar-se e de relacionar-se, em todos os níveis. E como a deterioração do natureza aponta para uma deterioração das relações humanas, é compreensível que a mudança de postura ética passa pela justiça.

A crise ecológica revela uma crise ética em nossos dias, uma crise de valores, uma crise de relações humanas, e de convivência com as demais criaturas. Daí a importância da educação ambiental para a responsabilidade e o respeito à vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam  relações de interdependência e diversidade. A educação ambiental deve gerar, com urgência, mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, bem como harmonia entre os seres humanos.

A Terra está ferida. Em alguns sentidos, ela está quase ferida de morte. O mar, os rios e os lagos estão contaminados. O ar está poluído. O desmatamento cria novos desertos. Temos pouco tempo para agir, pouco tempo para salvar a Terra, antes que se torne um planeta onde a vida não conseguirá existir. Essa é uma tarefa de governos? Sim. Mas é também uma tarefa de cada um de nós. Você pode, e deve, fazer sua parte. Afinal, a Terra é nossa moradia, nossa casa comum. Nela vivemos e nela viverão nossos filhos. Não é justo entregar a eles um casa em ruínas. O futuro do planeta está em nossas mãos.

* Doutor Honoris Causa e membro do Conselho Diretor da Upan - União Protetora do Ambiente Natural (São Leopoldo, RS).