Contaminação de lençóis freáticos por chorume de cemitérios 

Rio de Janeiro, ano de 2.004 - Cemitérios assombram o Rio sem alma penada. A promotora Rosani da Cunha Gomes, da 2ª Promotoria de Justiça de Proteção aos Interesses Difusos e Direitos Coletivos, instaurou inquérito para apurar a poluição causada com o enterro de corpos. “Queremos saber se o lençol freático está contaminado e o que se pode fazer para recuperar o meio ambiente”, disse Rosani, também preocupada com o destino dos restos da exumação. 

A promotora se respalda em estudos sobre a decomposição de corpos – que leva dois anos e meio, em média. Como resultado, libera líquido, o necrochorume, composto de substâncias orgânicas. Duas delas altamente tóxicas: a putresina e a cadaverina. Reservatórios de água em pequena profundidade correm sério risco de contaminação. 

Cemitérios sem filtros para proteger o meio ambiente 

Já cobrados pela Feema, os cemitérios admitiram a inexistência de filtros biológicos e poços de amostragem. A promotora deu prazo até dia 20 para os cemitérios darem as informações requisitadas. 

O Ministério Público quer saber se há monitoramento de água, qual a profundidade do lençol freático e destino dos resíduos sólidos. “Marcaremos reunião com a Comissão Estadual de Controle Ambiental e a Feema para discutir e normatizar o funcionamento”, assinalou. 

Se os cemitérios não se adequarem, serão alvos de ação civil pública. Foram notificados: São João Batista, Caju, Memorial do Carmo, Irajá, Pechincha e Jardim da Saudade. Mas, segundo a promotora, a medida se aplica a outras unidades, como a de Ricardo de Albuquerque, sem muro nos fundos e com canal cortando a área.

O administrador Júlio César Vieira disse que a Comissão Municipal de Cemitérios já recomendou o manilhamento do canal. “Espero recursos para a obra”, explicou. A direção da Santa Casa de Misericórdia, controladora dos cemitérios, não foi localizada para prestar esclarecimentos.