COP19: Comunidades indígenas enumeram prioridades para políticas ambientais

14 de novembro de 2.013 - Juan Carlos Jintach e Arlen Ribeira Calderon, integrantes da COICA, formada por organizações indígenas de países da América Latina, deram um importante panorama da questão indígena relacionada ao meio ambiente durante a a COP19.

De acordo com eles, é fundamental que a discussão pela conservação ambiental, e especialmente em torno do mercado de créditos de carbono, leve em conta o papel dos povos indígenas, agentes essenciais na conservação do sistema ambiental. “É importante que vejamos a questão ambiental de forma abrangente, trabalhando pela continuidade das futuras gerações.

As comunidades internacionais não reconhecem a voz indígena, mas estamos diretamente envolvidos, geograficamente e socialmente, com as regiões onde existem projetos pilotos de crédito de carbono na Amazônia”, disse Juan Carlos Jintach.

De acordo com ele, é preciso levar em consideração questões como o desmatamento, a mineração indiscriminada e a situação social das comunidades originárias dessas regiões. “Existem territórios titulados para os índios que podem contribuir para a regulagem da temperatura do planeta. Temos, na América Latina, milhões de hectares próprios para isso, mas as prioridades das comunidades – heranças culturais e genéticas, relação com o equilíbrio ambiental – precisam ser ouvidas. Estamos falando de muito mais do que apenas carbono.”

Nesse sentido, os representantes de comunidades indígenas têm grandes expectativas em relação à COP20, que será realizada no próximo ano em Lima, no Peru. “Esperamos que uma COP realizada na América Latina nos traga a possibilidade de ampliar o foco em relação a isso. Governos de diversos países, como Peru e Equador, têm se reunido conosco para discutir propostas”, afirmou Calderon.

Segundo ele, um passo importante nesta discussão será dado durante a II Amazonian Summit, que acontecerá na Colômbia em dezembro próximo. “As comunidades indígenas não irão aceitar intervenções baseadas em lógicas verticais. Queremos um plano de desenvolvimento que envolva educação ambiental e capacitação para fazer parte do processo de forma decisória. Não existem cores diferentes; somos todos da cor da terra.”

* Juliana Winkel é repórter da Agência Jovem de Notícias, projeto encabeçado pela ONG Viração Educomunicação, que pretende levar propostas da juventude para serem contempladas pelos negociadores brasileiros durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP19).

Fonte: Agência Jovem de Notícias