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O custo do desmatamento é maior do que a crise financeira
Rio de Janeiro, novembro de 2.008 - Segundo o economista indiano Pavan Sukhdev, o custo do desmatamento atingiu 5 trilhões de dólares ao ano, um valor bastante superior ao injetado no sistema bancário mundial para paliar a crise financeira deflagrada por Wall Street. Esta afirmação se encontra no Relatório Sukhdev (The Economics of Ecosystems and Biodiversity), que Sukhdev apresentou em Bonn, em Maio, durante a Reunião da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP-9), ratificando a urgência de deter o ritmo do desmatamento, com conseqüências no desaparecimento das espécies e dos ecossistemas, e sugerindo 2010 como limite para lançar uma ação global em favor de mudanças radicais na política internacional sobre o uso dos recursos naturais. Essa análise foi retomada com muita ênfase no recém-encerrado Congresso da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) realizado em Barcelona neste mês. O Relatório Sukhdev, já está sendo comparado ao Relatório Stern sobre o impacto das mudanças climáticas na economia mundial. A equipe de Sukhdev, que trabalhou por encomenda do Deutsche Bank e da União Européia, encontrou uma fórmula para avaliar os danos e as perdas da biodiversidade das florestas de todo o mundo.
A fim de calcular exatamente o valor do desmatamento, o grupo adicionou os custos dos diversos serviços oferecidos pelas florestas, tais como absorção de dióxido de carbono, fornecimento de água nos seus diversos estados, pluviais e fluviais, além de prover alimento, fibras comestíveis e industriais, farmacopéia, combustível, energia, solo saudável e uma proteção natural contra as inundações. Esses bens públicos normalmente são negligenciados nos mais diversos empreendimentos que utilizam a floresta como fonte econômica, entre eles as hidrelétricas. Se uma floresta, como a da Amazônia, é devastada, fatalmente o mundo inteiro padecerá drásticas alterações nos seus ecossistemas particulares. Felizmente, alguns governos, principalmente os europeus, já entenderam que se deve assumir um compromisso político para salvar as florestas e para isso criaram um fundo específico. O Relatório apresenta uma análise preliminar dos custos da perda dos serviços da biodiversidade e dos ecossistemas florestais para o período 2000-2050; a estimativa é que o mundo perderá US$ 38,5 bilhões ao ano, simplesmente pelo desflorestamento e este valor aumentará a partir de 2050, quando mais de 8 milhões de km2 de áreas naturais (o tamanho do Brasil) terão sido convertidas para a agricultura e a pecuária, entre outras atividades. É importante destacar que atualmente esse patrimônio não está contabilizado no PIB dos países. As perdas do estoque natural são registradas não somente no ano da perda: os seus efeitos serão sentidos ao longo do tempo. Fazendo um exame mais aprofundado dos prejuízos, incluindo o valor da totalidade dos serviços oferecidos pelas florestas, o relatório de Pavan Sukhdev estima que o montante possa ficar entre 2 e 5 trilhões por ano. O estudo conclui que, quanto mais tempo passe sem que se tomem medidas para resolver o problema, mais caro custará resolvê-lo. Sukhdev, que é especialista em mercados globais do Deutsche Bank e membro de uma das maiores organizações ambientalistas do seu país, o Green Indian States Trust, escreveu na introdução do seu Relatório: “Trabalho no mercado de valores há 25 anos e os dois princípios que aprendi nesse tempo são: ‘os vírus da destruição se espalham em tempos de paz’ e ‘não se pode administrar aquilo que não sabemos mensurar’. Seja qual for o grau de dificuldade, se nós desejarmos realmente administrar a nossa segurança ecológica, devemos encontrar os meios de mensurar os ecossistemas e a biodiversidade, tanto do ponto de vista científico quanto do econômico”.
Como
corolário, o Relatório sugere ampliar a natureza do capital, somando o capital
humano, o capital social e o capital natural, para somente assim alcançar a
sustentabilidade. Editorial da Revista Eco21 de outubro de 2.008 - www.eco21.com.br
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