Poluição sonora: o mal invisível que assusta as
cidades e afeta a saúde de milhões de pessoas


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Relatório da ONU mostra degelo acelerado das neves eternas e das geleiras


São Paulo, abril de 2.008 - América Latina, Europa ou Ásia. Em todos os cantos do planeta as neves eternas e as geleiras estão desaparecendo, ameaçando aumentar os níveis de pobreza de milhões de pessoas e afetando diretamente o abastecimento de água. Segundo relatório das Nações Unidas publicado hoje, o derretimento da neve nas montanhas está ocorrendo em um ritmo acelerado - e nunca foi tão grave.

Na América do Sul, o desaparecimento de glaciais poderia acabar criando problemas ainda maiores de fornecimento de energia na região nas próximas décadas, já que muitas barragens hidroelétricas foram construídas em rios alimentados diretamente por glaciais.

Dados do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) indicam que, entre 2004 e 2006, os glaciais em 30 montanhas espalhadas pelo mundo derreteram em um ritmo nunca visto. Entre 2005 e 2006, a perda foi duas vezes superior às taxas verificadas entre 2004 e 2005.

Coletadas pela Universidade de Zurique, as novas informações são consideradas alarmantes. "Os dados revelaram uma tendência de perda de gelo acelerada e que não tem previsão para acabar", alertou Wilfreid Haeberli, diretor do serviço de coleta dos dados.

Em média, a perda de gelo nas montanhas foi equivalente a uma redução de 1,4 metro de água. Em 2005, a perda havia sido de meio metro. Entre 1980 e 1999, a média de redução anual foi de apenas 0,3 metro. Segundo os dados, portanto, a perda registrada em 2006 foi a maior já vista pelos pesquisadores. Até agora, o recorde foi identificado em 1998, quando as montanhas perderam, em média, 0,7 metro. Segundo Haeberli, a perda total desde 1980 já chega a 10,5 metros.

Para Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma, milhões de pessoas dependem diretamente desses reservatórios de água para ter o que beber, para a agricultura, indústria e energia. "Os governos precisam chegar a um consenso sobre um regime de adaptação da economia atual. Caso contrário, nosso espaço de manobra vai se derreter, assim como os glaciais", alertou Steiner.

Na Europa, algumas das geleiras mais famosas estão desaparecendo em um ritmo acelerado. Na Noruega, o glacial de Breidablikkbre perdeu 3,1 metros em um ano. Já na Áustria, o glacial de Grosser Goldbergkees perdeu 1,2 metro em 2006, contra 3 metros de redução de Ossoue, na França.

Nos Himalaias, a situação também é crítica. Alguns dos glaciais nessa região poderiam desaparecer em questão de décadas; 500 milhões de pessoas podem ser afetadas diretamente por isso, alertou a ONU. Rios como Ganges, Indus e Brahmaputra, no norte da Índia, podem diminuir de forma substancial diante das mudanças climáticas.

No Chile, porém, o glacial Echaurren Norte foi ampliado. Ainda assim, a ONU alerta que, até 2030, a probabilidade de uma perda total de todos os glaciais latino-americanos é alta. Isso poderia ocorrer na Bolívia, no Peru, na Colômbia e no Equador.

As neves eternas do Quilimanjaro passaram a neves efêmeras

Fotos do cume do monte Quilimanjaro, mostram o ponto mais alto do continente africano, praticamente sem neve ou gelo. Segundo os cientistas, esta é a primeira vez que tal sucede em mais de 11 mil anos, sendo que o fenômeno é atribuído ao aquecimento global.

As imagens estão expostas no Museu da Ciência da capital britânica, e consta também de um livro distribuído a ministros da Energia e do Ambiente de 20 países, que estiveram em Londres para discutir a questão das mudanças climáticas no planeta.

Com 5.892 metros de altitude, o Quilimanjaro é o ponto mais alto de um maciço vulcânico que se estende entre o Quênia e a Tanzânia. Segundo os cientistas, o aquecimento global tem vindo a provocar profundas alterações neste maciço, que perdeu 80 por cento da área coberta por neve e gelo no último século e poderá ficar definitivamente descoberto em 2020.

A organização "Climate Change", que elaborou um relatório sobre os fenômenos climáticos a nível mundial, aponta o Quilimanjaro como um exemplo do que poderá suceder se nada for feito para alterar o rumo dos acontecimentos. No caso concreto, o desaparecimento da neve deste maciço poderá traduzir-se em alterações dramáticas em todos os ecossistemas das planícies que o envolvem.

Um dos símbolos do continente africano, o Quilimanjaro atrai anualmente milhares de visitantes de todo o mundo. A beleza deste monte inspirou o escritor norte-americano Ernest Hemingway no clássico de 1938 "As neves do Kilimandjaro", e serviu também de tema central em vários filmes de Hollywood. Apesar de se encontrar próximo do Equador, num clima tropical, a apenas três graus de latitude sul, a grande altitude do Kilimandjaro tornava possível a queda de neve e gelo.

O aumento das temperaturas têm registrado os maiores índices desde 1998, e tem provocado degelos preocupantes noutros glaciares, nomeadamente no Tibete e nos Andes peruanos.


Fonte: ONU / Estadão