A degradação ambiental do Planeta e a ficção científica
 

São Paulo, ano de 2.001 - As preocupações ambientais não são ficção científica, mas sim um perigo real que aumenta a cada dia. Qualquer dano ambiental que ocorre num ponto da Terra acaba por afetar todo o Planeta. Os números da degradação ambiental são simplesmente alarmantes. Não são exagerados e nem são o produto de mentes pessimistas, mas um fenômeno mundial crescente.

Para se ter uma idéia do quadro geral da degradação, basta ver que, segundo o Fundo para Populações das Nações Unidas (FNUAP), nos últimos quarenta anos a população mundial dobrou para cinco bilhões e trezentos milhões de habitantes, com bastante possibilidade de dobrar novamente nos próximos quarenta anos, de forma que essa pressão populacional poderá esgotar os recursos naturais dos quais depende.

Cerca de dez por cento das terras potencialmente férteis do Planeta já se converteram em desertos, e outros vinte e cinco estão em processo de desertificação. Todos os anos são perdidos oito milhões e meio de hectares por causa da erosão e sedimentação. Mais de vinte milhões de hectares de florestas tropicais são devastados todos os anos.

A maior parte dos pobres vive nas zonas mais vulneráveis do ponto de vista ecológico: oitenta por cento na América Latina e cinqüenta por cento na África. Aproximadamente um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável (bebendo água contaminada), dois bilhões e trezentos milhões de habitantes carecem de acesso a saneamento básico e um bilhão e meio não tem lenha suficiente para cozinhar (idem).

A década de oitenta foi a mais quente do século. Os cientistas acreditam que, se for mantida a tendência atual de emissão de dióxido de carbono (CO2) e outros gases estufa, a temperatura poderá continuar a subir, o que pode provocar o derretimento das geleiras, aumentando por conseguinte o nível do mar e afetando também todo o equilíbrio climático do Planeta. Isso trará conseqüências imprevisíveis para plantas e animais e para o ecossistema como um todo.

Segunda a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana), o buraco na camada de ozônio aumenta a cada ano. Esse buraco, produzido pela reação do clorofluorcarbono (CFC) com o ozônio (O3 ), está afetando inclusive o sul do Chile, onde se registra um aumento nos índices de cegueira em ovelhas.

Na Europa Ocidental, o número de árvores afetadas pela contaminação do ar é superior a catorze vezes a colheita anual de madeira da região. A Europa precisará gastar anualmente sessenta milhões de dólares durante os próximos vinte e cinco anos para proteger seus bosques da contaminação das chuvas ácidas. Os países da Comunidade Européia despejam todo ano nove bilhões de toneladas de dejetos sólidos, incluindo aí trezentos milhões de toneladas de dejetos perigosos para a saúde humana (Pronk e Haq, 1.992).

Os custos sociais e econômicos da degradação ambiental podem ser grandes, ainda que não sejam contabilizados pelos países. Por exemplo, estudos recentes na ex-Alemanha Ocidental calcularam o custo social dos prejuízos provocados pelo ruído do transporte em quase dois por cento do PNB (Produto nacional Bruto). Na Costa Rica, a degradação acumulada das florestas, solos e bancos pesqueiros chegou a mais de quatro bilhões e seiscentos milhões de dólares entre 1.970 e 1.990, cerca de seis por cento de seu PIB (Produto Interno Bruto) daquele período. Na Indonésia, a degradação acumulada de suas florestas, solos e recursos petrolíferos aumentou entre 1.971 e 1.984 em nove bilhões e seis milhões de dólares, cerca de nove por cento de seu PIB do período (idem).

Desta maneira, as perdas ambientais são uma realidade que afeta a vida de milhões de pessoas, tanto dos países desenvolvidos como dos em desenvolvimento. O que podemos notar é que, além do aquecimento global e do buraco na camada de ozônio, existem danos ambientais palpáveis que afetam a qualidade de vida de todo o Planeta. E, se quisermos sustentar a vida com qualidade, devemos antes buscar o equilíbrio entre as ações humanas e a preservação do ambiente onde vivemos.