Desempregado e doente

São
Paulo, 08 de maio de 2.009 - Perder o emprego em meio a uma crise
econômica de dimensão mundial não representa apenas um problema
financeiro, mas também um episódio que pode causar doenças. É o que
indica estudo publicado na edição de 8 de maio da revista
Demography.
Mesmo
se uma nova colocação for encontrada em pouco tempo, há um aumento
no risco de desenvolver problemas de saúde como hipertensão,
diabetes, infarto, derrame ou doenças coronárias, apontam os autores
da pesquisa.
“Na
economia atual, perder o emprego é algo que pode acontecer com
qualquer um. Por conta disso, precisamos estar atentos às possíveis
consequências para a saúde e verificar o que pode ser feito de modo
a aliviar os efeitos negativos do processo”, disse Kate Strully, que
conduziu o estudo na Escola de Saúde Pública da Universidade
Harvard, nos Estados Unidos.
A
pesquisa foi conduzida a partir de dados obtidos em um levantamento
nacional sobre renda feito pelo governo norte-americano de 1991 a
2003. Foram avaliadas diversas profissões, tanto no setor industrial
como no de serviços.
Segundo os resultados, trabalhadores com problemas de saúde têm 40%
mais chances de serem demitidos. Entre aqueles com boa saúde, mas
que perderam empregos por conta de fatores como o encerramento das
atividades da empresa em que estavam, o risco de desenvolver doenças
aumentou em 83%.
“À
medida que consideramos maneiras de melhorar a saúde da população
durante um período de recessão econômica e aumento de desemprego, é
fundamental que olhemos além da reforma do setor de saúde, de modo a
compreender o enorme impacto que fatores como perda de emprego têm
sobre a saúde”, disse David Williams, também da Universidade
Harvard.
“Onde
e como vivemos, trabalhamos, estudamos e nos divertimos têm um
impacto na saúde maior do que o apoio que o sistema de saúde nos
oferece”, apontou.
Demography:
http://muse.jhu.edu/journals/dem
Fonte: Agência FAPESP