
Desintegrados 13 mil km2 de gelo
Parte da
Plataforma Wilkins, na
Antártica, entrou em colapso
São Paulo,
abril de 2.008 - Uma parte da plataforma de gelo Wilkins, localizada na
Península Antártida, entrou em colapso ontem, num processo de desintegração que
especialistas afirmam ser provocado pelo aquecimento global. A região mais
atingida tem 13.680 quilômetros quadrados, mas toda a área afetada chega a 414
mil km2. Ela existia há centenas, talvez milhares, de anos.
A plataforma, um grande lençol gelado que flutua no oceano, localiza-se na
Antártida Ocidental. Essa é a região do planeta onde foi registrado o maior
incremento de temperatura nos últimos 50 anos - cerca de 0,5°C por década.
A desintegração se intensificou a partir de 28 de fevereiro, quando um iceberg
de 41 km por 2,5 km se desprendeu. Ontem, o restante da área se desmanchou em
horas, formando uma série de icebergs menores. Todo o evento foi acompanhado de
perto por cientistas, por meio de câmeras instaladas em satélites e em aviões.
“Esse é um evento que não vemos com freqüência”, diz Ted Scambos, do Centro
Nacional de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos. “As rachaduras se encheram
de água e quebraram.” O mesmo processo atingiu outra plataforma, a Larsen B, em
2002, que tinha 3.250 km2: o gelo derretido se acumulou sobre ela, formando rios
caudalosos que penetravam o bloco, até o completo colapso.
O processo foi previsto pelo cientista David Vaughan, do Serviço Antártico
Britânico (BAS), em 1993. Segundo ele, a parte norte da plataforma poderia ser
perdida em 30 anos a partir de então, se as temperaturas continuassem a subir no
mesmo ritmo. Ontem, Vaughan disse não esperar que houvesse um derretimento tão
rápido, 15 anos antes do que ele esperava.
SEM RETORNO
Segundo Sarah Das, do Instituto Oceanográfico Woods Hole, o colapso da Wilkins,
assim como de outras plataformas, indica que a Terra pode estar chegando a um
ponto sem volta, em que o sistema climático será modificado. “Essas coisas não
vão se reconstruir.”
A desintegração da Wilkins não fará com que o nível dos oceanos suba, uma vez
que já estava boiando na água. Além disso, a área atingida representa apenas uma
parcela pequena de toda plataforma, mas é uma parte importante que pode levar o
restante a ser atingido.
Uma vez que o verão no Hemisfério Sul acabou, os especialistas acreditam que
nenhum novo movimento deva acontecer ali em 2008, porém esperam mais
derretimento no próximo ano.
Fonte:
Estadão
