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Desaquecimento na agricultura
explica queda do desmatamento na Amazônia
Brasília, 26 de agosto de 2.005
- A redução das estimativas de desmatamento na Amazônia em 2005 anunciada hoje
pelo Governo Federal é uma boa notícia. Porém, é preciso entender as possíveis
causas a ela associadas. Além dos esforços oficiais, como a criação de unidades
de conservação e aumento da fiscalização, a redução da especulação imobiliária
provocada pelo desaquecimento do mercado agrícola contribui para diminuir o
desmatamento. Com a queda da rentabilidade do setor, a redução do desmatamento
é, infelizmente, menos resultado das ações governamentais que da atual situação
econômica.
A comparação dos dados em um período de 11 meses (de 2003/04 a 2004/05) indica
significativa redução no desmatamento de 18.724 Km2 para 9.106 Km2. É importante
lembrar que essa não é a taxa de desmatamento anual divulgada pelo governo e que
os números são gerados por um outro sistema, chamado DETER, inadequado para
calcular áreas. Nos meses de julho e agosto deste ano, a imprensa brasileira já
noticiava a possível queda da safra de grãos. O Ministro da Agricultura, Roberto
Rodrigues, declarou que espera uma redução de 2% a 3% na área plantada de grãos.
A queda de 36% no preço internacional da saca da soja, mais importante commodity
brasileira, entre março de 2004 a agosto deste ano, aliada à desvalorização do
dólar reduz a rentabilidade do setor. Com tantos fatores relacionados ao
desmatamento no Brasil, é fácil identificar as políticas que, por acaso,
ajudaram a baixar as taxas na Amazônia.
Ações governamentais articuladas pelo Plano de Prevenção e Controle do
Desmatamento, como as operações Curupira 1 e 2, os esforços para criação de
unidades de conservação na Terra do Meio e no sul do Amazonas têm papel
importante, porém pontual, na redução das estimativas do desmatamento.
"O Governo pode reduzir as taxas de desmatamento, mas não se deve pensar que
isso é tarefa apenas do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama", diz a
Secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.
Reduções como a anunciada hoje já aconteceram no passado, e as taxas de
desmatamento voltaram a subir e a quebrar recordes. Precisamos agora entender e
registrar os mecanismos que contribuem para essa queda, como o fomento ao manejo
florestal.
"Enquanto o Ministério da Agricultura convence o Ministério da Fazenda a rolar a
dívida de agricultores a um custo de cerca de R$ 1,8 bilhão para o governo,
empresas florestais raramente conseguem acessar linhas de crédito oficiais para
realizar o manejo florestal sustentável", diz Mauro Armelin, coordenador de
Políticas Florestais do WWF-Brasil.
Fonte:
www.wwf.org.br

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