Amazônia
perde um Estado de Alagoas a cada dois anos

O Ministério do
Meio Ambiente confirma que o equivalente a meio estado de Alagoas vem sendo
devastado a cada ano na Amazônia. A floresta perdeu 14,4 milhões de hectares
pelo desmatamento e queimadas. Embora esta área mais baixa do que o desmatamento
de igual período anterior, ainda é altíssima.
O governo Lula
anunciou sexta (10) que a taxa de desmatamento na Amazônia entre o segundo
semestre do ano passado e o primeiro de 2007 deve ser de cerca de 9,6 mil km2, a
mais baixa desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou,
em 1988, a monitorar a destruição da cobertura florestal da Amazônia.
Essa previsão é
baseada em dados corrigidos do sistema Deter e Prodes, do Inpe, e tem uma margem
de erro de 10%, segundo o governo.
No entanto, de
acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o desmatamento continua alto,
equivalente a meio estado de Alagoas em doze meses, o que está longe de
tranquilizar os ambientalistas e governo europeus que exigem metas do governo
brasileiro para redução das emissões de gases do efeito estufa. O Brasil é hoje
o quarto maior poluidor por causa das queimas, principalmente da Amazônia,
responsáveis por 75% das emissões causadoras do aquecimento global.
Para organizações não-governamentais de ponta como o Greenpeace Brasil, ao lado
da noticia aparentementre positiva do MMA, é preciso ver também que os fatores
econômicos que contribuíram para a queda no desmatamento estão voltando a
mostrar suas garras: o preço da soja voltou a subir às vésperas da safra que
começa a ser plantada em setembro, o preço da carne aumentou, grandes áreas da
Amazônia já estão isentas de febre aftosa e o anunciado boom dos
agrocombustíveis começa a fazer pressão sobre as terras disponíveis na região. A
conseqüência já se faz sentir: o número de queimadas desde junho está aumentando
em relação ao ano passado.
Além da estimativa, o governo divulgou também o dado corrigido do Inpe/Prodes
para o período agosto de 2005 a julho de 2006, que foi de 14.039 km2, uma queda
de 25,3% em relação ao período anterior.
A estimativa
divulgada em outubro do ano passado, um mês antes das eleições presidenciais,
era de 13.100 km2, com uma margem de erro – agora confirmada – de 10%. O dado
confirmado significa uma queda de 49% em dois anos, desde os fatídicos 27.429
km2 de 2003/2004, a segunda maior taxa da história. O recorde anual continua com
o governo FHC, de 29.059 km2 verificados no período agosto de 1994-agosto de
1995. Mas o primeiro mandato do governo Lula foi recorde de desmatamento
acumulado: mais de 70 mil km2.
“Ainda que os dados do Inpe para 2006-2007 sejam provisórios, eles são muito
estimulantes, já que mostram que o desmatamento inverteu a tendência histórica
de alta e apontam para uma queda pelo terceiro ano consecutivo”, disse Paulo
Adário, coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace.
Vários fatores podem ter contribuído para esta queda, entre elas algumas medidas
de responsabilidade do governo, como a criação de milhões de hectares de áreas
protegidas e um aumento na fiscalização do Ibama – que fez 151 operações de
porte na floresta em 2006, contra 64 em 2005.
Influenciaram
também fatores relacionados ao mercado como a queda de preço das commodities
agropecuárias e supervalorização do real em relação ao dólar.
Outras razões estão ligadas à maior mobilização da sociedade contra o
desmatamento, tais como a campanha movida pelo Greenpeace e organizações sociais
de Santarém contra a expansão da soja na Amazônia. A campanha, que recebeu o
apoio de grandes ONGs atuantes na Amazônia, levou a indústria da soja –
principal commodity do país – a adotar uma moratória para novos desmatamentos em
julho de 2006. O papel positivo da moratória foi reconhecido durante a
apresentação dos dados do desmatamento, pelo ministro da Agricultura Reinhold
Stephanes.
A queda no desmatamento na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo demonstra
claramente que medidas de governo, quando aliadas a vetores econômicos, atuam em
benefício da floresta amazônica, e em conseqüência, do clima do planeta. A
emissão de gases de efeito estufa resultantes do desmatamento e de queimadas na
Amazônia é o principal fator para fazer do Brasil o quarto maior emissor de
gases que provocam o aquecimento global.
“O governo deve aproveitar o momento favorável para aprofundar o programa de
combate ao desmatamento e fortalecer as medidas estruturantes que permitam, num
futuro razoável, acabar com a destruição da floresta amazônica. A hora é agora,
quando o governo federal está fortalecido,” disse Paulo Adário. “Para isso, é
preciso um claro compromisso com metas anuais de redução do desmatamento – e por
conseqüência, de emissões de gases estufa – que possam mobilizar os vários
setores da sociedade brasileira – indústria, agronegócio, bancos financiadores
de atividades econômicas, sociedade civil, estados e municípios a juntar
esforços ao governo federal”, completou Adário.
Fonte: Via
Ecológica