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Entrevista coletiva no Ministério do Meio Ambiente. E/D - Ministro Márcio
Thomaz Bastos, Ministra Marina Silva e Paulo Lacerda, Diretor Geral da
Polícia Federal. |
Polícia Federal desmonta a
maior rede de corrupção ambiental na Amazônia, na área do desmatamento
e transporte
ilegal de madeira
Chefes do IBAMA em MT e o Secretário Estadual do Meio
Ambiente
comandavam as fraudes |
A operação Curupira prendeu dezenas de pessoas em vários Estados, entre elas o
Secretário Estadual do Meio Ambiente, o Superintendente do IBAMA (acusado de
fraudes nas ATPFs de mais de 1 (um) bilhão de reais) e o Presidente da FEMA
(Fundação Estadual do Meio Ambiente), todos do Estado de Mato Grosso

Brasília, 02 de junho - De acordo
com o delegado da Polícia Federal em Cuiabá (MT), Tardelli Boaventura,
responsável pela Operação Curupira, a quadrilha atuava há 14 anos e era composta
por servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), empresários madeireiros e despachantes especializados na
extração e transporte ilegal de madeira. Dos 86 presos até o momento, 58 são do
Ibama. Na operação foram apreendidos carros importados, uma lancha e até um
avião.
Tardelli informou ainda que 130 mandados de prisão e 150 mandados de busca e
apreensão foram expedidos até o momento. Sete inquéritos foram instalados,
separados por região.
Entre as fraudes cometidas pelos servidores do Ibama está a venda de
Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs) para empresas
fantasmas. A investigação também descobriu que algumas autorizações já
preenchidas passavam por um processo de lavagem química para serem novamente
utilizadas. O documento, fabricado pela Casa da Moeda e controlado pelo Ibama,
serve para acompanhar o transporte e a origem da madeira. Os servidores acusados
emitiam ainda falsos laudos de vistoria e autorizavam ilegalmente a exploração
em terras indígenas. As madeiras eram exportadas ilegalmente também para a
China.
Segundo a polícia, os empresários atuavam principalmente pagando propina para
aprovar projetos irregulares e extraindo madeira de áreas proibidas, entre elas
algumas reservas indígenas da região. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema)
de Mato Grosso também é acusada de emitir licenças de desmatamento ilegais.
Dados do Ministério do Meio Ambiente revelam que o desmatamento da Amazônia
cresceu 39% de 2002 até o momento. Atualmente, o total de área desmatada é de
26.130 Km². Somente nos quatro primeiros meses deste ano, foram apreendidas 52
mil m³ de madeira em tora na Amazônia.
Segundo o governo, a exploração florestal em Mato Grosso está em expansão. Em
1998, atuavam na região 23 pólos madeireiros, 740 empresas e foram retirados
10,7 milhões de m³ de madeira. Em 2004 os números subiram para 26 pólos e 872
empresas e a quantidade de madeira retirada caiu para 8 milhões de m³ de
madeira. Isso significa um aumento de 10% no número de pólos madeireiros e de
18% no número de empresas instaladas. O consumo de madeira caiu 25%. Segundo o
governo, isso se deve ao aumento da eficiência das indústrias, que passaram a
reduzir os desperdícios e a agregar um maior valor ao produto.
A operação Curupira, nome do personagem do folclore brasileiro que protege as
florestas, já é considerada a maior da história da Polícia Federal e a maior já
realizada na Amazônia. A operação contou com a participação de 450 agentes da
Polícia Federal e 31 servidores do Ibama.
“Estamos desmontando a maior rede
de corrupção ambiental que atuava no desmatamento ilegal e criminoso da Amazônia”, anunciou Marcus Barros,
presidente do Ibama, em entrevista coletiva na sede da Polícia Federal, em
Cuiabá (MT), sobre as prisões de empresários madeireiros, despachantes e
funcionários do Ibama feitas pela Operação Curupira, da PF.
Até o meio da tarde desta quinta-feira, mais de 80 pessoas haviam sido presas no
Mato Grosso e em outros estados pela Polícia Federal. “O esforço não será em
vão. Levar até as últimas conseqüências é compromisso deste governo”, disse o
presidente do instituto lembrando os recentes esforços do Ministério da Justiça,
da Controladoria Geral da União e da Polícia Federal para coibir processos de
corrupção e prender responsáveis.
Marcus Barros atendeu à imprensa junto com o procurador Mário Lúcio Avelar, do
Ministério Público Federal, que destacou o trabalho em conjunto do Ibama, MPF e
Polícia Federal e relacionou o crime às altas taxas de desmatamento no estado do
Mato Grosso (48% do total verificado entre agosto de 2003 e agosto de 2004).
“Um país civilizado não pode seguir com essas taxas de desmatamento”, disse o
procurador que também ressaltou o tamanho e a longevidade da rede de corrupção:
“isso aqui não pode ser obra de um servidor do Ibama. Esses cidadãos que agora
estão sendo presos aumentaram os seus patrimônios nos últimos 20 anos”.
O interventor do Ibama no Estado do MT, Elielson Ayres de Souza, concorda com a
avaliação do procurador: “Mário Lúcio tem razão. O crime não é do Ibama, mas de
pessoas inescrupulosas que fizeram uso do órgão”.
De acordo com a Polícia Federal o esquema de corrupção devastou 43 mil hectares,
área equivalente a 52 mil campos de futebol, 66 mil caminhões (em fila
equivaleria a distância entre Curitiba e Salvador), o que equivale à R$ 890
milhões.
Outros links com mais detalhes:
Superintendente do Ibama é preso por fraudes de quase R$ 1 bi em madeiras.

Fontes:
Agência Brasil
Ministério do Meio Ambiente
24horasnews.com.br