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Ranking da poluição global:
desmatamento coloca o Brasil entre cinco maiores emissores de gás carbônico
Rio de Janeiro, fevereiro de 2.007 - O Brasil está hoje entre os cinco maiores
emissores do mundo de gás carbônico e metano na atmosfera. Mas segundo o
climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(INPE),
quando se mede a emissão em relação à população brasileira, esse resultado é
atenuado.
De acordo com o pesquisador, a maneira mais correta de se medir as emissões é
per capita. “Divide-se a emissão total do país pelo número de habitantes e
compara com outros países. Quando a gente faz essa comparação, com relação ao
gás carbônico as emissões brasileiras diminuem muito. Aí nós ficamos no bloco
das emissões per capita típicas de países em desenvolvimento”.
Nobre, que também é o presidente do Programa Internacional de Geosfera-Biosfera
(IGBP), com sede na Suécia, informou que entre 60% a 75% das emissões
brasileiras são provenientes dos desmatamentos da floresta tropical. “O Brasil,
a Indonésia e alguns outros países tropicais têm um padrão de emissões de gás
carbônico completamente diferente do mundo industrializado. Lá, é queima de
combustível fóssil. No Brasil, na Indonésia e em outros poucos países, é muito
mais o uso da terra, o avanço da fronteira agropecuária sobre a floresta”,
explicou o especialista.
Para contribuir para o esforço mundial, o Brasil está procurando reduzir as
taxas de desmatamento. Carlos Nobre disse que se não fossem os desmatamentos, as
emissões de gás carbônico do Brasil de queima de combustíveis fósseis seriam de
meia tonelada de carbono por habitante/ano. Quando se acrescentam as emissões
provenientes dos desmatamentos, a emissão já sobe mais uma tonelada, em média,
atingindo até 1,5 tonelada de carbono por habitante/ano.
Na Índia, a emissão per capita é de 0,4 tonelada ao ano e na China alcança cerca
de 1,3 tonelada por ano, revelou Nobre.
Ele afirmou que “a emissão total é alta porque a China tem muitos habitantes,
mas a emissão per capita é parecida com a do Brasil. Só que a da China é por
queima de combustíveis fósseis na geração de energia (as termelétricas são o
principal fator), e no Brasil é, principalmente, advinda da mudança da
vegetação, dos desmatamentos”.
Carlos Nobre é organizador do 1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais
Globais, aberto hoje (11) no Rio.
Fonte:
Alana Gandra, Repórter da Agência
Brasil
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