O efeito estufa, as mudanças climáticas. O que tem a ver conosco?
 

# Edgard Rocha Filho

São Paulo, novembro de 2.006 - Finalmente o efeito estufa e suas conseqüências, as mudanças climáticas, começam a aparecer no noticiário na Grande Mídia, definitivamente.

Pela força da Internet, de veículos importantes e influentes como há duas semanas atrás a revista Veja com a histórica entrevista de James Lavelock, o pai da "Teoria de Gaia", por exemplo, e mais a imprensa alternativa ambiental e ainda do martelar incessante e estóico dos ambientalistas,  a Grande e Poderosa Mídia começa a abrir fogo contra a ação dos predadores que estão levando o mundo à destruição.

Ainda não é possível afirmar se esse fato irá empurrar os governos dos países do mundo à mobilização para se evitar o pior.

Governos em todas as esferas (federal, estadual e municipal) têm governantes eleitos pelo povo ou não, mas todos são mais ou menos informados e conscientes e ações dependem desse fator primordial. Depende de quem está no poder, não adianta só a pressão internacional ou o alerta dos cientistas.

Isso ficou provado dramaticamente com a eleição de Bush, quando o mundo perdeu a oportunidade de ver o comando da maior potência nas mãos de Al Gore, um ativista ferrenho das causas de defesa da ecologia e do meio ambiente.

O ceticismo dos ambientalistas decorre desse fato, infelizmente verídico: o mundo depende das cabeças pensantes dos governantes, e sabemos que muitos só lembram do efeito estufa e das mudanças climáticas quando são chamados a participar de conferências mundiais, para as quais enviam seus assessores, porque pessoalmente não comparecem.

Tratam o assunto como “menor”, como “subsidiário” ou “exótico”.

Então, “what is new”, o que há de novo no cenário mundial?

O novo hoje ano 2.006, planeta Terra, é que está consolidado um consenso científico em praticamente todas as nações e seus respectivos governos, que o efeito estufa é real, que é causado pela ação humana e que as mudanças climáticas e seus efeitos estão ocorrendo cada vez com maior frequência, intensidade e gravidade. .

Não há mais polêmica quanto a essa questão e hoje, ano de 2.006, quem ainda duvida ou não leva a sério (e ainda são muitos) ou mesmo minimiza, a maioria para não ter que se preocupar, para manter o “dolce far niente” das maravilhas tecnológicas do mundo “moderno” (de “araque”, na verdade), corre o risco de ser ridicularizado como aqueles que ainda não acreditam que o homem pôs os pés na Lua em 1.969, ou que a Terra é redonda (há os que duvidam, não se assustem) ou mesmo que não gira em torno do Sol.

Então, o que se discute hoje e o que irá dominar o noticiário global, nos próximos anos?

Como a vinda dos ETs, as notícias do efeito estufa e das mudanças climáticas vão começar a inquietar as pessoas no mundo e é bom que assim aconteça, porque será a única forma de se buscar e encontrar algum tipo de solução.

Bush foi chamado nesse período das eleições americanas de “o terrorista ambiental”, expressão que foi usada pelo Greenpeace há alguns anos.

Sua derrota também foi fortemente influenciada pela sua política ambiental suicida.

Normal que assim seja, porque a nação mais poderosa  poderia hoje liderar as ações de salvação do Planeta e até obrigar os países (pacificamente, é claro), a promover ações para diminuir significativamente a poluição causadora do efeito estufa.

Ao não fazê-lo e promover ações contraditórias (inclusive com discurso hipócrita de negação do efeito estufa), Bush se posicionou exatamente como define o Greenpeace: causador de pânico, terror, global, porque, como escrevi antes, não se discute mais a existência do efeito estufa e seus efeitos no clima da Terra.

Mas a grande polêmica atual que começa a acontecer com grande força é “quando virão as mudanças climáticas”, porque não há mais dúvida, é consenso mundial, de que irão acontecer.

Essa pergunta é inquietante, como bem definiu Al Gore em seu filme “Uma verdade inconveniente”, e certamente irá mobilizar milhões em todo o mundo, pelo menos aquelas pessoas que ainda tem massa encefálica crítica e não estão completamente alienadas das questões importantes da atualidade.

E porque é inquietante? Simples: James Lavelock, o pai da Teoria de Gaia, dá 40 anos para acontecerem catástrofes inimagináveis, outros dão mais tempo, 100 anos, mas há os que acreditam que podem acontecer nos próximos anos.

Quer mais ainda saber de algo terrível? Deixa que eu conto: há estudos muito sérios e que estão nas mesas de cientistas de todo o mundo, que a poluição do ar não se dissipa, vai para algum lugar, está lá na atmosfera e poderá voltar sob formas que nós ainda não conhecemos.

Essa verdade precisa ser repetida e pensada pelos que estão hoje vivendo em solo planetário: dessa reflexão pode depender a salvação das próximas gerações e do planeta.

# Edgard Rocha Filho é ambientalista, advogado e jornalista