O efeito estufa

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As reações da comunidade internacional à ameaça das mudanças climáticas

Durante a Primeira Conferência Mundial sobre o Clima, em 1979, as mudanças climáticas foram reconhecidas como um sério problema a ser enfrentado pela comunidade internacional. A preocupação com a questão persistiu ao longo da década de 80, quando foram realizadas várias conferências intergovernamentais para debatê-lo. A Resolução 43/53 da Assembléia Geral das Nações Unidas criou, em 1988, o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), sob os auspícios da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Em 1990, durante a Segunda Conferência Mundial sobre o Clima, pediu-se a negociação de uma convenção internacional para tratar do problema das alterações climáticas. Nesse mesmo ano a Assembléia Geral da ONU aprovou uma resolução que deu início ao processo de negociação de uma futura convenção sobre mudança do clima, cujo objetivo essencial seria lutar pela estabilização das emissões de gases causadores do efeito estufa e pela conservação e ampliação dos reservatórios e sumidouros de carbono (florestas e oceanos). As negociações para o estabelecimento dessa convenção tiveram início em fevereiro de 1991 e terminaram durante a Rio-92, quando 154 países e a União Européia assinaram o texto final. Em 1994, após ser ratificada pelo quinquagésimo país, ela entrou em vigor.

Em dezembro de 1997 adotou-se o Protocolo de Kyoto, resultado de um evento que contou com a participação de centenas de delegados, observadores e jornalistas de todos os continentes. O Protocolo de Kyoto negociado com vistas à operacionalização das diretrizes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas reforçou a resposta internacional às possíveis mudanças no clima. Nesse Protocolo, os países desenvolvidos assumiram o compromisso de reduzir a emissão dos seis principais gases-estufa em pelo menos 5% com relação à emissão verificada em 1990. Tal meta deverá ser alcançada entre 2008 e 2012. O Protocolo também empreenderá esforços para que todos os países da comunidade internacional se empenhem na redução das emissões de gases-estufa.

Não há um único remédio para estabilizar as concentrações atmosféricas dos gases-estufa, principalmente o CO2. Muitos esforços terão que ser feitos simultaneamente, e todos os países terão que dar sua parcela de contribuição. Algumas medidas a serem tomadas são:

Redução global do uso de combustíveis fósseis 

A queima de combustíveis fósseis é hoje a principal fonte de carbono para a atmosfera, contribuindo anualmente com 5,7Gt. Como os países industrializados são responsáveis por cerca de 75% dessa queima, cabe a eles despender maiores esforços na tentativa de reverter o quadro. A situação se agrava se levarmos em conta que os países em desenvolvimento terão que aumentar o uso de combustíveis fósseis à medida que suas economias forem crescendo. Portanto, a redução desses combustíveis pelos países desenvolvidos terá que ser maior ainda para compensar o aumento do consumo por parte daqueles em desenvolvimento. Para que isso seja possível, terão que ser adotadas amplas medidas visando o uso mais eficiente da energia. Os países em desenvolvimento terão que buscar novos padrões de crescimento, pois o padrão hoje adotado no mundo é ambientalmente insustentável.

Redução drástica do desmatamento 

De acordo com as estimativas atuais, o desmatamento libera anualmente 2Gt de carbono na atmosfera, em virtude do desflorestamento de cerca de 13 milhões de hectares. Isso ocorre principalmente nas áreas tropicais do planeta. Os países em desenvolvimento terão que empreender enorme esforço para reverter esse quadro, devendo encontrar meios para conservar o que restou de suas florestas.

Reflorestamento 

Além das medidas voltadas para reduzir a quantidade de CO2 liberado na atmosfera, será preciso implementar ações visando acelerar a absorção do CO2 já liberado. A meta é alcançar a absorção de 1 Gt de carbono anualmente, através de um amplo programa de reflorestamento, que deverá abranger uma área de 100 a 200 milhões de hectares. Essa linha de ação pode abrir novas oportunidades de negócios para os países em desenvolvimento. Algumas empresas que geram grande quantidade de CO2 estão pagando para que produtores rurais reflorestem áreas capazes de absorver parte do CO2 que elas lançam na atmosfera. Estima-se que o mercado de compra e venda de direitos de poluição de CO2 deverá movimentar aproximadamente US$ 10 bilhões até 2005.

A ação humana alterou de tal forma os sistemas naturais que agora ameaça a própria existência do homem na Terra. As possíveis mudanças climáticas provocadas pela intensificação do efeito estufa é um triste exemplo disso. Reverter esse processo talvez seja um dos maiores desafios já impostos à humanidade ao longo de sua história. E só temos uma opção: vencer esse desafio, pois o futuro do planeta e da humanidade está em nossas mãos.