O efeito estufa

Inicial O que é o efeito estufa As bases físicas Os gases Impactos do desmatamento Impacto das mudanças climáticas Impactos sobre o Brasil As reações da comunidade internacional Protocolo de Quioto

O que é o efeito estufa

A denominação efeito estufa é dada por analogia ao que ocorre nas estufas de cultivo de plantas, normalmente feitas de vidro. O vidro deixa passar a luz do Sol livremente, mas impede a saída do calor formado no interior da estufa, provocando seu aquecimento. O mesmo se verifica dentro dos canos estacionados no sol. Seus vidros permitem que a luz solar passe livremente, mas barram a saída de calor, provocando aumento da temperatura interna.

Fenômeno semelhante ocorre em nosso planeta. A atmosfera da Terra - que pode ser considerada uma grande estufa - contém pequenas quantidades de certos gases que desempenham o mesmo papel do vidro nas estufas de plantas ou nos canos sob o sol. São os chamados gases-estufa. Eles permitem que a luz do Sol passe quase livremente, mas impedem parcialmente a saída do calor formado na superfície do planeta, promovendo o aquecimento da superfície e da camada inferior da atmosfera. Os principais gases-estufa hoje presentes na atmosfera são: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbono (CFC) e vapor d’água.

Figura 2. O efeito estufa ocorre porque a atmosfera tende a reter o calor próximo à superfície. A Terra recebe radiação do Sol nas bandas do ultravioleta, visível e infravermelho, absorvendo uma parte e refletindo o restante ao mesmo tempo em que emite radiação infravermelha. O dióxido de carbono, o vapor d’água e outros gases deixam passar a radiação visível e infravermelha, que carregam grande parte da energia da luz solar, mas absorvem muito eficientemente a radiação infravermelha emitida pela Terra. A maior parte dessa energia é irradiada de volta para a superfície.


Conceito e mecanismo

A radiação solar compreende radiações luminosas (luz) e radiações caloríficas (calor), em que sobressaem as radiações infravermelhas.

As radiações luminosas são de pequeno comprimento de onda, pelo que atravessam facilmente a atmosfera. Pelo contrário, as radiações infravermelhas (radiações caloríficas) são de grande comprimento de onda, pelo que têm mais dificuldades em atravessar a atmosfera,  que, por intermédio do vapor de água, do dióxido de carbono e das partículas sólidas e líquidas, as absorve em grande parte.

Por outro lado, as radiações luminosas (luz) absorvidas pela camada superficial do Globo são convertidas em radiações infravermelhas (calor), que continuamente vão sendo por ela libertadas (radiação terrestre).

A atmosfera, tal como o vidro duma estufa, sendo pouco permeável a estas radiações, constitui como que uma barreira, dificultando a sua propagação para grandes altitudes. Uma parte é por ela absorvida e outra é reenviada, por reflexão (contra-radiação), para as camadas mais baixas, onde se acumula e faz elevar a temperatura.

O vapor de água, o dióxido de carbono, os óxidos de azoto, o metano e o as partículas sólidas e líquidas constituem os elementos fundamentais dessa barreira, já que são eles os principais responsáveis pela absorção e reflexão da radiação terrestre.

As duas faces do efeito estufa

O efeito de estufa assume uma importância extraordinária para a vida na Terra. Na verdade, se o calor libertado pela superfície terrestre não encontrasse qualquer obstáculo à sua propagação, o mesmo escapar-se-ia para as altas camadas da atmosfera ou mesmo para o espaço extra-atmosférico, o que teria como conseqüência um arrefecimento de tal modo intenso (sobretudo durante a noite) que tornaria o nosso planeta inabitável. Esta é, portanto, a face positiva do efeito de estufa.

Mas, o aumento da quantidade de gases e outras substancias poluentes (com destaque para o dióxido de carbono) lançados para a atmosfera pelas diversas atividades humanas, sobretudo através da queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) na indústria e nos veículos motorizados, e também pelos grandes incêndios florestais, tem vindo a acentuar o efeito de estufa com o conseqüente e indesejável aumento da temperatura na troposfera.

Estudos existentes apontam para subidas da temperatura global entre 1 °C e 4°C dentro de trinta a cinqüenta anos. Valor aparentemente pequeno, mas que, na realidade, constitui uma variação brutal e sem precedentes na história da Terra.

Claro que do aumento da temperatura resultarão modificações mais ou menos profundas no regime das precipitações e no ciclo natural da água, bem como a fusão dos gelos das grandes calotes polares, o que provocará profundas alterações na fauna e na flora e a elevação do nível dos oceanos. Submergindo vastas zonas costeiras, o elevação do nível do mar provocará a emigração de dezenas de milhões de pessoas, a redução das áreas de cultivo e a salinização das fontes de água doce.