O efeito estufa

Inicial O que é o efeito estufa As bases físicas Os gases Impactos do desmatamento Impacto das mudanças climáticas Impactos sobre o Brasil As reações da comunidade internacional Protocolo de Quioto

Impactos sobre o Brasil causados pelo efeito estufa

O Brasil é um país de dimensões continentais com regiões e climas diversos, como a Amazônia, o semi-árido nordestino, o planalto central coberto pelo cerrado, a região sul e a região litorânea, cobertas pela Mata Atlântica. Essas áreas têm características climáticas diferentes hoje e provavelmente o terão também no futuro. Assim a discussão sobre os possíveis impactos do aquecimento global sobre o país pode ter apenas caráter especulativo. Além do mais, apesar do progresso no campo da elaboração de modelos matemáticos de previsão meteorológica, ainda não é possível determinar com certeza a resposta do clima de determinada região ao aumento do efeito estufa. Para as grandes áreas agrícolas dos Estados Unidos e Europa, têm sido feitas algumas tentativas. Quanto ao Brasil, não se sabe de trabalhos nesse sentido.

De acordo com as atuais previsões, como já foi dito, as regiões tropicais são as que sofrerão a menor elevação de temperatura em decorrência do aumento do efeito estufa. Isso ocorrerá porque o calor adicional nos trópicos provocará maior evaporação de água e transferência desse vapor para as regiões de média latitude. Nessas regiões o vapor d’água se condensa e libera o calor transportado, contribuindo para o maior aquecimento dessas latitudes. Mas a resposta, nos trópicos, dos padrões de precipitação (chuva) a um pequeno aumento de temperatura é completamente desconhecida.

O Brasil já sofre hoje tremendamente com os padrões de variabilidade climática. As secas do Nordeste são uma tragédia sócio-econômica de enormes proporções, as enchentes nos grandes centros urbanos trazem sofrimento e enormes prejuízos. Como exemplo, podemos citar as enchentes que vitimaram cerca de 300 pessoas e deixaram milhares de desabrigados no Rio de Janeiro em 1988. As perdas de safras agrícolas em decorrência de secas ocasionais ou chuvas excessivas também são freqüentes no Brasil. Qualquer desses fenômenos climáticos pode ter sua intensidade drasticamente aumentada em resposta ao aumento do efeito estufa. Se, por exemplo, os períodos de duração das secas do Nordeste aumentarem ainda mais ou as enchentes nos grandes centros urbanos se tornarem mais freqüentes, o país pagará um preço alto por causa das interferências do homem nos sistemas naturais.

A agricultura brasileira também poderá ser afetada. No futuro, importantes áreas hoje produtivas poderão se tornar áridas. A diminuição da precipitação em determinada bacia hidrográfica poderá trazer problemas de suprimento de água para os centros urbanos, para a irrigação e para a geração de energia hidrelétrica. Nos últimos anos a demanda por energia hidrelétrica tem crescido no Brasil, e os investimentos em novos projetos de geração não tem acompanhado satisfatoriamente esse crescimento. As usinas existentes trabalham muitas vezes no limite de sua capacidade de geração, e os reservatórios de água dessas usinas estão ficando cada vez mais dependentes de chuvas abundantes para manter níveis adequados de água. Qualquer alteração climática que leve à diminuição das chuvas em bacias como a do São Francisco e do Paraná terá como conseqüência o racionamento de energia, com prejuízos econômicos e sociais para o país.

Os grandes ecossistemas brasileiros, como os cerrados, as florestas tropicais e os campos, poderão ter sua atual área de distribuição alterada em conseqüência das mudanças climáticas. As espécies restritas às áreas de transição entre um ecossistema e outro poderão ser as mais afetadas e mesmo levadas à extinção se sua área de ocorrência sofrer drástica modificação climática. Conseqüentemente, inúmeras espécies da fauna também poderão se extinguir. Os incêndios, que todos os anos têm afetado amplas áreas do país, poderão aumentar expressivamente em virtude da intensificação do efeito estufa.