O efeito estufa

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O efeito estufa


A Terra está mais quente.

A temperatura média do planeta elevou-se 4ºC em relação à do século XX. As geleiras e as calotas polares estão se derretendo, e o nível do mar já subiu aproximadamente um metro.

As zonas climáticas estão mudando, milhares de hectares de florestas estão se transformando em savanas e campinas, e a lista de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção triplicou. Importantes áreas agrícolas do mundo estão se tornando improdutivas, e os estoques mundiais de grãos atingiram seus níveis mais baixos.

Nos países pobres a população carente não mais consegue comprar alimentos, e seus filhos estão morrendo de fome. O rosto humano estampa desespero e a situação social tomou-se explosiva. Embora ocupe as ruas, o exército não consegue deter os saques e a violência.

Em muitas regiões litorâneas as pessoas tiveram que deixar suas casas por causa das inundações provocadas pela elevação do nível do mar. Em várias cidades, as enchentes vitimaram centenas de pessoas, e milhares delas estão desabrigadas. Os furacões estão mais intensos e freqüentes. A situação é de completa calamidade em todos os continentes.

Esses fatos serão uma realidade ou não passarão de ficção? Muitos cientistas acham que essas previsões já estão em curso e que devem começar a acontecer em meados do século XXI.

Segundo eles, a humanidade está realizando o maior experimento geofísico de sua história e este não está acontecendo nos laboratórios ou computadores, mas em nosso próprio planeta.

Tal experimento começou com a Revolução Industrial e se intensificou após a II Guerra Mundial. Desde então, as atividades humanas têm aumentado a quantidade de CO2 na atmosfera em cerca de 25%, o que poderá provocar grandes alterações do clima em vastas áreas do planeta.

Ao contrário do que muitos pensam, o clima não permaneceu o mesmo ao longo da história geológica da Terra, tendo apresentado grandes variações. Essas variações climáticas do passado foram causadas por mudanças naturais, como alterações na composição da atmosfera, mudanças no posicionamento dos continentes sobre a superfície do planeta, alterações na configuração das bacias oceânicas, na topografia dos continentes e na quantidade de radiação recebida do Sol.

No último milhão de anos, a Terra passou por vários períodos glaciais e interglaciais. A última glaciação terminou há cerca de 10 mil anos. A mudança entre períodos glaciais, quando a temperatura cai dramaticamente, e interglaciais, quando ela volta a se elevar, é explicada por fatores naturais. Entre estes, os mais prováveis seriam a mudança na órbita do planeta e as alterações na composição da atmosfera.

Figura 1. Temperaturas médias globais estimadas para os últimos 20 mil anos. Observe que a temperatura se elevou rapidamente pela última vez há mais ou menos 10 mil anos, quando a Terra emergiu da última época glacial (segundo Leggett, J., 1992).

Em meados do século passado surgiram, com o físico e matemático francês Jean-Baptiste Fourier, as primeiras preocupações quanto à possibilidade de as ações humanas provocarem mudanças climáticas. Em 1896 o químico sueco Svante Arrhenius descreveu o efeito estufa e propôs a teoria de que mudanças na quantidade de CO2 da atmosfera poderiam afetar a temperatura na superfície da Terra. Ele estimou que, dobrando a quantidade de CO2, haveria um aumento de temperatura da ordem de 4 a 60C.

Na década de 1930, G. S. Callendar sugeriu que o aquecimento global verificado a partir de 1860, quando as medições meteorológicas passaram a ser feitas rotineiramente, poderia ser conseqüência do aumento do CO2 na atmosfera. Opinião semelhante também surgiria nos anos 50, mas não foi levada suficientemente a sério pela maioria dos cientistas da época.

Em 1957, foi incorporado ao programa do Ano Internacional de Geofísica um plano para medir o dióxido de carbono na atmosfera. Dois medidores de CO2 foram então instalados: um na Antártida, outro em Mauna Loa, no Havaí. O resultado dessas medições comprovou definitivamente que a quantidade de CO2 na atmosfera estava aumentando.

Posteriormente, o pesquisador japonês Manade e o americano Wetherald previram, através de modelos matemáticos de simulação climática, o aquecimento global induzido pelo aumento do CO2.

Conceito e mecanismo

A radiação solar compreende radiações luminosas (luz) e radiações caloríficas (calor), em que sobressaem as radiações infravermelhas. 

As radiações luminosas são de pequeno comprimento de onda, pelo que atravessam facilmente a atmosfera. Pelo contrário, as radiações infravermelhas (radiações caloríficas) são de grande comprimento de onda, pelo que têm mais dificuldades em atravessar a atmosfera, que, por intermédio do vapor de água, do dióxido de carbono e das partículas sólidas e líquidas, as absorve em grande parte. 

Por outro lado, as radiações luminosas (luz) absorvidas pela camada superficial do Globo são convertidas em radiações infravermelhas (calor), que continuamente vão sendo por ela libertadas (radiação terrestre). 

A atmosfera, tal como o vidro duma estufa, sendo pouco permeável a estas radiações, constitui como que uma barreira, dificultando a sua propagação para grandes altitudes. Uma parte é por ela absorvida e outra é reenviada, por reflexão (contra-radiação), para as camadas mais baixas, onde se acumula e faz elevar a temperatura. 

O vapor de água, o dióxido de carbono, os óxidos de azoto, o metano e o as partículas sólidas e líquidas constituem os elementos fundamentais dessa barreira, já que são eles os principais responsáveis pela absorção e reflexão da radiação terrestre. 

As duas faces do efeito estufa

O efeito de estufa assume uma importância extraordinária para a vida na Terra. Na verdade, se o calor libertado pela superfície terrestre não encontrasse qualquer obstáculo à sua propagação, o mesmo escapar-se-ia para as altas camadas da atmosfera ou mesmo para o espaço extra-atmosférico, o que teria como conseqüência um arrefecimento de tal modo intenso (sobretudo durante a noite) que tornaria o nosso planeta inabitável. Esta é, portanto, a face positiva do efeito de estufa. 

Mas, o aumento da quantidade de gases e outras substancias poluentes (com destaque para o dióxido de carbono) lançados para a atmosfera pelas diversas atividades humanas, sobretudo através da queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) na indústria e nos veículos motorizados, e também pelos grandes incêndios florestais, tem vindo a acentuar o efeito de estufa com o conseqüente e indesejável aumento da temperatura na troposfera. 

Estudos existentes apontam para subidas da temperatura global entre 1 °C e 4 °C dentro de trinta a cinqüenta anos. Valor aparentemente pequeno, mas que, na realidade, constitui uma variação brutal è sem precedentes na história da Terra. 

Claro que do aumento da temperatura resultarão modificações mais ou menos profundas no regime das precipitações e no ciclo natural da água, bem como a fusão dos gelos das grandes calotes polares, o que provocará profundas alterações na fauna e na flora e a elevação do nível dos oceanos. Submergindo vastas zonas costeiras, o elevação do nível do mar provocará a emigração de dezenas de milhões de pessoas, a redução das áreas de cultivo e a salinização das fontes de água doce.

Bibliografia:

"O Novo Dilúvio", de Antony Milne

O ambientalista Antony Milne acredita que em breve seremos devorados pelas mudanças climáticas, poluição e crescimento populacional. Segundo Milne, quase dois terços da Terra poderão submergir com o degelo das camadas polares provocado pelo aquecimento global, pelos buracos na camada de ozônio e pela devastação das florestas.

O "Novo Dilúvio" apresenta de forma clara e extremamente didática as ocorrências de fenômenos em todo o planeta que acabam por corroborar a tese apocalíptica de Antony Milne. O pior é que o cenário traçado não tende a ser alterado, já que nossa sociedade continua mantendo sua inércia e as ações que precipitam a situação, quer em nível nacional, quer transnacional. Editora Gaia Ltda, uma divisão da Global Editora e Distribuidora Ltda.