Escolha dos equipamentos para
energia solar ainda frustram consumidores
Mercado oferece opções de
diferentes tecnologias, com variedade de preços
São Paulo, agosto de 2.007 - O
mercado de equipamentos para aquecimento de água por energia solar oferece mais
de duzentas opções de fabricantes, de diversos portes, com um cardápio de
produtos abrangente, o que dificulta a escolha do sistema correto.
Com o desenvolvimento dos materiais e processos de fabricação, todos apregoam a
excelente qualidade dos seus produtos, eficiência e custos competitivos. Então,
por que a frustração da parte dos consumidores com energia solar para
aquecimento de água, maior dor de cabeça dos fabricantes e maior desafio que a
indústria terá de enfrentar para assegurar o crescimento do setor?
São três as causas principais de insatisfação dos usuários. São elas:
inadequação do produto ao fim pretendido, erro no cálculo do dimensionamento do
sistema e falhas na instalação, desobedecendo normas dos fabricantes e dos
institutos normalizadores.
Como roteiro para o consumidor, auxiliando a escolha, premissas básicas devem
ser observadas. Como: qual a finalidade do sistema de aquecimento de água que
necessito, residencial para banho, cozinha? Para piscina? Industrial? Sistemas
de grande porte (hotéis, condomínios e edifícios?).
Começam aqui as diferenças entre
os equipamentos. Duas linhas de produtos já podem ser definidas nessa fase.
Sistemas para piscinas com coletores solares metálicos estão em desuso. O
mercado oferece alternativas em equipamentos não metálicos (polietileno,
polipropileno, EPDM) para aquecimento desde piscinas domésticas, academias,
fisioterapia até piscinas olímpicas.
O usuário deve consultar diversas alternativas, pesquisando qualidade,
eficiência e custos, além de exigir os manuais de instalação e operação e
certificado de garantia. Não esquecer que é importante que essa documentação
seja lida e entendida. Pedir ao revendedor uma relação de instalações executadas
e consultar a satisfação desses clientes, é prática de puro bom senso, evitando
ou diminuindo futuros dissabores. Além disso, consultar o departamento técnico
dos fabricantes, que deve estar sempre disponível para esclarecimentos.
Em sistemas residenciais de aquecimento (menor que mil litros) por energia
solar, o mercado oferece inúmeras opções. Os critérios de escolha devem
observar, por exemplo, a qualidade da água. Adquirir um sistema metálico que
depois é furado por corrosão e o instalador justifica que o problema é com a
água é inadmissível. Esse fato deveria ter sido investigado antes, se houvesse
preocupação com o correto funcionamento do sistema.
Sistemas em termoplásticos apresentam maior eficiência (capacidade de número de
banhos) que os equivalentes metálicos. Isso acontece pela melhor preservação das
camadas de água quente não contaminadas pela mistura com a água fria que entra
no reservatório, uma característica relativa à transferência de calor pelo
material do reservatório.
Em contrapartida, coletores metálicos têm, em altas temperaturas, eficiência
térmica melhor que os em termoplásticos, levando água mais quente para
reservatório. Altas temperaturas (acima de 60°C), entretanto, são causas de
riscos graves para o usuário, tubulações e equipamentos envolvidos na
instalação. Equipamentos metálicos podem trabalhar em altas pressões, bombeados
ou pressurizados. Os sistemas em termoplástico, até o momento, não são indicados
para essas condições.
Na verdade, a grande controvérsia não se refere ao fato de um produto ser melhor
que o outro. As questões são: Em quais condições? A que custo? Consumidor e
fabricante desejam que o produto satisfaça, cumprindo sua função. A importância
dos instaladores nesse processo é enorme.
Para concretizar a venda, pode ser sugerido um equipamento aquém da capacidade
ou incompatível com a necessidade, por menor preço. No caso, o custo para a
solução dos problemas futuros será maior que a economia do presente.
E o cliente deve desconfiar de propostas milagrosas. Especule, questione,
elimine suas dúvidas. Não seja cúmplice!
Fonte: Gazeta Mercantil de 27.08.2007
b