Estudo divulgado pela USP revela que erva-mate salva o gaúcho da
arteriosclerose, causada pelo elevado consumo de carne vermelha
São Paulo, 2005 -
Erva-mate apresenta potencial preventivo e curador da aterosclerose. Ingrediente
principal do chimarrão, a erva se mostrou um eficaz redutor das reações de
oxidação que causam a doença. Próximo passo é transformá-la em alimento
funcional e em fitofármaco.
"Há também a perspectiva de a erva-mate diminuir a incidência de outros
problemas cardiovasculares, através da redução da concentração de colesterol"
Apesar de o Rio Grande do Sul ser o estado onde tradicionalmente mais se ingere
carne bovina, a incidência de aterosclerose (doença causada pelo acúmulo de
gordura nas artérias) entre os gaúchos equivale à média de estados como São
Paulo e Rio de Janeiro. Para o pesquisador Edson Luiz da Silva, "algum elemento
presente na alimentação desta população deve protegê-los da doença".
Em sua tese de pós-doutorado, realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF)
da USP, Silva estuda a ação da erva-mate, principal ingrediente do chimarrão, na
prevenção e tratamento da aterosclerose.
A doença resulta da oxidação da LDL (sigla, em inglês, para Lipoproteína de
Baixa Densidade), processo que induz a substância gordurosa a se depositar nas
artérias. "Esta ação oxidante reduz a reatividade vascular, comprometendo o
vasorelaxamento necessário para uma boa circulação sangüínea e podendo causar,
entre outras complicações, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral",
explica Silva, que é professor da Universidade Federal de Santa Catarina.
"Se a aterosclerose resulta de um processo de oxidação, a introdução de
compostos antioxidantes poderia prevenir ou reverter essa situação", raciocina o
professor. Segundo ele, muito já se estudou sobre a ação antioxidante de
fenólicos (compostos entre os quais figuram flavonóides e ácidos
hidroxicinâmicos). Buscando uma fonte de fenólicos, Edson Luiz encontrou a
erva-mate e experimentou, primeiramente, provar seu efeito antioxidante em
coelhos alimentados com uma dieta rica em colesterol. Em dissertação defendida
na federal catarinense por Ana Luiza Mosimann, sob orientação de Silva, foi
demonstrada uma redução de 50% na incidência de aterosclerose nos animais,
depois de administrado o chimarrão em suas dietas.
Bem sucedido na UFSC, o pesquisador quis provar o mesmo em seres humanos, na
USP. Após jejum de 12 horas, os doze voluntários da pesquisa retiraram uma
amostra de sangue e, em seguida, ingeriram 500 ml de chimarrão. Em nova amostra
de sangue, retirada uma hora depois, observou-se uma significativa redução das
atividades oxidantes, tanto no plasma sanguíneo (média de 65% de redução) quanto
na LDL isolada através de ultracentrifugação (redução média de 53%).
"A LDL ainda estava protegida contra a lipoperoxidação (oxidação da
lipoproteína); ou seja, os compostos do chá mate foram metabolizados e as
substâncias vindas desta reação (os metabólitos) ainda estavam presentes no
plasma total e aderidos à LDL, o que representa uma possível proteção contra o
desenvolvimento de aterosclerose", aponta Silva.
O próximo passo, segundo o pesquisador, é verificar este efeito benéfico em
maior escala nos seres humanos. Edson Luiz projeta que, caso os resultados sejam
promissores, a erva-mate poderá se transformar num alimento funcional ou num
fitofármaco, indicado por médicos e nutricionistas. "Há também a perspectiva da
erva-mate diminuir a incidência de outros problemas cardiovasculares, através da
redução da concentração de colesterol, que é transportado no sangue na partícula
de LDL."
Homocisteina
Sobre a
recente constatação feita por pesquisadores do Instituto do Coração (Incor), que
liga a aterosclerose à outra proteína, chamada homocistéina, Edson Luiz comenta
que, neste ponto, a erva-mate também é benéfica.
"O aumento da concentração de homocisteina no plasma sangüíneo leva à formação
de lesões na parte interna das artérias e, conseqüentemente, ao início de um
processo que pode culminar no desenvolvimento da aterosclerose", explica o
professor. A prevenção e reversão deste quadro podem ser obtidas através de
tratamento com vitaminas do complexo B, presentes na composição da erva-mate.
Fonte:
Rafael Veríssimo
Agência USP de notícias
Link da matéria:
http://www.usp.br/agen/repgs/2005/pags/059.htm
