Especialistas apontam manipulação da indústria do tabaco
para atrair
consumidores jovens
Brasília, 06 de dezembro de 2.011
– Participantes da
audiência pública
convocada para discutir regras mais duras para a publicidade de produtos
derivados do tabaco reclamaram hoje (6) do que chamaram de manipulação da
indústria para atrair o segmento jovem da população. Durante o debate, muitos
defenderam a saúde como direito de todos e como dever do Estado brasileiro.
Entre as idéias propostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
estão ampliar para 60% o espaço utilizado nos maços de cigarro para a veiculação
de imagens de advertência; incluir uma mensagem de advertência voltada para o
público jovem; e proibir a fixação de cartazes promocionais do lado de fora de
pontos de venda.
Para o representante da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia,
Alberto Araújo, a aprovação das alterações será importante não apenas para gerar
impacto no controle do tabagismo, mas também para regular aos abusos na promoção
de produtos derivados do tabaco entre os jovens.
“Temos observado que a indústria faz promoções em diversos eventos de jovens, na
companhia da indústria do álcool”, disse. “É um direito da sociedade. A saúde
pública não pode ficar refém dos interesses econômicos da indústria”, completou.
Para a representante da Associação Brasileira de Álcool e Drogas, Ilana Pinsky,
a consulta pública representa uma importante medida de saúde pública na
prevenção ao tabagismo. Segundo ela, propagandas de produtos derivados do tabaco
em padarias, bancas de revista e supermercados acabam estimulando o consumo por
parte dos jovens.
“Existem evidências científicas de que o ponto de venda é um instrumento que
pode representar a mesma importância de outros tipos de publicidade”,
argumentou. “Do ponto de vista da saúde pública, o tabaco não é um produto
qualquer. O tabaco é inegavelmente um produto danoso à população”, alertou Ilana.
O representante da Organização Panamericana da Saúde (Opas), Armando Peruga,
destacou que o Brasil dispõe de uma legislação antitabaco avançada, mas que os
estudos demonstram que as imagens e mensagens de advertência só protegem a saúde
das pessoas se forem bastante abrangentes.
“A indústria argumenta que o objetivo da embalagem é incentivar os fumantes a
trocar de marca, mas isso, com todo o respeito, não é verdade. A publicidade
sustenta o uso do tabaco como aceitável”, disse.
Fonte: Agência Brasil