Exxon tentou minimizar efeito
estufa
São Paulo, dezembro de 2.006 - A Exxon Mobil, maior produtora
mundial de gasolina, gastou US$ 15,8 milhões, desde 1998, para financiar grupos
que rechaçam as provas científicas sobre a contribuição humana para o
aquecimento global, segundo um informe da Union of Concerned Scientists. A Exxon
forneceu recursos para 43 organizações que promovem a "dúvida" a respeito do
aquecimento global, a fim de protelar a atuação dos Estados Unidos para reduzir
as emissões de gases de efeito estufa, disse o informe.
A empresa também fez recomendações com êxito para assessores do setor climático
do governo do presidente George W. Bush, os quais rechaçaram um tratado global
para diminuir esses gases em 2001, e em troca propuseram reduções voluntárias.
Entre os maiores receptores do financiamento da Exxon encontram-se o Competitive
Enterprise Institute, que advoga uma regulamentação governamental limitada das
empresas, e a Advancement of Sound Science Coalition, grupo fundado em 1993 por
Philip Morris, do Altria Group, que semeia a confusão a respeito dos perigos
para os fumantes passivos, afirma o informe.
"A Exxon financiou um grupo paralelo de cientistas desacreditados para distorcer
o debate sobre o aquecimento global", disse ontem aos jornalistas, Seth Shulman,
autor do trabalho. O porta-voz da Exxon, Mark Boudreaux, não comentou o
comunicado.
A saída de Lee Raymond, que se aposentou há um ano do cargo principal executivo
da Exxon, assumiu medidas mais brandas com relação ao aquecimento global,
segundo o informe. Rex Tillerson, que substituiu Raymond, se comprometeu a falar
mais abertamente sobre a mudança climática, e incitou para que as normas de
economia de combustível para os automóveis e camionetas norte-americanos sejam
mais severas, a fim de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
A companhia aceitou, em novembro, contribuir com US$ 1,32 milhão para uma
análise da Comissão Européia (CE) sobre métodos para injetar gases de efeito
estufa no subsolo.
2007, o ano mais quente
O ano de 2007 provavelmente será o mais quente da Terra desde que as
temperaturas do planeta começaram a ser registradas. Esse aumento se deverá ao
efeito do padrão climático El Niño, aliado ao aquecimento global, disse o Met
Office, departamento de previsões meteorológicas do governo do Reino Unido. Há
uma probabilidade de 60% de que este ano seja mais quente do que 1998, que detém
o posto de ano mais quente já registrado, disse ontem o Met Office em comunicado
divulgado em seu site.
O principal fator por trás da previsão foi o início, no ano passado, do El Niño,
que é o aquecimento das águas equatoriais na região leste do Oceano Pacífico
registrado a cada período de dois a sete anos. "O fator mais importante que
determina as temperaturas de um ano em relação a outro é o El Niño, que teve
início em meados de 2006", disse David Parker, cientista que pesquisa o clima no
Met Office. "A previsão também leva em consideração o aumento da quantidade de
gases geradores do efeito estufa provenientes das atividades humanas."
Este ano, o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas, órgão
formado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1988, publicará sua quarta
avaliação sobre a alteração dos padrões climáticos, a primeira divulgada desde
2001. Os autores do relatório examinarão evidências enviadas por milhares de
cientistas de todo o mundo.
Em toda a Terra, os 10 anos mais quentes desde 1850 ocorreram nos últimos 12
anos. O Met Office disse no mês passado que 2006 provavelmente seria o ano mais
quente de todos os tempos para o Reino Unido e o sexto mais quente para o
planeta como um todo.
Fonte:
Gazeta Mercantil e MCT
