Jornal alemão aponta falhas de
conhecimento e incultura do Papa ao tratar dos povos indígenas da América Latina
São Paulo, 16 de maio de 2.007 - Em editorial intitulado "As fraquezas do Papa",
o jornal alemão Süddeutsche Zeitung comenta nesta quarta-feira o discurso final
de Bento XVI no Brasil para afirmar que o "culto Joseph Ratzinger mostra
fraquezas assustadoras em assuntos histórico-políticos".
O jornal se refere à declaração do Papa de que os povos indígenas na América
Latina estavam "à espera do cristianismo" e de que a nova crença 'não foi uma
imposição' sobre os povos pré-colombianos".
"Então provavelmente no início de outubro de 1492, entre o México e a Terra do
Fogo as pessoas ficavam olhando para o mar, pensando 'Onde estão eles? Quando é
que nós índios finalmente vamos poder ser cristãos?'", ironiza o jornal.
Segundo o jornal, Bento XVI acabou "neutralizando o pedido de desculpas feito
por João Paulo II pelas atrocidades cometidas em nome de Jesus contra os
moradores da América Central e do Sul".
Indignação
O jornal alemão diz que "ao
espiritualizar o resultado de morte, assassinato e exploração", o Papa acabou
passando a mensagem de que "no final das contas, os sobreviventes aceitaram
Cristo, e tudo bem".
O editorial diz que o Papa causou indignação entre os povos indígenas, assim
como causou a revolta de muçulmanos com o discurso de Regensburg.
"É difícil separar com precisão crença, responsabilidade histórica e política,
como Bento XVI parece acreditar. Não costuma dar certo, quando um clérigo vira
político", diz o Süddeutsche Zeitung.
"Mas também não basta canonizar um franciscano beato, que fazia as pessoas
engolirem pedacinhos de papel com preces para curá-las", conclui o editorial.
O diário espanhol El País também destaca a polêmica desatada pelas declarações
do Papa, afirmando que "os indígenas brasileiros se declararam na segunda-feira
terem se sentido ofendidos pelas afirmações de que a Igreja havia purificado os
índios e que voltar às suas religiões originais seria um retrocesso".
O jornal espanhol observa que as declarações de Bento xvi foram qualificadas
como "arrogantes e desrespeitosas" por líderes das comunidades indígenas.
Fonte: Portal Terra
