Para secretário de Recursos
Hídricos, falta de água preocupa mais que a de petróleo
Brasília, 26 de agosto de 2.007 - A preocupação com a água é uma resposta aos
sinais de que se nada for feito, as mudanças climáticas e o desperdício vão
provocar desabastecimento mundial. E isso gera um alerta maior até do que em
relação à falta de petróleo. A opinião é do secretário de Recursos Hídricos e
Ambientes Urbanos do Ministério do Meio Ambiente, Luciano Zica.
"Enquanto na América Latina há um volume muito grande de água sem que haja
nenhum cuidado na sua preservação, a perspectiva de mudanças climáticas indica
que poderemos enfrentar graves problemas para suprir de água uma boa parte da
população mundial", afirmou à Agência Brasil o secretário, que foi orador em um
dos painéis do 4º Diálogo Interamericano sobre Gestão das Águas (D6), realizado
este mês na Guatemala.
Zica retornou ao Brasil convencido de que os países, principalmente
sul-americanos, precisam estabelecer uma agenda comum para cuidar da qualidade
das águas transfronteiriças.
"Há maior conscientização quanto à importância da água. O mundo já começa a
vê-la com uma importância maior que o petróleo no século passado. Até porque há
alternativas energéticas para substitui-lo, enquanto a água não tem substituto.
Daí a necessidade de uma gestão continental, que quem sabe evolua para uma
administração mundial", defende o secretário.
Citando como exemplos as Bacias Hidrográficas Amazônica e do Prata e o Aqüífero
Guarani, ele explica que o cuidado com a qualidade das águas deve transcender as
fronteiras políticas. "Temos países que compartilham bacias hidrográficas
conosco. Portanto, se queremos a Bacia Amazônica preservada, dependemos de que
eles administrem bem os recursos. Da mesma forma, temos responsabilidade com os
países que compartilham conosco a Bacia do Prata. Se não fizermos uma boa
gestão, será um desastre para eles. Um evento como esse consolida a
responsabilidade compartilhada e impõe a necessidade de todos termos políticas
de gestão harmônicas".
Cerca de 58% dos mais de 6 milhões de quilômetros quadrados da Bacia Amazônica,
a maior do mundo, fica em território brasileiro, mas o restante se espalha por
Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Suriname e Guiana. A Bacia do Prata
fica no Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina. E o Aqüífero Guarani,
maior manancial transfronteiriço mundial de água doce subterrânea, ocupa 1,2
milhão de quilômetros quadrados no Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
Segundo Luciano Zica, o Brasil ocupa lugar de destaque no movimento em prol do
gerenciamento sustentável da água, tendo sido o primeiro país da América Latina
a elaborar um Plano Nacional de Recursos Hídricos, aprovado em 2006. Ele diz ter
sido procurado, na Guatemala, por representantes de outros países, interessados
na experiência brasileira. "Representantes do Departamento de Engenharia das
Forças Armadas norte-americanas vêm ao país em outubro para conhecer nossa
experiência".