|
A floresta na mesa, no prato, na
casa: a culpa de todos nós
São Paulo, setembro de 2.006 - É espantoso ver como tanta gente ainda acha que
não pode fazer nada para salvar a Amazônia, o Cerrado e outras áreas ainda
preservadas do Brasil. Que pensa e age como se nós, da cidade grande, não
tivéssemos nada a ver com o que acontece lá nos fundões do Brasil. Como se a
fumaça e as cinzas de nossas matas fossem obra de seres malignos, alheios à vida
que nós, civilizados e preocupados, levamos.
Mas não é bem assim... Pense no seu almoço: de onde veio o bife? Veio de um boi,
que comeu pasto, que na maioria das vezes foi plantado onde havia floresta. (As
estatísticas mostram que o maior fator de devastação da Amazônia é a abertura de
novas áreas para pecuária.) E se, em vez de bife, fosse um frango ou um ovo, a
resposta não mudaria muito: as galinhas das granjas comem ração, feita de soja,
cuja área plantada aumentou barbaramente nos últimos anos, sobre terras que
antes eram áreas naturais de Cerrado, de alto valor ecológico. E madeira para
fabricar a mesa? Sabe-se que o maior mercado consumidor de madeira extraída
ilegalmente na Amazônia é a cidade de São Paulo...
Basta procurar para encontrar a floresta - ou o que ficou no lugar dela - em
toda parte, ao nosso redor. A lista é longa, mas o recado é curto: não são “os
outros” que estão destruindo as matas: somos nós que as estamos devorando, um
pouquinho a cada dia. Opções existem, e basta ver as enormes terras
subaproveitadas em regiões já desmatadas, ou os números tão favoráveis de outras
formas de produção e uso dos alimentos. Se, como diz o ditado, “os incomodados
que se mudem”, então não há dúvida: chegou a hora de mudarmos a nós mesmos.
Fonte: Aron Belinky do Estadão (SP), título original: "A floresta no prato".
| |
|