Funcionário do Ibama que aceitou estudos de
Belo Monte é acusado por improbidade
Responsável pelo licenciamento
do projeto é
processado pelo MPF/PA

Belém (PA), 23 de junho de 2.009 - O
Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) entrou na Justiça com uma ação por
improbidade administrativa contra o coordenador de energia elétrica substituto
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),
Adriano Rafael Arrepia de Queiroz. Na ação, ajuizada hoje, 23 de junho, Queiroz
é acusado de ter validado estudos ambientais do projeto da hidrelétrica de Belo
Monte que, segundo técnicos do próprio Ibama, ainda estavam incompletos.
Caso condenado, o coordenador poderá perder a função pública, ter seus direitos
políticos suspensos por cinco anos e terá que pagar multa equivalente a cem
vezes o valor da remuneração que recebe. Também poderá ficar proibido de
contratar com o poder público e de receber créditos ou benefícios fiscais por
três anos.
A Eletrobrás e três das maiores empreiteiras do país (Camargo Corrêa, Norberto
Odebrecht e Andrade Gutierrez), empreendedoras do projeto Belo Monte,
encaminharam os estudos de impactos ambientais (EIA) e o relatório de impactos
ambientais (Rima) ao Ibama em 30 de março. Em 28 de abril, técnicos do instituto
deram um parecer alertando para a falta de uma série de informações nos estudos.
Entre os documentos faltantes estão os estudos dos impactos sobre a população
indígena.
Em 4 de maio foi a vez do Rima ser criticado. "O Rima não atende a seu objetivo
principal, qual seja, de informar e fornecer à população e aos agentes
interessados um entendimento claro das consequências ambientais do projeto.
Portanto, recomendamos que, para a disponibilização à população e apresentação
em audiência pública, este seja revisto, considerando-se os pontos aqui
elencados, e atendendo ao diplomas legais e ao termo de referência emitido pelo
Ibama", registraram os técnicos. E em mais um parecer, de 20 de maio, eles
voltaram a afirmar a necessidade de revisão do Rima.
Apesar das advertências, no mesmo dia 20 de maio Adriano Queiroz declarou os
documentos como aceitos pelo Ibama, requisito essencial para a concessão da
licença ambiental para o empreendimento. No despacho de aprovação (aceite) dos
estudos, Queiroz "libera" a Eletrobrás da apresentação dos estudos de impactos
sobre a população indígena e sobre grutas e cavernas e ainda considera
desnecessários os estudos sobre a qualidade da água.
"Não faz qualquer sentido a permissão para que se apresente documentos faltantes
no momento do aceite, para fase posterior, onde o tempo fica mais escasso para o
debate, o que frauda a efetiva participação popular no debate", criticam os
procuradores da República Felício Pontes Jr. e Rodrigo Timóteo da Costa e Silva.
"O que parece ressaltar é a tentativa de se antecipar a data do aceite do
EIA/Rima, a designação de audiências públicas e, por fim, o licenciamento,
dentro do cronograma apresentado pelo PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento), sem considerar a legislação nacional e o respeito aos povos
residentes na Bacia do Rio Xingu", complementam.
Fonte:
Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Pará
ascom@prpa.mpf.gov.br