A gestão do lixo em São
Paulo, Capital
São Paulo, janeiro de
2.008 - Entidades de bairros, organizações não-governamentais, 45 mil catadores
de lixo, mais de 150 cooperativas e o esforço isolado de moradores da capital
conseguiram, nos últimos anos, elevar para 20% o porcentual reciclado do volume
de lixo recolhido, permitindo economia anual de US$ 300 milhões ao Município.
O índice é semelhante ao
apresentado nos países desenvolvidos e isso se deve às iniciativas de
supermercados, condomínios, escolas particulares e empresas, entre outros, que
instalaram, voluntariamente, 4 mil postos de entrega de lixo reciclável e
organizaram programas próprios de coleta seletiva.
Enquanto isso, a rede
oficial de coleta seletiva responde por apenas 1% do total de resíduos
recicláveis, número baixo demais para a cidade mais rica do País. A média
nacional é de 5% de reciclagem. Portanto, o programa de reciclagem do lixo
avança em São Paulo, mas não com o poder público na vanguarda, dada a sua
lentidão em regulamentar e investir nesse programa.
Numa metrópole onde os dois aterros existentes estão completamente saturados, a
produção de lixo aumenta 7% ao ano e grande parte das 16 mil toneladas de lixo
produzidas diariamente é depositada em aterros particulares, essa questão
deveria receber alta prioridade.
Pelos cálculos do
economista Sabetai Calderoni, autor do livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo", São
Paulo poderia economizar US$ 1,2 bilhão por ano se reciclasse de forma
organizada seus resíduos sólidos. Dados da Associação Brasileira de Empresas de
Limpeza Pública (Abrelpe) mostram que a capital desperdiçou 3,3 milhões de
toneladas de lixo domiciliar em 2006.
Para os estudiosos do problema, a Prefeitura paulistana está muito atrasada. A
reciclagem do lixo começou a ser discutida na capital na gestão Luiza Erundina
(1989-1992) que chegou a criar um programa de coleta seletiva no fim do governo.
Mas, depois disso, a Prefeitura progrediu muito pouco.
Os sucessores de Erundina não se empenharam no projeto. Apenas no governo Marta
Suplicy, a coleta seletiva passou a constar das metas do governo municipal e a
fazer parte das exigências feitas aos consórcios participantes da licitação para
os serviços de transporte e destinação final das 16 mil toneladas de lixo
diárias produzidas em São Paulo.
Pelo contrato firmado em 2003 com os consórcios Loga e EcoUrbis, a coleta
seletiva porta em porta deveria estar em operação em toda a cidade até outubro
de 2005. Ao assumir a Prefeitura, José Serra mostrou-se disposto a anular o
contrato de 20 anos, renovável por mais 20, firmado pelo Município a um custo de
R$ 10 bilhões. Serra se referia ao sistema adotado pelo governo petista como “nó
em pingo d’água”.
De lá para cá, houve renegociação e tentativas de forçar os consórcios a
renunciarem à concessão. Há dias, dada a lentidão da Justiça, que deve demorar
mais cinco anos para julgar o pedido de anulação do contrato, a Prefeitura optou
por reformá-lo.
Pelo novo acordo, a administração municipal reduzirá em 17,3% o valor pago aos
consórcios, o que permitirá economia de R$ 2 bilhões ao Município no período de
20 anos. Em contrapartida, os consórcios ganham novos prazos para realizar obras
e colocar em operação serviços previstos no contrato.
Já deveriam estar em
funcionamento, desde 2004, duas miniusinas de compostagem e a frota de caminhões
já deveria ter sido substituída há dois anos por novos veículos equipados com
sistema de localização por satélite. A inauguração de duas novas estações de
transbordo também estava marcada para o ano passado e, neste ano, a cidade
deveria contar com mais dois aterros sanitários.
Tudo isso, mais a coleta seletiva e o aproveitamento dos resíduos sólidos
recicláveis poderiam reduzir o acúmulo de lixo sem tratamento e aumentar a vida
útil dos aterros.
A boa vontade de uma parcela da população tem sido essencial para que a coleta
seletiva progrida - em 10% dos condomínios residenciais e comerciais já ocorre a
separação do lixo reciclável -, mas sem a participação efetiva do poder público
ela continuará precária.
Fonte: Estadão
