Hilary
Benn (foto), Ministro do Meio Ambiente da Inglaterra, está otimista para a Conferência
de Copenhague, mas faz alertas
O britânico afirma que
conferência sobre mudanças climáticas em Copenhague já gerou efeitos positivos e
ainda poderá levar a um acordo

São Paulo,
17 de novembro de 2.009 - A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas (COP15), que será realizada em dezembro em Copenhague (Dinamarca),
trará resultados positivos para a mitigação do aquecimento global, de acordo com
Hilary Benn, ministro de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino
Unido.
Benn, que deu uma palestra sobre desenvolvimento sustentável, agricultura e
mudanças climáticas na segunda-feira (16/11), na sede da FAPESP, expressou
otimismo em relação à COP15, ainda que na véspera líderes de diversos países
tenham descartado a possibilidade de chegar a um acordo concreto sobre metas de
redução de gases de efeito estufa durante o encontro na Dinamarca.
Participaram do evento Fábio Feldmann, representante do Fórum Paulista de
Mudanças Climáticas e Biodiversidade, e os pesquisadores Marcos Buckeridge,
Daniel Hogan e Carlos Joly, integrantes das coordenações dos programas FAPESP de
Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e
do Biota-FAPESP, respectivamente.
Segundo Benn, nenhuma outra tarefa é tão importante para a humanidade na
atualidade como um acordo na conferência. “Chegar a um acordo capaz de definir
um pico para as emissões de gases de efeito estufa e estabelecer metas concretas
para manter o aumento médio da temperatura abaixo dos 2º C seria a decisão
fundamental. É uma missão difícil, mas não há outra mais importante.”
Segundo ele, embora líderes de países como Estados Unidos e China tenham recuado
na decisão de estabelecer metas obrigatórias ainda em dezembro, a reunião de
Copenhague ainda poderá levar a um acordo. E já gerou efeitos positivos.
“O simples fato de termos a reunião marcada, estabelecendo um prazo para as
discussões, nos forçou a concentrar esforços. E isso já está alterando nossas
políticas. Basta observar as mudanças de atitude ocorridas nos Estados Unidos,
no Japão e na China nos últimos tempos”, disse.
Outra conseqüência antecipada da reunião, de acordo com Benn, é a Política
Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), lançada pelo governo de São Paulo no dia
9, que tem como meta a redução, em todos os setores da economia, de 20% da
emissão de gases de efeito estufa até 2020, tendo por base o ano de 2005. Na
mesma linha, no dia 13 o governo federal anunciou a proposta de reduzir as
emissões de dióxido de carbono em todo o país entre 36,1% e 38,9% até 2020.
“Uma liderança de primeira qualidade como o Brasil estabeleceu, na última
semana, compromissos rigorosos que, sem dúvida, ajudarão a pressionar outras
nações no sentido de estabelecer metas. O Reino Unido também assumiu compromisso
semelhante. Tudo isso mostra que as peças do que poderia compor um acordo já
existem. Precisamos de vontade política para que possamos colocar essas peças no
lugar”, afirmou.
Para Benn, não há espaço para pessimismo. “Se eu dissesse há 20 anos que
conseguiríamos introduzir no Reino Unido uma legislação para mudanças climáticas
e redução de emissões de dióxido de carbono, ninguém iria acreditar. Mas a
sociedade compreendeu a necessidade de fazer isso e pressionou o governo. O
mesmo está ocorrendo no Brasil. O caminho é esclarecer a opinião pública a
partir de avaliações científicas e, em conjunto, estimular e pressionar por
mudanças. Mas precisamos entrar nas discussões com otimismo”, defendeu.
De acordo com o ministro britânico, o Brasil está emergindo como uma potência
ambiental mundial e, por isso, tem sido procurado pelo Reino Unido como parceiro
na busca de respostas à questão mais premente da atualidade: como viver de modo
sustentável no planeta.
“Buscamos essa parceria especialmente porque o Brasil – com participação
fundamental da FAPESP – produz pesquisa de classe mundial sobre as mudanças
climáticas, a bioenergia e a biodiversidade. Essa excelência na pesquisa tem
gerado uma interação riquíssima entre as duas nações”, afirmou.
Relatório Stern
Segundo o ministro de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino
Unido, a discussão sobre a questão do clima avançou muito no Reino Unido a
partir da publicação do Relatório Stern, em 2006.
Coordenado pelo economista Nicholas Stern a pedido do governo britânico, o
relatório analisou os impactos econômicos das mudanças climáticas e concluiu
que, com um investimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, pode-se
evitar a perda de 20% do PIB em 50 anos.
“Temos que fazer o mesmo com a biodiversidade. As pessoas só dão importância
àquilo que tem uma etiqueta com preço. No caso do clima, não causa surpresa que
os empresários tenham optado pela alternativa mais barata – que é mitigar os
efeitos das mudanças climáticas. É preciso que compreendam também a vantagem de
preservar a biodiversidade”, afirmou.
De acordo com Benn, existem três tipos de capital: financeiro, humano e natural.
Enquanto o capital humano aumenta sem parar – com a população cada vez maior e
mais educada –, o capital financeiro oscila, sujeito a crises, e o capital
natural está em franco declínio.
“A perda de capital natural do desmatamento chega a trilhões de dólares por ano.
É uma conta cara. Mas o custo mais pesado recai sobre os mais pobres, que
dependem mais dos recursos naturais. É preciso compreender que não há uma
competição entre desenvolvimento e meio ambiente. A economia não será
sustentável sem um ambiente saudável”, disse.
Para Benn, a viabilidade da espécie humana está atrelada à adaptação às mudanças
climáticas. “A humanidade está cada vez mais interconectada com problemas
globais de meio ambiente e saúde. Charles Darwin nos ensinou que não são os mais
fortes ou os mais inteligentes que sobreviverão à seleção natural, mas sim
aqueles que são mais adaptáveis às mudanças”, destacou.
Fonte: Fábio de Castro, da Agência FAPESP