Setor
automobilístico japonês indeniza vítimas da poluição
Tóquio, agosto de 2.007 -
Montadoras de automóveis e de veículos de carga vão indenizar cidadãos que se
consideram vítimas da poluição do ar nas cidades. Trata-se da primeira ação do
gênero no mundo. As marcas envolvidas neste caso, todas japonesas, são a Toyota,
a Nissan, a Nissan Diesel, a Hino, a Mitsubishi, a Isuzu e a Mazda. Elas
aceitaram pagar, para 520 queixosos, a quantia total de 1,2 bilhão de ienes
(cerca de R$ 21 milhões). Essas companhias também contribuirão com 3,3 bilhões
de ienes (R$ 57,74 milhões) para um programa de ajuda médica para os asmáticos
de Tóquio.
O acordo entre as montadoras e os queixosos foi concluído em 8 de agosto em
Tóquio. Ele foi mediado pelo tribunal de recursos de Tóquio e pelo tribunal
regional da capital. Os cidadãos que serão indenizados haviam dado queixas
contra o governo japonês, a prefeitura de Tóquio, a companhia de auto-estradas
Metropolitan Expressway Public Corporation e contra essas montadoras de
automóveis.
Este acordo põe fim a um processo que havia sido iniciado em 1996, por 99
pessoas. Elas sofriam de problemas respiratórios e se consideravam vítimas da
poluição provocada pelos veículos a diesel, tidos como mais poluidores do que
aqueles à gasolina. O número de queixosos havia aumentado no decorrer de onze
anos, o tempo que foi necessário para conduzir o caso, e existem boas chances
para que este acordo celebrado em 8 de agosto atraia novos pedidos de
indenização.
AUTOMÓVEL
O Estado da Califórnia dá início, em setembro de 2006, a processos contra seis
montadoras de automóveis - General Motors, Chrysler, Ford, Toyota, Honda e
Nissan - pela sua responsabilidade no aquecimento climático. O caso está em
tramitação.
TABACO
A Corte Suprema da Flórida cancela, em julho de 2006, uma decisão de justiça que
havia condenado cinco fabricantes de cigarros a pagarem para fumantes US$ 145
bilhões (R$ 300 bilhões). Em fevereiro de 2005, os fabricantes de cigarros já
haviam conquistado a sua primeira vitória, frente ao departamento americano da
justiça, que exigia deles o pagamento de US$ 280 bilhões (R$ 590 milhões) por
terem "cientemente enganado o público em relação aos riscos que o cigarro
representa".
ALIMENTAÇÃO
O tribunal de recursos de Nova York julga procedente, em janeiro de 2005, uma
queixa de duas adolescentes contra a rede de lanchonetes McDonald's. Elas acusam
esta companhia de ser a responsável pela sua obesidade.
PRECEDENTES
Em 2002, o tribunal regional de Tóquio havia condenado a prefeitura e a
companhia de auto-estradas a pagarem 79,2 milhões de ienes (cerca de R$ 1,4
milhão) para sete queixosos que moravam em locais situados a menos de 50 metros
de eixos particularmente freqüentados da capital.
Este julgamento isentava as montadoras de toda responsabilidade, considerando
que elas tinham por obrigação, no exercício da sua atividade, de se assegurar
que as emissões de gases dos seus veículos não provocavam graves problemas à
saúde. As montadoras haviam estimado que este julgamento era eqüitativo.
O caso foi objeto de recursos, que foram examinados pelo tribunal competente
neste ano. Em 30 de junho, portanto, os queixosos aceitaram o princípio de uma
conciliação. O acordo foi concluído depois das montadoras de automóveis terem
aceito o pagamento de indenizações às vítimas, que tiveram o seu número
consideravelmente aumentado ao longo dos anos.
As sete montadoras teriam finalmente cedido por temerem prejuízos para a sua
imagem de sociedades preocupadas com o meio-ambiente. Manifestamente
interessadas em se manter discretas e em pôr fim a este caso, elas não reagiram
oficialmente depois do anúncio do acordo. Além da sua duração, o caso se
beneficiou de uma exposição cada vez mais importante na mídia. Após terem
entendido que o seu interesse era de chamar a atenção, os queixosos organizaram,
em 27 de junho, uma manifestação na frente da sede da Toyota. Eles queriam
mostrar, segundo explicou um dos participantes, que "as montadoras são
perseguidoras e que existem vítimas".
Mesmo se eles desejavam alcançar rapidamente uma solução, principalmente porque
108 das pessoas que haviam dado queixa desde 1996 hoje estão mortas, os
queixosos se dizem um pouco frustrados com o desfecho do caso. Eles lamentam,
entre outros, que as montadoras não tivessem sido reconhecidas como "socialmente
responsáveis".
O acordo de 8 de agosto não impediu que o porta-voz do grupo das vítimas, Junji
Nishi, fizesse um apelo em favor de uma "redução importante da poluição em
Tóquio". Aliás, esta questão constitui o objeto da segunda etapa da mediação,
que prevê que o governo, a prefeitura de Tóquio e a Metropolitan Expressway
garantirão a promoção dos veículos pouco poluidores, aumentarão os espaços
verdes nas proximidades dos eixos rodoviários e reforçarão as medições da
poluição atmosférica.
Paradoxalmente, uma pesquisa que foi publicada, na quarta-feira, 15 de agosto,
por um clube automobilístico alemão, o VCD, presta uma homenagem especial aos
automóveis japoneses: sete dentre eles - das marcas Honda, Toyota, Daihatsu e
Mazda - figuram entre os dez primeiros numa classificação baseada no melhor
desempenho em termos de consumo de combustível e da emissão de gases poluidores.
Cada vez mais, a poluição provocada pelos transportes vem causando preocupação
no Japão, embora o país já tenha reconhecido que não terá condições de respeitar
os compromissos que havia assumido em relação às emissões de gases de
efeito-estufa, no quadro do protocolo de Kyoto. As autoridades japonesas deram
início, na terça-feira, 14 de agosto, a discussões em torno do princípio de uma
redução da taxa sobre os biocombustíveis, que poderia ser aplicada a partir de
2008.
Fonte: FolhaUOL– Le Monde
