Israel terá frota de veículos elétricos em 2011
Empreendimento
associa
Renault-Nissan e Project Better Place

São Paulo,
dezembro de 2.008 - Apresentado
como um campo de testes ideal para o carro elétrico, 90% dos proprietários de
automóveis dirigem menos de 70 km por dia e as principais cidades do país estão
a distâncias máximas de 150 Km (curtas extensões que são acentuadas nos trechos
de guerra civil), Israel foi o lugar escolhido para a implantação de uma frota
de automóveis elétricos desenvolvidos em parceria com o Grupo Renaul-Nissan, a
empresa
Project Better Place
e o governo israelense.
Cada um dos parceiros ficará encarregado de uma etapa do projeto. A montadora
franco-japonesa vai desenvolver o carro, que será produzido na Europa,
possivelmente feito sobre a base do Mégane ou do Kangoo. A Project Better
Place se ocupará da infra-estrutura energética que contará com 500 mil
pontos de recarga espalhados por todo o país, alimentados por 200 MW
provenientes de fontes de energia solar e eólica.
"O problema que tivemos historicamente com os veículos elétricos é que eles eram
introduzidos no mercado antes de a infra-estrutura de energia estar preparada.
Agora, estamos construindo a infra-estrutura antes de as pessoas comprarem os
carros", disse o israelense de 39 anos Shai Agassi, ex-executivo da alemã SAP e
fundador da Project Better Place, localizada em Palo Alto, na Califórnia,
em entrevista à revista EXAME de 26/03/08.
O governo de Israel, que ironicamente não se preocupa com questões ambientais,
vai oferecer incentivos fiscais aos compradores de VE's. Os veículos com emissão
zero - como os modelos da empreitada - receberão a maior isenção fiscal, pagando
imposto de 10%, comparado aos atuais 79% cobrados dos automóveis comuns, e 30%
dos híbridos. A proposta israelense recomenda que o tributo sobre veículos de
emissão zero seja estendido até 2014, chegando gradualmente aos 30% até 2019, ou
sofra uma emenda caso sua participação de mercado alcance os 20%.
"O estado de Israel tem o objetivo de fazer com que as nossas vidas sejam
melhores e mais limpas, com menor dependência da gasolina e do petróleo",
declarou Ehud Olmert, Primeiro Ministro israelense, ao jornal canadense
The Globe and Mail.
Ele e o Presidente Shimon Peres lutam para acabar com a dependência total de
energia importada, já que atualmente o país importa 10 milhões de toneladas de
petróleo e 12 milhões de toneladas de carvão mineral, a um custo anual de mais
de US$ 6 bilhões.
Veículo Elétrico que não perde em qualidade e potência para um carro
convencional

O automóvel elétrico a ser desenvolvido pela montadora franco-japonesa chegou
aos jornais com a promessa de bom desempenho, comparado inclusive com a
performance de um carro convencional 1.6, movido a gasolina. O brasileiro Carlos
Ghosn, presidente do Grupo Renault-Nissan, confirmou a informação quando
divulgou ao diário The Globe and Mail que o VE terá uma autonomia de 100
km dirigindo na cidade até 160 km dirigindo na estrada, uma aceleração de zero a
100 km/h em 13 segundos e que alcançará uma velocidade máxima de 110 km/h.
O carro será equipado com baterias de íon de lítio, que serão desenvolvidas pela
Nissan e pela japonesa NEC, e um computador de bordo que indicará ao motorista a
quantidade de energia disponível para se locomover e qual o posto de
abastecimento mais próximo. Em paralelo, a Renault está trabalhando no
desenvolvimento de baterias substituíveis. Em matéria para o The New York
Times, Shai Agassi destacou que com o alto preço do barril de petróleo -
cotado em média em US$ 100 - eletricidade e bateria são uma alternativa menos
dispendiosa para os consumidores. "Você compra um carro para ir a uma distância
infinita, e nós precisamos criar esse mesmo sentimento para o carro elétrico -
de que você pode abastecê-lo quando parar de dirigir ou for dormir, e ir a uma
distância infinita", comparou Agassi.
Outra novidade do projeto é o modelo de negócios desenvolvido pelo executivo
israelense, similar ao sistema das operadoras de telefonia celular. Os
consumidores vão comprar seus automóveis e assinar um plano para recarga de
energia, incluindo o uso da bateria, que terá como base a quantidade de
quilômetros rodados. Por exemplo, será paga uma mensalidade para ter o carro
abastecido com energia suficiente para rodar uma quantidade específica de
quilômetros. Neste modelo, os proprietários do automóvel e da baterias são
distintos.
Protótipo vai circular pelo país como vitrine do projeto

Para transformar esse projeto em realidade, o fundador da Project Better
Place conta com um fundo de 200 milhões de dólares - formado com recursos
próprios e de uma série de investidores como o ex-presidente do Banco Mundial
James Wolfensohn. Seu maior investidor, que contribuiu com US$ 100 milhões, é o
magnata israelense Idan Ofer, dono da Israel Corp.
Um protótipo do VE já começou a circular pelas estradas do país, como vitrine do
projeto. O calendário do programa é de que nos próximos anos a Rede de Recarga
Elétrica, que cobrirá todo o país, já estará totalmente instalada e de que, em
2011, estará no mercado o modelo final do veículo para produção em larga escala.
Segundo Ghosn, a previsão é começar com 10 mil a 20 mil veículos por ano no
mercado israelense para tornar o empreendimento viável.
É uma meta
ambiciosa para um país onde as vendas de automóveis novos são inferiores a 200
mil unidades por ano e que,
segundo dados do Bureau
Central de Estatísticas de Israel referentes a 2006,
possui uma frota de veículos de quase 2,2 milhões de unidades.
Em maio deste ano, o General Moshe Kaplinsky foi anunciado como CEO da filial
Projetc Better Place em Israel, estabelecida em Tel Aviv, de onde vai
liderar a construção da infra-estrutura da primeira rede integrada de recarga de
veículos elétricos do mundo. Também foram anunciados outros três parceiros do
empreendimento. A empresa americana NewDealDesign foi escolhida para
idealizar e projetar os postos de recarga elétrica, enquanto a israelense
Aran Research and Development e a Nekuda DM Ltd. farão as instalações da
rede de recarga em todo o país.
A Project Better Place e o Grupo Renault-Nissan esperam expandir o
projeto em outros países pequenos como a Dinamarca e cidades superpopulosas como
Londres, Paris, Cingapura e Nova York. De acordo com o que foi publicado na
revista EXAME, por causa das dimensões continentais e do desenvolvimento do
álcool combustível, o Brasil não está entre as prioridades dos parceiros.
Fonte: ABVE