Jatobá centenário é vítima de vândalos em Campo Grande (MS)

Campo Grande (MS), agosto de 2.007 - O Ministério Público e a Delegacia de Combate a Crimes Ambientais (Deca) investigam o envenenamento de uma árvore de 150 anos da espécie Jatobá que está plantada na Praça Memorial Paulo Freire, no Bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. A denúncia do crime foi feita pela diretora da Escola Paulo Freire, Adelina Maria Avesani Spengler, que há anos arca com a manutenção do local e da vegetação existente.

O crime foi descoberto por acaso pelos alunos da escola e professores que utilizam a praça como local de recreação e aulas de educação ambiental. No dia, segundo Adelina, os estudantes perceberam que a árvore estava seca e com forte cheiro de produto químico. Por conta do relato dos alunos, Adelina foi até o local e constatou que havia três furos no tronco do Jatobá.

Ela comunicou à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), que enviou especialistas até o local para analisar a árvore. A bióloga Noelina Marques Dias – que atendeu a ocorrência junto com fiscais da Sema – verificou que o Jatobá foi envenenado por meio dos três furos no tronco feitos com brocas de 10 mm de furadeira. Por estas características, os especialistas acreditam que o crime possa ter sido praticado por algum morador da região, já que seria necessário o uso de energia elétrica para usar a ferramenta.

No laudo da Sema, o Jatobá ficou 40% envenenado, mas ainda tem possibilidade de recuperação. "Estamos tratando com adubo e doses reforçadas de cálcio, fósforo e potássio. Há esperança de que a gente recupere a árvore em quatro ou seis meses", disse Noelina.

Também, segundo o documento, o crime foi cometido há cerca de 30 dias. As crianças que estão acostumadas a frequentar o local reclamaram da impunidade de que pessoas que praticam estes crimes desfrutam. "Temos medo de que ninguém faça nada", ponderaram.

Apesar da insegurança dos estudantes, a bióloga contou que o MP está atento ao caso e já ouviu os fiscais da Sema. Em Campo Grande, segundo Noelina, apenas 20 árvores têm mais de 100 anos. "Não vamos deixar isso passar impunemente".

O crime ambiental é inafiançável. A pena para quem destruir árvores, segundo a Lei 9605/98, artigo 38, é de um a três anos de prisão.

Investigações

Segundo Adelina, há cerca de 15 dias, a pessoa responsável pela manutenção do local confidenciou a ela que um morador da região reclamou do excesso de folhas que a árvore soltava no chão e chegou a ameaçar matar o jatobazeiro.

A Sema faz apelo à população para que denuncie esse tipo de conduta, já que a morte de uma árvore como esta contribui para o aquecimento global e outros prejuízos ambientais. "Uma pessoa que se comporta desta maneira é egoísta, ignorante e deve ser responsabilizada", disse Adelina.

Fonte: Rios Vivos - www.riosvivos.org.br