Jornalista é condenado por denunciar
grileiro de terras no Pará
Dono da Construtora C. R. Almeida por posse
de quase cinco milhões de hectares na região paraense do vale do rio Xingu
15/02/2011
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15 de fevereiro de 2.011 - Começou essa semana na internet um
movimento em solidariedade ao jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, condenado
por “ofender moralmente” o falecido empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da
Construtora C. R. Almeida e responsável por grave tentativa de apropriação
ilegal de terras públicas na Amazônia.
O jornalista, que é editor do jornal independente Pessoal, teria ofendido o
empresário por “pirata fundiário” ao denunciar a tentativa de posse de quase
cinco milhões de hectares na região paraense do vale do rio Xingu a partir de
registros imobiliários falsos, posteriormente anulados pela justiça federal por
se tratar de patrimônio público. Outras duas pessoas também foram denunciadas
por Cecílio do Rego Almeida, mas absolvidas pela justiça paulistana que
reconheceu a ilegitimidade da acusação, considerando a importância da denúncia
para a revelação desse esquema de “grilagem de terras”.
Expedida em 2006 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, a sentença que
condena Lúcio Flávio Pinto a pagar indenização à família do grileiro poderia ter
sido reavaliada caso o recurso especial submetido junto ao Supremo Tribunal de
Justiça não tivesse sido negado pela ausência de documentos exigidos pela
burocracia do órgão - “cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro
teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante de
pagamento das custas do recurso especial e do porte de remessa e retorno dos
autos”.
O valor a ser pago pelo jornalista à família do grileiro será bastante superior
aos R$ 8 mil estipulados pela justiça paraense à época da condenação, em virtude
da correção monetária necessário para os últimos seis anos.
Além da indenização, Lúcio Flávio Pinto também perde a condição de réu primário,
o que o expõe à execução de outras ações, entre as 33 que lhe foram impostas nos
últimos 20 anos por grupos políticos e econômicos locais, incomodados com as
informações e denúncias veiculadas em seu Jornal Pessoal.
“Não pretendo o papel de herói (pobre do país que precisa dele, disse Bertolt
Brecht pela boca de Galileu Galilei). Sou apenas um jornalista. Por isso,
preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar
essas iniqüidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado,
facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus
interesses escusos. Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização.
Infelizmente, no Pará, chamar o grileiro de grileiro é crime, passível de
punição”, afirmou o jornalista em nota divulgada em busca de apoio dos leitores.
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aqui e leia a nota
pública escrita pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto
Fonte:
Brenda Taketa, do MST