Coordenador da Via Campesina questiona liberação de transgênicos por ameaça à
base genética natural
Brasília, março de 2.007 - Durante a audiência pública na Câmara dos Deputados que discutiu o
processo de liberação de autorizações comerciais de transgênicos, representantes
agricultores e produtores de sementes entregaram um abaixo-assinado favorável à
liberação de milho geneticamente modificado. Contudo, o ex-deputado estadual
Frei Sérgio Antônio Gorgen (PT-RS), do Movimento Pequenos Agricultores e que
estava presente na audiência, discordou dos argumentos apresentados.
Segundo ele, cerca de 8 milhões de produtores, que plantam a maior parte do
milho do país, serão prejudicados se a comercialização de transgênicos for
autorizada. “Os transgênicos podem comprometer nossa base genética. Ainda
existem muitas dúvidas quanto aos problemas que eles podem trazer à saúde e ao
meio ambiente que não foram esclarecidos”, defendeu.
Frei Sérgio citou o exemplo da soja, que segundo ele, no início se apresentou
como salvação das lavouras e atualmente “está endividando e criando inúmeros
problemas econômicos para os agricultores”. “Aquilo que foi prometido, de
diminuir o uso de venenos, não aconteceu, ao contrário, aumentou. Que a
produtividade iria aumentar é mentira, ela caiu”, avaliou.
O ex-deputado gaúcho sugeriu que fossem realizados estudos mais aprofundados
sobre os impactos dos transgênicos na saúde humana e também em relação ao meio
ambiente. Uma alternativa, segundo o frei, seria exigir que os transgênicos
passassem por avaliações semelhantes às que são submetidos os remédios para
atestar a eficácia e que não fazem mal à saúde. “Nem um cientista está dizendo
que não é para plantar, futuramente, transgênico ou não. Eles dizem que tem
problemas e que o caso precisa ser melhor estudado”.
A medida provisória que reduz o número de votos na Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio) para a liberação de transgênicos deve ser sancionada ou
vetada pelo presidente Lula até amanhã (21). A MP foi aprovada pela Câmara e
Senado no final de fevereiro e prevê a redução do quórum de 18 integrantes para
14, o que abriria espaço para votações mais rápidas para a liberação de
transgênicos.
Fonte: Ivan Richard,
da Agência Brasil