Ministério Público denuncia líder arrozeiro por seqüestro de padres em Roraima
Brasília, 05 de setembro de 2.008 - O prefeito de Pacaraima (RR) e produtor de arroz Paulo César
Quartiero foi denunciado esta semana pelos crimes de seqüestro, cárcere privado,
roubo e dano qualificados. Ele é acusado de ter ordenado a invasão a uma missão
religiosa nas proximidades da Vila Surumu, dentro da Terra Indígena Raposa Serra
do Sol, em Roraima, no dia 06 de janeiro de 2004. Segundo a Procuradoria
Regional da República da 1ª Região (PRR-1), Quartiero coordenou a ação que
resultou na destruição de bens e no seqüestro de três padres que estavam no
local.
Em nota, a Procuradoria relata que os sacerdotes Ronildo Pinto de França, João
Carlos Martines e César Alvallaneda permaneceram presos por dois dias sob a
vigilância de pessoas ligadas a Quartiero.
De acordo com o Ministério Público (MP), a ação criminosa foi planejada para
forçar autoridades a implementar a demarcação em ilhas da Raposa Serra do Sol.
Posteriormente, em abril de 2005, o governo homologou a reserva com 1,7 milhão
de hectares em área contínua e determinou a saída de todos os não-índios,
condicionada ao pagamento de indenizações.
Entretanto, os grandes produtores de arroz se recusaram a deixar suas posses e o
caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Em julgamento iniciado no
último dia 27 de agosto, o relator, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela
manutenção da demarcação em área contínua, mas um pedido de vista do ministro
Menezes Direito adiou a decisão.
A denúncia do MP contra Quartiero, relativa ao fatos de 2004, será analisada no
Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Em caso de recebimento pela
Corte e futura condenação, o prefeito de Pacaraima e outros quatro acusados
estão sujeitos a pena de até 21 anos de prisão.
Procurado pela Agência Brasil, Quartiero negou a autoria das ações e se disse
perseguido pelos procuradores federais.
“Tem duas páginas e meia de processos contra mim no Ministério Público. Eu tento
me defender na medida em que posso, mas eles me processam com dinheiro público e
eu tenho que gastar do meu bolso para contestar”, afirmou o prefeito. “Se
aparece uma mulher gorda em Boa Vista, falam que a culpa é minha”, ironizou.
Fonte:
Marco Antônio Soalheiro,
Repórter da Agência Brasil