MMA lança o "Livro Vermelho
da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção"

Brasília, 31 de outubro de 2.008 - O Ministério do Meio Ambiente lançará nesta
terça-feira (4), às 10h, no auditório do Edifício Marie Prendi Cruz (505 Norte,
em Brasília), o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Uma
publicação elaborada em parceria com a Fundação Biodiversitas que, pela primeira
vez, traz um amplo conjunto de informações das espécies presentes nas Listas
Nacionais Oficiais de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção.
São mais de mil e quatrocentas páginas distribuídas em dois volumes, com dados
sobre a biologia, distribuição geográfica, presença em unidades de conservação,
principais ameaças, estratégias de conservação, indicações de especialistas e de
núcleos de pesquisa e conservação envolvidos com as espécies.
A cerimônia de lançamento contará com a presença do ministro Carlos Minc; da
secretária- executiva do MMA, Izabella Teixeira; da secretária de Biodiversidade
e Florestas, Maria Cecília Wey de Brito; do presidente do Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello; do presidente do Ibama,
Roberto Messias, entre outros convidados.
Haverá ainda a assinatura de uma portaria pelo ministro Carlos Minc e pelo
presidente do ICMBio, reconhecendo instrumentos da Política Nacional de
Biodiversidade voltados para a conservação e recuperação de espécies ameaçadas
de extinção. Além disso, a portaria definirá procedimentos e atribuições do MMA
e do ICMBio a serem seguidos quando da atualização de Listas Nacionais Oficiais
de Espécies Ameaçadas de Extinção. No evento será efetuado também o lançamento
de um plano de ação para as Aves de Rapina, elaborado no âmbito do ICMBio.
O principal papel dos livros vermelhos é alertar os tomadores de decisão,
profissionais da área de meio ambiente, conservacionistas, e a opinião pública
em geral, sobre o risco crescente de extinção de espécies e suas conseqüências
sobre o patrimônio genético do planeta. A elaboração de livros contendo as
descrições das espécies consideradas sob ameaça de extinção (livros vermelhos),
realizada com base em critérios científicos e consulta a especialistas,
constitui uma ferramenta básica para a conservação e recuperação dessas
espécies.
A elaboração do Livro Vermelho decorre diretamente das Listas Nacionais Oficiais
de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (INs MMA nº 3/2003 e nº 5/2004),
incluindo pela primeira vez em uma única obra todas e somente as espécies que o
governo brasileiro efetivamente reconhece como ameaçadas de extinção.
Representa, portanto, a continuidade de ações iniciadas a partir da elaboração
das Listas de Espécies Ameaçadas, no sentido de um dia poder retirá-las dessa
condição.
A lista com as espécies citadas nos livros vermelhos pode orientar o desenho das
políticas públicas e privadas de ocupação e uso do solo, a definição e
priorização de estratégias de conservação, o estabelecimento de medidas que
visem reverter o quadro de ameaça às espécies, além de direcionar a criação de
programas de pesquisa e formação de profissionais especializados em biologia da
conservação.
Primeira lista - A primeira lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de
Extinção é de 1968 (Portaria IBDF nº 303) e contava com 44 espécies. A primeira
lista publicada no âmbito do Ibama (Portaria nº 1.522) ocorreu em 1989, com 206
espécies animais sob ameaça de desaparecimento, dentre vertebrados e
invertebrados, das quais sete espécies consideradas como provavelmente extintas.
A lista atual, publicada por intermédio das Instruções Normativas MMA nº 3/2003
e nº 5/2004, conta com 627 espécies ameaçadas de extinção, sendo 130 de
invertebrados terrestres, 16 de anfíbios, 20 de répteis, 160 de aves, 69 de
mamíferos, 78 de invertebrados aquáticos e 154 de peixes. Maiores informações
sobre o tema podem ser obtidas no Portal sobre Espécies Ameaçadas de Extinção do
MMA, no endereço www.mma.gov.br/ameacadas.
Minc
quer livro sobre espécies da fauna ameaçadas de extinção nas escolas
O Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção deverá chegar a todas
as escolas brasileiras, anunciou o ministro Carlos Minc. Na cerimônia, realizada
na sede da Secretaria de Biodiversidade e Florestas - 505 Norte -, ele disse que
"a nossa garotada conhece a girafa e o elefante, que, aliás, são bichos bonitos,
mas não conhece os nossos animais". A obra traz detalhes sobre as 627 espécies
que correm o risco de desaparecer.
O assunto deverá fazer parte da pauta de uma reunião, ainda esta semana, entre
Minc e o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Nas bibliotecas e na mão dos
professores, o livro pode ser decisivo para a salvação dessas espécies", avalia
Minc. Com 1.500 páginas, que mostram onde se encontra, como vive e como é
popularmente conhecido cada um dos animais, peixes, aves e insetos em perigo, a
obra vai chegar primeiro às unidades de conservação nacionais sob a
responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
O ministro ressaltou a importância da publicação, lembrando que sua edição é a
continuidade de um trabalho do MMA, que em parceria com a Fundação Biodiversitas,
a Conservação Internacional Brasil e a Universidade Federal de Minas Gerais,
elaborou uma pesquisa sistemática da maior importância para a identificação das
espécies ameaçadas. Cada cidadão, em cada município, terá condições de conhecer
a biodiversidade à sua volta e se engajar na luta para salvar a fauna em risco,
espera o ministro. "Você só defende aquilo que você ama e só ama aquilo que você
conhece", analisou. Para Minc, o Livro Vermelho é "um chamamento à sociedade. É
um grito. Um basta à degradação ambiental". O ministro avalia ser "intolerável"
que em nome do progresso se esteja levando um número tão significativo de
espécies à extinção. "Esta lista é um tapa na cara pelo modo irresponsável de
produzir", alertou.
A pesquisa que resultou no livro acabou por introduzir espécies novas na lista
de risco e também retirar dele algumas que deixaram a situação de risco. As
principais causas apontadas para o aumento de 217 para 627 espécies em extinção
são o desmatamento, o tráfico de animais silvestres e a degradação ambiental.
Novos dados foram introduzidos pelos pesquisadores, principalmente sobre os
peixes e insetos, contribuindo para ampliar a lista. Minc lembrou uma série de
medidas que o MMA vem tomando para diminuir o impacto da ocupação humana sobre
as espécies ameaçadas.
As iniciativas vão desde o investimento na infra-estrutura dos parques nacionais
até a criação de outros em áreas onde espécies da fauna e da flora correm risco
de ser extintas até a contratação anunciada de três mil novos fiscais, com o
objetivo de coibir e combater os crimes ambientais. "Mas não pensem que isso é
fácil, pois não basta chegar para o presidente Lula e dizer para ele assinar um
decreto", disse Minc.
O ministro enfatizou que ao criar unidades de conservação é preciso dotá-las de
uma infra-estrutura eficiente e um conjunto de medidas, como corredores
ecológicos, capazes de auxiliar na preservação das espécies. Por isso, o MMA
está preparando um plano de manejo para 40 unidades de conservação e está
buscando parcerias com empresas para que elas "adotem" um parque ou assumam os
custos necessários para ajudar a tirar uma das espécies da lista. Lembrou que
salvar um animal da extinção implica em um trabalho de pesquisa de campo,
interferência no ambiente e em seu entorno para proporcionar condições de
sobrevivência e reprodução.
Participaram da cerimônia de lançamento do Livro Vermelho, além do ministro
Carlos Minc, o presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, a secretária
de Biodiversidade e Florestas, Maria Cecilia Wey de Brito, e representante do
Ibama, João Pessoa.
