
Mais verde
para São Paulo
Prefeitura de SP irá criar 33 novos parques,
em terrenos públicos subutilizados
São Paulo, 02 de junho de 2.008 - Os parques públicos que a Prefeitura de São
Paulo pretende criar em 33 terrenos até agora subutilizados servirão,
principalmente, à população carente da periferia da cidade. Na zona leste,
haverá 13 novos parques, com ampla área verde e equipamentos esportivos, além de
ambientes para manifestações culturais. Com esse projeto, desenvolvido por meio
de parcerias entre órgãos estaduais, municipais, empresas estatais e privadas e
autarquias, a capital passará a contar com 64 parques (hoje são 31). Outras 40
áreas, com desapropriações já aprovadas, também poderão ser transformadas em
parques a partir do próximo ano.
A entrega de tantos espaços públicos novos mostra como era falsa a tese de que
São Paulo não tinha espaços disponíveis para abrigar mais áreas verdes e de
lazer. “Era uma falácia”, afirma o secretário municipal do Verde e do Meio
Ambiente, Eduardo Jorge. Segundo ele, as áreas onde estão sendo instalados os
novos parques serviam de depósito de entulho, abrigavam invasores ou estavam,
simplesmente, abandonadas. “Mas existiam!”
O que não existia era a disposição política e o empenho administrativo para
implementar o que de há muito vem sendo reclamado pela população e por
urbanistas preocupados com a pobreza da paisagem urbana da capital. Na Capela do
Socorro, por exemplo, um dos distritos mais carentes e violentos de São Paulo -
onde se registra anualmente a média de 115 homicídios de jovens entre 15 e 29
anos, por grupo de 100 mil habitantes -, os 700 mil moradores nunca dispuseram
de um só parque como estes, numa área de 134 quilômetros quadrados. Sendo
insuficiente o orçamento, o subprefeito Valdir Ferreira formou parcerias para
custear os projetos e selecionou oito áreas que estão sendo transformadas em
parques.
Em Pinheiros, na Rua Sumidouro, uma área de 14 mil metros quadrados, que abrigou
durante 40 anos um incinerador de lixo, será a Praça Victor Civita, onde será
construído o Museu Aberto da Sustentabilidade. A contaminação do terreno,
causada pela queima diária de quase 200 toneladas de lixo, entre 1949 e 1989,
foi neutralizada com a deposição de várias camadas de terra, que evitarão que os
visitantes tenham contato direto com o antigo solo. Além disso, os usuários do
parque caminharão sobre pisos de madeira, para evitar riscos. Fícus e palmeiras,
além de plantas da flora paulistana, comporão a praça. É um projeto pioneiro no
Brasil, baseado em modelos internacionais, e conduzido pela Editora Abril em
parceria com bancos, construtoras, Subprefeitura de Pinheiros, Cetesb e IPT.
Um terreno da Distribuidora Esso, na Mooca, outro local contaminado, também será
transformado em parque. Nos últimos sete anos, os 28 mil metros quadrados,
localizados entre as Ruas Dianópolis, Barão de Monte Santo e Vitoantonio Del
Vecchio, passaram por um processo de descontaminação conduzido pela própria
distribuidora, sob a supervisão da Cetesb. Agora, a Prefeitura vai
desapropriá-lo para que o bairro, um dos mais áridos da cidade, tenha nova área
verde.
E, com o objetivo de reduzir o impacto da presença de milhares de banhistas
sobre a qualidade das águas da Represa de Guarapiranga, a Prefeitura e a Sabesp
investirão R$ 30 milhões na construção de uma praia artificial de 1 quilômetro,
onde os freqüentadores poderão se banhar num piscinão, como o de Ramos,
construído no Rio de Janeiro.
Terrenos de entidades em dívida com a Prefeitura, como o Jockey Club de São
Paulo, estão na mira do governo municipal para ampliação das áreas verdes da
capital. Para os 33 parques, que já estão sendo instalados, a Prefeitura dispõe
de verba de R$ 82 milhões. Não é o suficiente, mas iniciativas como a da Empresa
Metropolitana de Águas e Energia (Emae), que cedeu área para o futuro Parque
Sete Campos, na Cidade Júlia, na zona sul, e a desapropriação do antigo terreno
do Banerj, na Avenida Paulista, a um custo muitíssimo menor do que o preço
praticado na região, também ajudam a Prefeitura a alcançar a meta das 33 novas
áreas verdes para São Paulo, até dezembro deste ano.
Fonte:
Estadão
